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Desde o fim da II Guerra Mundial, com a consequente afirmação dos Estados Unidos como superpotência ocidental, que a ideologia da democracia tem vindo a ser amplamente difundida nos países que se convencionou designar por "ocidentais". Talvez pela institucionalização dos conflitos de que falava Aron, talvez pela regra até hoje em vigor de que Estados democráticos não entram em conflito armado, o que é certo é que a legitimação do poder no Ocidente vive em torno da ideologia da democracia.

 

É também certo que se tornou praticamente impossível contestar essa mesma ideologia, numa espécie de novo totalitarismo encapuçado que se tem inculcado nas mentes da maioria dos povos do Ocidente. A tal ponto que muitos achamos que o que é bom para nós é bom para os outros, e até se inventam disciplinas académicas para tratar da "exportação da democracia", por forma a disfarçar aquilo que se poderá chamar de neo-colonialismo sob a capa da resolução conjunta de problemas colectivos, levando a novas formas de cooperação e integração entre os Estados.

 

Não me interpretem mal, até acho que em muitos casos o Ocidente devia ser mais proactivo e assertivo nas relações com países africanos, asiáticos ou latino-americanos, e onde o é muitas vezes é quando não o deveria ser, como em casos relacionados com a alegada protecção de direitos humanos, o tão badalado "right to protect".

 

Mas o que interessa aqui tratar não é desse tal neo-colonialismo mas sim, analisando apenas as sociedades ocidentais, ter em consideração a irónica deriva totalitária do pensamento único da ideologia democrática que não permite alternativa nem contestação, e que todos assumimos como sendo o melhor para todos, até porque a democracia será o pior regime excluindo todos os outros.

 

E se assim é, há que relembrar Platão e Aristóteles e a teorização em torno dos ciclos dos regimes políticos, quanto ao papel que a educação desempenha nas mudanças de regime. Se o actual conceito de democracia for o mais aproximado que conseguimos chegar ao regime dos Deuses, ou seja, a kallipollis ou politié, então restam-nos apenas dois caminhos: ou o Fim da História como preconizado por Hegel e reafirmado por Fukuyama, ideia que me parece tem vindo a invadir grande parte das sociedades ocidentais através da tal deriva ideológica totalitária, ou então iremos desvanecer pela degenerescência educacional.

 

Infelizmente,  e porque sou um realista normalmente pessimista e céptico nas minhas visões ou análises do mundo e da sociedade, estou em crer que a segunda hipótese será mais crível, na senda da queda de todos os impérios que existiram até hoje, e ainda se tomarmos em consideração as graves falhas em termos educacionais de que padecem as gerações em formação, que dificilmente farão face às crises cada vez mais frequentes, as tais novas gerações que de acordo com Graham Allison mais facilmente recorrerão à força armada do que as gerações que experienciaram fenómenos conflituais de larga escala.

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publicado às 02:32







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