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Submarino ao mar!

por Nuno Castelo-Branco, em 16.07.08

 

 

 Foi ontem lançado ao mar o primeiro dos dois submarinos Trident da nossa Armada, fabricados na Alemanha. Após a algazarra dos tempos eleitorais que antecederam a actual maioria, estava piamente convencido de que a autoria da encomenda e compra pertencera ao governo de Durão Barroso /Paulo Portas. Afinal, o trato foi feito em plena época Guterres (1998) e anteontem - o seu a seu dono -, o primeiro dos submersíveis foi lançado à água, em fase de acabamento. A madrinha é Alda Taborda Gama, filha do saudoso dirigente da Nova Monarquia, Dr. João Taborda. Numa cerimónia com o inconfundível e já esquecido ambiente de um certo passado, Jaime Gama e a mulher lá representaram o Estado. Tenho Jaime Gama em conta como um homem de bem e patriota.  Seria interessante conhecer o seu pensamento acerca da controvérsia U-Boote que encheu resmas de jornais nos anos transactos.

 

Apesar de todas as explicações profusamente dadas pelas entidades competentes do sector, custa-me a crer na verdadeira necessidade desta aquisição, pois o preço e a funcionalidade dos submarinos é muito discutível. Conhecendo os casos em que as nossas Forças Armadas Portuguesas periodicamente se envolvem - intervenções na Guiné ou Timor, por exemplo -, não teria sido melhor - e mais económico - produzir o tal navio polivalente, capaz de conseguir a projecção de forças terrestres e aéreas? A propósito, quanto terá custado ao reino vizinho a construção dos porta-aviões Príncipe de Asturias e do novo Juan Carlos I?  Comparemos ...

 

Quando da aquisição - ou melhor, refundação - da Armada Portuguesa nos anos trinta, o regime adquiriu unidades funcionais e outras - os avisos - para "mostrar bandeira" nas colónias. Foi uma escolha acertada e dentro das capacidades financeiras do país.

 

A aquisição de fragatas à Holanda - caras e usadas - deixa-nos uma sensação amarga do conhecido e nacional método de encontrar soluções paliativas. Sou um leigo na matéria, é verdade, mas dado o tipo de relacionamento histórico que temos com aquele país, é com verdadeira repulsa que encaro qualquer compra naquela parte baixa da Europa. Sei bem quem são, o que dizem e pior, o que de nós pensam os batavos.  Lembro-me bem deles em Moçambique e na África do Sul. Más companhias. 

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publicado às 16:22


8 comentários

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De Pedro Fontela a 16.07.2008 às 16:52

luvas??
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De Nuno Castelo-Branco a 16.07.2008 às 17:03

Maybe, Pedro, maybe...
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De João Quaresma a 16.07.2008 às 17:56

Caro Nuno,

As suas opiniões em regra coincidem com as minhas mas neste caso desculpe-me dizer-lhe que errou do princípio ao fim.

1. Precisamos de submarinos, até mais do que fragatas. Uma Marinha é uma equipa: não faz sentido ter apenas pontas de lança e não ter guarda-redes.

2. É verdade que as explicações dadas são confusas porque: a) são muito técnicas, pouco ao alcance do comum dos cidadão b) são sigilosas, como em qualquer assunto militar c) envolvem a nossa independência estratégica em relação a Espanha e outros "aliados". Por isso são um assunto tão incómodo. Mas uma basta: se não houver submarinos portugueses no espaço subaquático português (por contraposição ao espaço aéreo), haverá sem dúvida alguma submarinos, mas não serão portugueses, e a fazerem não saberemos o quê (largar contentores de lixo nuclear, por exemplo).

3. O concurso de escolha dos novos submarinos foi lançado por Guterres que se encarregou de arrastar o assunto durante anos. A escolha do modelo, negociação final (que incluiu a redução de 3 para 2 submarinos) e a assinatura do contrato foi feita em 2004 por Paulo Portas, com contrapartidas para a indústria portuguesa de cerca de 120% do valor da compra dos submarinos (entre elas a construção de navios para a Alemanha nos estaleiros de Viana do Castelo, a vinda para a Autoeuropa da produção do VW Eos, fabrico das baterias pela Autosil). O problema aqui está no numero de submarinos: o número adequado era de 4, o mínimo dos mínimos era 3, e só vêm 2. Dois significa que não vai ser possível garantir uma presença permanente de um submarino no mar (funciona por rotação).

4. Precisamos de um navio de intervenção TAMBÉM, e é suposto virmos a tê-lo, construído em Viana do Castelo. Como disse, uma Marinha é uma equipa com várias especialidades.

5. Os 8 Navios de Patrulha Ocêanica que a Marinha está no processo de aquirir (outra obra de Paulo Portas) são os avisos em versão moderna (mas menos armados). Custam cerca de 6 milhões de contos cada um. Se pensarmos que há anos só a RTP dava 52 milhões de contos de prejuízos anuais, percebe-se que se Portugal não tem Forças Armadas bem equipadas é porque o poder político não quer. Portugal gasta 1,2% do PIB em Defesa, mas só o passivo da Refer equivale a 3,3% do PIB. E já não falo da CP, Carris, etc e tal. Dinheiro, sem dúvida que há.

