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As falinhas mansas de Seguro

por John Wolf, em 04.08.13

O vice-primeiro de Seguro - Carlos Zorrinho -, embora queira mostrar os dentes e defender o lider do seu partido, está efectivamente a salvar a sua pele. As falinhas mansas que refere são um modo de sacudir a água do capote. Quem é brandinho e inofensivo é Seguro. Quem tem falinhas que nem chegam a ser mansas é Seguro. E o facto de Zorrinho passar grande parte do seu tempo político na companhia do seu compincha de bancada parlamentar pode significar que sofreu efeitos de contágio. O perfil comprometedor de Seguro pode ser do tipo infeccioso que passa de parceiro para parceiro se estes não se protegerem adequadamente nas relações que estabelecem. Zorrinho, sem dar por isso, terá replicado um pouquinho de Seguro. Pode-se ter assegurado um bocadinho sem dar conta, e agora corre o risco de ser entendido pelos eleitores como um membro que se confunde com Seguro - um quase Seguro. Mesmo um chefe acarismático, como o secretário-geral, pode marcar o estilo dos seus seguidores. Sem o desejar ou sem o saber, os fiéis acabam por emular alguns tiques e figuras de estilo. Zorrinho tem consciência disso e porventura quererá demarcar-se da estrela cadente e marcar os limites da sua personalidade política. Se cai Seguro levará consigo a palette toda, os associados da empreitada e os resistentes às palavras inócuas. As frases perfeitas para um abstracto político, um esboço teórico de afirmação populista que dista das medidas concretas que o país necessita mas que estes trovadores desconhecem por não serem capazes (crescimento e emprego? Como?). As autárquicas podem rebentar com as guarnições vazias dos socialistas. Se de repente os camaradas ganham umas câmaras valentes, terão de lidar com a sua própria herança, com o regresso à ruína inacabada - o modo continuum socialista com todas as suas nuances, as fantásticas empresas municipais e os seus directores de águas e gases. Se mantiverem as câmaras que já detêm, serão obrigados a assumir por inteiro a responsabilidade dos descalabros financeiros, as contas desfalcadas de mandatos repetidos sem intromissão. De nada servirá atirar a culpa para os "dois anos de governação do governo de coligação". As catástrofes autárquicas terão apenas uma assinatura-rosa, terão apenas uma parte contratual e a batata quente não poderá ser devolvida a outros remetentes. A morada definitiva será essa e mais nenhuma. Os socialistas, num putativo regresso triunfal ao universo autárquico, retornam ao seu legado, ao seu passado, aos fantasmos e aos mortos-vivos da sua excelsa administração, a um Castelo-Branco-sujo em todo o seu esplendor. Os socialistas, toldados pela vontade de ganhar, levados na corrente da paixão, demonstram que não conseguem pensar uma para a caixa eleitoral. Não são capazes de ser racionais, metódicos e programáticos quanto baste para se organizarem a nível partidário, quanto mais para dirigir os destinos de um país. Os socialistas, que se acham capazes de congeminar um plano de salvação a solo, são politicamente narcisistas e egoístas, e reafirmam esse devaneio por não terem alinhado nas cantigas e acordes de Belém. Com este género de discurso pueril, sabemos que estamos a lidar com crianças queixinhas. A expressão "falinhas mansas" não demonstra maturidade política. É um balbuciar como tantos outros a que nos habituou Seguro. O punho rosa, hirto e firme, parece ser de outros Verões quentes, de outros protagonistas. Eu não disse que Seguro era contagioso?

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publicado às 17:13


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