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Enquanto por cá os decisores em matéria de política externa pouco se importam com o estudo académico das relações internacionais, o mesmo não acontece no mundo anglo-saxónico. Se no Reino Unido, o British Committee on the Theory of International Politics, do qual fizeram parte Herbert Butterfield, Martin Wight, Hedley Bull, Charles Manning, Adam Watson, só para citar alguns, daria origem à chamada Escola Inglesa de Teoria das Relações Internacionais (TRI), com proeminentes académicos contemporâneos como Barry Buzan, Tim Dunne, Nicholas Wheeler, Richard Little ou Robert Jackson, no caso norte-americano, muitos são os que conformaram os grandes debates da TRI, do idealismo vs. realismo até ao neo-liberalismo vs neo-realismo, passando pelo behaviorismo, dependência e interdependência, chegando-se hoje ao pós-modernismo do qual a face mais visível é o construtivismo, numa academia que conta ou contou com nomes tão sonantes como Hans Morgenthau, Edward Carr, Reinhold Niebhur, James Rosenau, Morton Kaplan, Kenneth Waltz, Robert Kehoane, Joseph Nye, Oran Young, Alexander Wendt, sem contar com os mais mediáticos Samuel Huntigton ou Francis Fukuyama.

Em ambos os casos, os decisores de política externa estão intrinsecamente ligados à academia, quer sejam académicos eles próprios, ou contribuam para os trabalhos de académicos.

Assim é o caso de Henry Kissinger, cujo conhecido trabalho Diplomacia é um dos mais brilhantes exercícios realistas de reflexão sobre a evolução do sistema internacional. Alexandre Guerra mostra-nos como ao longo dos tempos as pessoas podem mudar quanto à sua interpretação teórica do panorama internacional, ainda que pareça quase ciníco em certos casos, mas assim terá sido também com Hedley Bull, que Wheeler e Dunne dizem ter ao longo da sua vida passado paulatinamente do pluralismo (mais próximo do realismo norte-americano) para o solidarismo (mais próximo do idealismo):

Não obstante ser um objectivo nobre e que todos gostariam de ver alcançado, Kissinger revela no texto uma ingenuidade idealista ao exortar por um mundo livre de armas nucleares. Por definição, o pensamento realista nunca se refere à problemática do controlo de armamentos nestes moldes. O autor destas linhas não tem dúvidas em afirmar que este era um texto que Kissinger jamais ousaria subscrever se fosse confrontado com ele no auge da sua carreira política.

Hoje, Kissinger surge ao lado de nomes como o senador democrata, Sam Nunn, ou como o antigo secretário de Defesa democrata, William J. Perry, defendendo ideias que, em muitos casos, estão mais próximas do paradigma idealista do que do realista.

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publicado às 17:06


1 comentário

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De Nuno Castelo-Branco a 02.03.2008 às 22:41

Nunca simpatizei com este cavalheiro. recordo-me das manigâncias do sujeito durante as conversações de paz com o Vietname do Norte. O seu comportamento para com Nguyen van Thieu, foi simplesmente deplorável. Não apreciei a sua posição quanto a Portugal, durante os anos de 1974-75, pretendendo imolar-nos no altar do Kremlin, para "dar exemplo" à Europa. Sabemos bem que os EUA não são aliados fiáveis - como nenhum aliado o é, aliás -, mas a sua política para com Portugal, desde 1942, foi simplesmente, escabrosa. O sr. Roosevelt pretendeu despojar-nos do império no fim da guerra; o sr. Kennedy fez o que fez, fornecendo armas aos nossos inimigos; durante a guerra do Ultramar, o auxílio foi escassíssimo, para não dizer nulo; deram luz verde a Nehru e a Suharto, para a invasão do Estado da Índia (1961) e de Timor (1975). E poderiamos continuar indefinidamente. "They are sons of bitches, but the problem is that they are OUR sons of bitches". E assim será por muito tempo...

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