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Da Trituração de Primeiros-Ministros

por joshua, em 04.07.13

Eleições já? Não. Não é medo. É pragmatismo. Baralhar e tornar a dar para quê? Para a ingovernabilidade, a perda de tempo e a tonteria?! Parece absolutamente claro que assim como Passos Coelho não é, nem poderia ser, a melhor solução segregada por um Regime há muito posto em causa, e mais recentemente posto em causa pela Máquina de Fazer Bancarrotas-PS, Seguro não o será certamente e é tudo menos líquido que vença as próximas eleições, a menos que a garagem dr. Soares esteja a postos para fazer dinheiro, para evitar os cortes nas pensões e os despedimentos na Função Pública, conforme a Troyka pressiona o Estado Português, matéria assustadiça Espanta-Portas. A constante mastigação mediática e comentadeira de cada Primeiro-ministro, uns por serem fracos, outros por debandarem a meio dos mandatos, outros por serem corruptos, despóticos e completamente desvairados pela própria imagem, e agora Passos, por ter tido no próprio Governo duas linhas opostas e um só saco de gatos, tem de ter um basta. Nada mais absurdo que considerar que, para liderar Portugal, há credibilidade na actual classe política, no espectro político em geral, num Regime onde o único sucesso é a corrupção política impune, as bancarrotas com os media a ajudar e a encobrir, a falta de lata dos Sócrates a comentar, a incompetência e malícia em larga escala. Gaspar compreendeu bem que teria demasiados entraves à magna tarefa de conferir credibilidade externa a Portugal e algum reformismo radical. Por isso quis demitir-se em Outubro: Portas, para todos os efeitos, representa o ranço instalado no Regime, representa a sua resistência, o statu quo e a aspiração a ascensão dos quadros do CDS-PP pela mesma escada por onde subiram os competentíssimos quadros políticos do PS e do PSD. Passos deve continuar a resistir o mais possível: que resista um dia, dois dias, uma semana, um mês, um trimestre, um semestre, até à evacuação da puta da Troyka, com o Governo adestrado e remodelado e capaz de uma mensagem esperançosa e mobilizadora. O principal entrave para sairmos desta crise política não é, não pode ser, uma pessoa. O Regime apodrece: não confio nos políticos, não confio nos partidos, não confio nos sindicatos. Confio somente nos que trabalham. Nos que empreendem. Nos que emigram. Nos que lutam mantendo-se civicamente vivos e activos apesar do seu desemprego e da calamitosa falta de dinheiro para comer. Passos deve resistir. Que resista por boas razões lá, onde o Mega-Burlão resistiu por más e ronhosas. Alguém faça um desenho aos que pedem eleições: o PCP, o BE, sempre pediram eleições, um mês após quaisquer eleições. Agora o PS pede eleições, mas fala sempre do PEC IV como a bóia que deveria ter impedido umas, em 2011. Ao contrário da rua turca, da rua brasileira e da rua egípicia, a rua portuguesa não tem nada por que clamar: sair Passos para entrar outro Passos-Seguro?! Sair Passos para passar meses, como em Itália, à espera de um acordo entre partidos nivelados, nenhuma maioria, nada senão a execração do sistema político-corrupto-partidário? Dificilmente Passos será vítima da revolta popular. A revolta popular está toda na cabeça dos cromos anacrónicos do BE, do PCP-PEV, e do PS amigo das deflagrações na bolsa e dos incêndios das yields. Não há rua, cromos. Não há rua, imbecis. A rua quer é sossego, não montras partidas. A rua está a emigrar. A rua não faz greves gerais. A rua vive na casa dos pais. A rua não embarca na treta dos comentadores pançudos da SIC, dos proença, dos ricardo-costa, dos caramelos que riem disto. A polícia de choque não tem manifestantes revoltados por razões regimentais e de organização política. A polícia de choque está de férias: ninguém sai à rua por causa da falta de legitimidade de quem quer gerar confiança e estabilidade aos olhos do exterior a todo o custo, por quem recusa incendiar a Zona Euro, conforme ontem se viu. Senhor Primeiro-Ministro, aguente firme. A Grécia está na cabeça oca dos incendiários, das minorias esquerdizantes e ociosas. É humano falhar. A única humilhação é fazer birras e colocar a hecatombe eleitoral autárquica em primeiro lugar, e não o País. Deus perdoe a Portas por isso. Evitemos engonhar e prolongar a agonia de uma Troyka em Portugal: sejamos lúcidos, nada de eleições já. Não, agora que a economia privada e exportadora foi fortemente espevitada pela morte-colapso da procura interna; não, agora que um novo ciclo, a ser aberto, deve ser aberto por quem comprometeu nas soluções mais duras a própria sobrevivencia eleitora nas próximas autárquicas. Não brinquemos sob a Troyka. Até Setembro de 2014 procuremos não engonhar nem inventar nem perseguir a própria cauda como os cães com sarna. O PS não serve nem merece, tão pouco tempo depois, uma vitória minoritária num putativo escrutínio. Não brinquemos às eleições lá porque há liquidez nos cofres do Estado para aguentar as contas até ao fim do ano. Num Regime em pré-colapso, não há estratégia, senão sobreviver e evitar o 2.º resgate. Comportemo-nos bem. Não demos abébias aos mercados nem pretextos para que as taxas de juro sobre a dívida portuguesa ou as bolsas subam hoje. Não sabemos se descerão amanhã. Não é possível um Governo com outra visão, senão a missão urgente de sobreviver e evitar pretextos para um 2.º resgate. Precisamos de resistir à mensagem golpista das televisões, da rádio e dos jornais que não vendem jornais por ser isentos, frios, e movidos pelo interesse nacional imediato. Teremos de encontrar investimento e confiança, apesar do Regime, da fraqueza das instituições, da fragilidade da Oposição Golpista e do Governo de Emergência. Quando sairmos da Emergência, falemos de eleições. Preservemos a estabilidade, façamos o que nos pedem, fala cada qual o que puder pelo crescimento e pelo emprego. Não desbaratemos o que sofremos até agora. As eleições servem para escolher os melhores. Só temos medíocres e clones infinitos do que assaquem a Passos Coelho. A rua não faz a vontade ao BE, ao PCP-PEV e ao PS? Deixem em Paz o Presidente da República que não dissolveu o Parlamento em contexto nenhum e não vai inovar agora. O Presidente teria a obrigação de ouvir os portugueses na rua, se a rua falasse para lá de quaisquer dúvidas, como no Brasil, na Turquia ou no Egipto. A rua portuguesa está em silêncio. O caos social mora na cabeça nefelibata dos soares, dos pachecos, e de quantos em vez de irem trabalhar para o Algarve ou para Londres, andam a enfastiar os Comités Centrais da Decadência e da Esperança Nula. Temos Governo. Temos alguma recuperação da economia, do emprego, das exportações. Temos uma eficácia na tributação como nunca se viu, teremos números macroeconómicos em breve. Passos deve resistir. Por paradoxal que pareça, a austeridade implica que se viva do trabalho e da riqueza e não de dívida. Isso é doloroso e leva o seu tempo. O crescimento ou a confiança não se decretam: as palavras crescimento e confiança ditas trinta mil vezes por Seguro, os semedos, as catarinas e os jerónimos não geram um só parafuso. Passos deve permanecer e resistir, não por ser excelente, mas por jamais vir a dar lugar a qualquer coisa melhor que ele, por nada de brilhante ser esperável em Seguro e nada de nada haver que as Esquerdas nos possam dar, especialmente condições de permanência no Euro, crescimento e emprego. Prefiro o desastre total do PSD nos próximos actos eleitorais e um País a crescer, dentro do Euro, sem 2.º Resgate que a salvação eleitoral do CDS-PP ou do PSD e o vórtice de descrédito e incerteza a marinar por três meses nas bolsas e nos mercados para depois aparecer um Passos diferente, Seguro, violentamente incompetente e populista. De Gaspar, o homem que foi cuspido no supermercado por ter sido demasiado independente e a-político na pasta, ainda se falará com saudade e gratidão. Quem é o dono da vontade dos portugueses?! Naturalmente a Esquerda, o BE, o PCP e o PS. Eles tutelam e apascentam a nossa vontade. São bonzinhos e nossos amigos. Pois não tutelam a minha. A minha vontade é que me desamparem a loja. Este é um tempo para resistir. É o tempo para ficar. Este Governo vai sobreviver e remodelar-se. Quando houver uma rua portuguesa que saiba o que quer e se manifeste convicta pela saída do Euro, avisem-me. O Regime está morto. Se os seguros, os jerónimos, os alegres, os soares, toda a tralha que comenta e já se sabe o que vai dizer, acha que pode demagogizar à vontadinha e fazer jogos de favor ao PS com o olho do cu nas sondagens e pensa que não irá na enxurrada de condenação que nos ferve nas vísceras, pense duas vezes. Se não pensar a bem, vai pensar a mal.

