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Sondajocracia grátis

por João Pinto Bastos, em 02.06.13

A sondajocracia é, de feito, um regime bem estranho, que promove, frequentemente, o logro dos cidadãos (des)informados pelo ruído merdiocrático circundante. Não pertenço ao bando dos que esperam, ansiosa e sofregamente, a próxima sondagem confirmativa de uma liderança política pouco cimentada. Isto vale para qualquer partido e personalidade pública. Este pré-conceito deve-se, em grande medida, ao facto de ser filiado, com muito gosto, diga-se de passagem, num partido que tem sofrido agruras indizíveis na relação muitíssimo atribulada que tem tido com as sondagens. O CDS é, de resto, um bom exemplo do tropel de enganos associado à crença em instrumentos de medição da vontade popular que falham, amiúde, em quesitos fundamentais. Vem isto a propósito das últimas sondagens a respeito das eleições autárquicas que ora se avizinham. Ao que parece, o PSD surge em maus lençóis nas principais disputas eleitorais ao largo do país. Em Lisboa, o amanho político cozinhado pelo PSD, com a colaboração irrestrita do CDS, arrisca-se, seriamente, a sofrer uma derrota bem pesada. O edil Costa, sem saber ler nem escrever, está a um passo bem comezinho de manter intocada a sua inglória obra política à frente do município capitalino. No Porto,  cidade na qual habito, Menezes, o truão da política nortenha, não tem segura a vitória eleitoral, como muitos auguravam. Rui Moreira, com imenso trabalho e muito prestígio à mistura, numa candidatura ampla e abrangente, vai fazendo o que pode para socavar a candidatura menezista. Estes dois exemplos dizem bem da disputa eleitoral que temos pela frente. As sondagens são um bom indicador, contudo, não significam rigorosamente nada. Mais: é ilusório pensar que os resultados que têm vindo a lume são definitivos. A agitação política nacional importa e muito, no entanto, é bom que não se tome a nuvem por Juno. A fraqueza política de Seara não pode nem deve servir de argumento à putativa desistência da direita lisboeta, que já se antolha uma inevitabilidade. Seria lamentável que assim o fosse. É tempo de arrepiar caminho, traçando de vez uma nova estratégia. No que toca à, para muitos, previsível vitória eleitoral de Menezes, o tempo será o melhor conselheiro. Rui Moreira tem feito um execelente trabalho de campo, expondo argumentos e propondo um programa novo e ousado, para uma cidade que precisa definitivamente de se afirmar - se bem que, aqui ou ali, algumas das propostas aventadas mereçam a minha total discordância. As sondagens dão alento, mas pouco ou nada garantem. A vitória política e eleitoral surgirá necessariamente do suor empregue no esclarecimento das populações afogadas no confisco de uma governação pobre e incompetente. É nisso, e apenas nisso, que as candidaturas que pretendem romper com a governação da pândega terão de apostar: no esclarecimento cabal dos cidadãos, sem frioleiras sondajocráticas a granel.

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publicado às 22:33


1 comentário

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De Pedro Quartin Graça a 03.06.2013 às 06:50

Concordo. abraço.

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