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Horas de loucura

por João Pinto Bastos, em 02.07.13

1) Os acontecimentos das últimas 48 horas têm sido alucinantes. Primeiro, Gaspar, agora, Portas. É difícil digerir as emoções causadas por tanta loucura política. Por mais que se tente racionalizar o irrazoável, a verdade é que não há justificação alguma para o caos em que o país foi subitamente mergulhado. Não há ninguém inocente nesta estória de terror. Todos os actores políticos desta patacoada concorreram alegremente para o desfecho de indecisão vigente neste preciso momento.

 

2) Comecemos por Passos Coelho: primeiro-ministro há 2 anos, com uma maioria absoluta no bolso, Passos foi absolutamente incapaz de fazer uma reforma de vulto no Estado. Depois de assumir o programa de resgate como a trave ideológica do seu mandato governativo, Passos aumentou brutalmente os impostos, deixando a despesa pública praticamente intocada. Mais: o Governo liderado pelo eterno jotinha falhou em todos os indicadores económicos que importam, estabelecendo recordes no défice, na dívida, e no desemprego. É certo que a responsabilidade não deve ser assacada, única e exclusivamente, a Passos, mas a verdade é que o primeiro-ministro pouco ou nada fez para evitar esta situação. Além disso, a douta eminência que lidera o Governo destratou, vezes sem conta, o parceiro de coligação, e foi totalmente inábil na relação entabulada com o líder do CDS/PP. É normal que, após a demissão de um ministro de Estado, a escolha de um novo membro do elenco governativo não seja discutida com o parceiro de coligação? É corrente e recto escolher para a chefia do ministério das Finanças uma figura de segunda linha que tem sido repetidamente envolvida em imbróglios judiciais que contendem directamente com a gestão dos dinheiros públicos? É usual, também, que um primeiro-ministro recuse um pedido de demissão? Mas que raio de país é este? Tornámo-nos nas Honduras europeias e ninguém avisou os portugueses? Os resultados da inexperiência de Passos estão à vista: o Governo está em frangalhos, e o país abeira-se do segundo resgate. O culpado número um deste festival de parvoíces tem um nome: Pedro Passos Coelho.

 

3) O papel de Portas nesta ópera bufa é discutível. Não o nego. O timing desta decisão é, no mínimo, dúbio. Porquê hoje e não ontem? Porque é que a decisão de demissão não foi comunicada previamente - escrevo isto com base nas informações que foram sendo ventiladas pelos media - aos órgãos do partido? Porque é que Portas não optou pela via da hipocrisia útil, pondo o interesse do país acima da verrina desajeitada de Passos? Há imensas perguntas que podem ser feitas ao líder do CDS, porém, há que sublinhar o seguinte: o mau tratamento político a que Portas foi sujeito, constante e ininterruptamente, pelo primeiro-ministro tornou a saída de cena numa inevitabilidade quântica. As coligações fazem-de de entendimentos, compromissos e sentido de Estado. Nada disso se verificou. Os entendimentos foram sempre pífios, os compromissos inexistentes, e o sentido de Estado morreu na praia. Paulo Portas tem a seu favor o facto de ter perseguido, com vigor, ao longo destes últimos dois anos, uma agenda reformista que tinha no bojo o fim do excesso confiscatório de Gaspar. Exprimiu as suas divergências e aguentou estoicamente o fardo da estabilidade. Sem embargo, a paciência esgotou-se. Urge explicar aos portugueses, o quanto antes, o porquê desta decisão. O estado de falência do país não admite mais delongas. Portas, inteligente e arguto como é e sempre foi, sabe que os credores não tolerariam um estado de caos nas elites políticas e económicas. É por isso que sei e tenho a certeza que Paulo Portas - alguém que daria um excelente primeiro-ministro - esclarecerá cabalmente os portugueses a respeito dos contornos desta decisão. Com ou sem eleições - eu não pertenço ao grupo dos que diabolizam o recurso a um acto eleitoral -, o CDS tem de esclarecer, muito rapidamente, o que defende e propõe para o futuro da governação.

 

4) Cavaco Silva, quo vadis? Onde anda a eminência belenense? Sim, a pergunta a fazer é mesmo essa: onde anda o Presidente da República? Mais: como é possível realizar-se a cerimónia de tomada de posse da nova ministra neste cenário deliberadamente dinamitado? A incapacidade de Cavaco está a atingir o paroxismo da falta de escrúpulos. É bom que alguém o avise que o regime não aguentará tanta suavidade de gestos. 

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publicado às 23:35


4 comentários

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De Alberto a 03.07.2013 às 01:23

O PP tenta reunir as hostes o discurso é aquele que se adivinhava: a culpa é sempre do outro, as poucas coisas que aconteceram no bom no governo devem-se ao PP e a Paulo Portas que daria um excelente primeiro-ministro (LOL!). Mas alguém acredita nesta fantasia para além dos boys de Portas?
Alguém acredita que Portas não tenha dado o seu assentimento ao nome de Maria Luis Albuquerque (admito que com reservas) quando Paulo Núncio do PP tomou ontem posse igualmente?
É uma vergonha se o partido eleger Portas como líder depois desta peça de teatro de hoje.

Vale a pena citar esta notícia de 19 de Junho:

"O presidente do CDS-PP, Paulo Portas, afirmou hoje que a "percepção das diferenças" no seio da maioria "é nítida", defendendo que "o país precisa de um Governo estável", mas não que o CDS-PP seja igual ao PSD.

Na moção que vai apresentar ao XXV Congresso do CDS-PP, e terça-feira à noite divulgada em Lisboa, Portas defende o consenso político e a concertação e diz que o partido "não contribuirá para o excesso de crispação política em Portugal""

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De João Pinto Bastos a 03.07.2013 às 02:34

Caro Alberto,


Em primeiro lugar, não sou um boy de Portas, em segundo lugar, fiz questão de sublinhar que o timing da demissão foi péssimo, em terceiro lugar, e last but not the least, eu não iludo as responsabilidades do CDS nesta trapalhada.  Mas, também, não esqueço nem risco do mapa o facto do CDS ter tido 10% dos votos nas últimas eleições. Por outras palavras, o verdadeiro chefe das operações era e é Passos.
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De José a 03.07.2013 às 02:14


As suas loucuras são:MJ
As suas loucuras são:LMV
É bom que alguém o avise que a vida é totalmente diferente daquilo que anda a fazer,mas por este andar  vai acabar muito pior que  o governo.Quem mal anda,mal acaba.  
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De José a 03.07.2013 às 02:33

Principal culpado sem dúvida alguma Passos Coelho, que tem uma ânsia louca de poder, seguindo-se Cavaco que mais parece que anda a dormir e por fim Gaspar que tudo fez para garantir um bom poleiro não cá, mas lá. E, assim se deu cabo dum país, com esta gente que pode saber de muitas coisas, mas  de governação zero. 

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