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publicado às 16:33


1 comentário

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De Duarte Meira a 04.07.2013 às 21:46

« ... à magna tarefa de conferir credibilidade externa ...»

Caro John:

O seu longo e notável texto merecia um longo comentário. Posso apenas dizer-lhe que enferma de dois vícios capitais:

1º A "magna tarefa" é a tarefa da subjugação perpétua aos banksters transnacionais, indigna de um Estado que lutou pela sua autonomia política até 1974 e que, apartir de 1986 julgava (julgavam os incompetentes e corruptos politicos "portugueses") que podia fazer de rico à custa do contribuinte alemão, sem que nada lhe acontecesse. De resto os investidores de menor coturno (chineses, angolanos) não precisam para nada dessa "credibilidade" para entrarem, investirem e "conquistar posições".

2º A sua aposta no sr. Passos Coelho revela que ainda não se deu conta de que não há nenhuma diferença essencial entre este indivíduo e o sujeito que andou aí a fazer de "primeiro ministro" antes deste. Parece que nem o caso Relvas, nem o das PPPs nem o dos swaps lhe serviram de advertência, meu caro. É que nada de essencial se mudou minimamente na estrutura nem na lógica das políticas de um "regime" que o John considera em "pré-colapso" ou mesmo "morto". E o 2º resgate, a "evitar absolutamente", está em perfeita simetria com o 1º, que o outro também queria "evitar absolutamente" com o burlador disfarce de Pec 4.

Entre Passos e Coelho há apenas uma diferença de... "tecnoforma".

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