6. O mais lamentável de tudo é que Portugal foi pioneiro mundial na concepção de submarinos, no final do Século XIX, com a "Estação Submarina Fontes [Pereira de Melo]", projectada por um oficial de Marinha do mesmo nome. E chegamos ao Século XXI e continuamos a não fazer parte do clube de países que constrói submarinos (Alemanha, Rússia, Ucrânia, Irão, China, Argentina, Brasil, França, Holanda, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Japão, Dinamarca, Noruega, Reino Unido, Espanha, Índia, Paquistão, Austrália, Itália, Croácia, Grécia). Devíamos estar a construir e exportar submarinos, não a encomendá-los no estrangeiro.

7. Um pormenor: entre a decisão do Estado Português de iniciar o processo de aquisição de novos submarinos e o lançamento ao mar do primeiro submarinos decorreram VINTE E UM ANOS. E depois admiram-se que a nossa reputação internacional seja de um manicómio em autogestão.

Um abraço,

João Quaresma
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De João Quaresma a 16.07.2008 às 18:22

Mais uma: a compra das fragatas à Holanda foi das poucas coisas realmente boas que este Governo fez. São muito bons navios, são recentes (têm 14 anos, ou seja menos de metade da vida útil), baratas (240 M€ por duas, quando novas custariam uns 450M€ cada). Quem saíu a perder aqui foi a Holanda (e o assunto causou indignação por lá). A Marinha Holandesa há muito que tem o hábito de vender navios prematuramente para ir comprar novos e assim dar trabalho aos seus estaleiros, mas desta vez exageraram. Quem ganha com a situação somos nós, porque de qualquer forma não há orçamento nem tempo para encomendar fragatas novas. Era uma compra muito mas muito urgente.
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De Nuno Castelo-Branco a 17.07.2008 às 01:45

Bom, João Quaresma, fui dizendo que sou leigo na matéria. E sou mesmo.
Quanto aos submarinos, ainda não fiquei muito convencido. Em matéria de controle de águas, podem fazer mais que um porta-aeronaves? talvez, mas...
No que diz respeito á Holanda, falei em reacção. Não tenho a mínima confiança neles e aparentam ser uma coisa diferente daquilo que na realidade são. Não lhes comprava uma soca de madeira, quanto mais navios! Argumento muito primário. Pois é, mas há antipatias ancestrais. se foi ou não bom negócio? talvez tenha sido, mas a meio da vida útil, enfim. Para cúmulo, até ouvi dizer que os Panzer que o governo comprou (80 Leopardos?), virão também da Holanda. Não são eles alemães? Que esquisito.*


* Não ligue, sou muito parvo :)
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De João Távora a 17.07.2008 às 17:42

Oh Miguel! Qualquer pessoa sabe que para se jogar à batalha naval são necessários quatro submarinos e uma folha quadriculada.
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De João Quaresma a 17.07.2008 às 18:09

Caro Nuno,

Cada coisa tem as suas valências. Um porta-aviões é um navio de projecção de poder, é colossalmente caro de operar para ser usado em meras patrulhas, e é tudo menos discreto. Pelo contrário, um submarino pode ver sem ser visto, seja acima da superfície ou abaixo dela. Devidamente manobrado, usando os ruídos no mar e as diferenças de densidade da água para encobrir o seu próprio ruído, pode estar debaixo de um navio sem que este suspeite que lá está. Foi assim que, em 1982 durante manobras NATO, o nosso 'Barracuda' afundou (em simulação) um porta-aviões nuclear americano, depois de furar todos os perímetros de escolta. O vexame foi tal, que o almirante americano que comandava a esquadra foi demitido ainda no mar, antes os navios regressassem à base.

Há anos atrás o porta-aviões espanhol também foi "afundado" por um submarino brasileiro ao largo da costa portuguesa sem que os espanhóis soubessem o que lhes aconteceu.

Um submarino é uma arma perigosíssima que permite a um pequeno país colocar em sentido um muito mais poderoso.

Na Segunda Guerra Mundial, um dos motivos que dissuadiu os EUA de invadirem os Açores foi a Marinha deles alertar que Portugal tinha submarinos que, combatendo "em casa" (i.e., conhecendo o relêvo do fundo do mar e sabendo como o usar em seu proveito), poderiam causar grandes baixas à frota americana. E não seria certo que os americanos os conseguissem apanhar depois.

Em 1961, a invasão indiana de Goa, Damão e Diu, esteve para não se realizar por suspeitas de que Portugal pudesse ter submarinos na zona.

É por isso é que uma marinha que pretenda estar presente no alto-mar estará sempre incompleta sem submarinos. E é por isso que apesar de todas as enormes reduções que as forças armadas de quase todos os países têm sofrido depois do fim da Guerra Fria, ninguém prescindiu de submarinos.

É que além do mais são armas de tempo de guerra e de paz. Se precisarmos de saber o que se passa na costa do Senegal, mandamos um submarino e ninguém sabe que andamos lá. Se tivéssemos um porta-aviões e o mandássemos para lá, não só toda a gente saberia como o Senegal ainda nos acusaria de os querermos invadir.

Desculpe alongar-me na explicação, mas este é um assunto que importa esclarecer porque se por um lado reúne o mais absoluto consenso entre quem percebe de assuntos militares, em contrapartida, reúne a discordância da esmagadora maioria da opinião pública.

Um abraço,
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De BAV a 01.11.2009 às 21:37

História verdadeira do “afundamento” em exercício do porta-aviões “”Eisenhower” pelo “Barracuda”: http://barcoavista.blogspot.com/2009/10/submarinos-da-classe-albacora.html

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