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Há noventa anos. Há cem anos.

por Nuno Castelo-Branco, em 17.07.08

 

 

"Quando o monarca sucumbe, a realeza não morre sozinha, mas, como um abismo, arrasta consigo tudo o que a circunda; é como uma roda colossal, fixa no alto de uma montanha, a cujos enormes raios estão ligadas  dez mil peças mais pequenas, e que, ao desmoronar-se, leva consigo todos estes frágeis anexos que, tal um pobre séquito, a acompanham na sua impetuosa ruína. Nunca o rei suspirou a sós que não gemesse com ele a nação inteira".

Shakespeare, Hamlet (acto II, cena 3).

 

Assim aconteceu em Portugal, e neste centenário da república, o regicídio é parte integrante e essencial da imposição do novo regime.

 

Passam hoje noventa anos do assassinato colectivo da mais bela família do planeta Terra. Nicolau II, a czarina Alexandra de Hesse, as grã-duquesas Olga, Tatiana, Maria e Anastasia, o czarevich Alexis e todos os acompanhantes, foram liquidados a tiro de pistolas Nagan, por ordem directa de Lenine e de Trotski.

 

Dez anos antes, quando do regicídio de Lisboa que vitimaria o rei Carlos I e o príncipe Luís Filipe, o futuro dirigente comunista regozijava-se com esta obra dos republicanos, não imaginando que um dia ditaria a ordem de assassinato do seu soberano e de toda a sua família mais directa.  A liquidação dos Romanov, seria o marco essencial que caracterizaria a ferocidade do regime comunista durante as sete décadas que se lhe sucederam. Dezenas de milhões de inocentes acompanharam o trágico destino da família imperial, esquecidos em geladas valas comuns algures nos Urais ou na Sibéria, vitimados pela arrogãncia, prepotência, maldade e inépcia do regime mais sanguinário e vil de que há memória.

 

Como a História encerra ironias incontornáveis, Lenine é agora amaldiçoado como um dos maiores criminosos da raça humana. Hoje, na Russia, Nicolau II encontra-se bem posicionado para ser o escolhido do seu povo, que se prepara para o declarar o maior russo de todos os tempos. Vae victis, Lenine, vae victis!

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publicado às 23:52


1 comentário

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De tuga9890 a 20.07.2008 às 00:49

Foi por ordem directa do Lenine, mas o Trotsky só soube da execução dois dias depois de ela ter ocorrido como se confirma pelo seu diário:

“A minha outra visita a Moscovo decorreu depois da queda de Ekaterinburgo. Durante uma conversa com o Sverdlov, perguntei-lhe de passagem, “Ah sim, e onde está o czar?” “Está por todo o lado,” respondeu ele. “Ele foi morto.” “E onde está a família?” “A família morreu com ele.” “Todos eles?”, perguntei eu, pelos vistos um pouco surpreendido. “Eles todos”, replicou o Sverlov. “O que tem?” Ele estava à espera de ver a minha reacção. Eu não disse nada. “E quem tomou essa decisão?”, perguntei. “Decidimos aqui. O Ilyich (Lenine) achou que não os devíamos deixar vivos, especialmente com os Brancos tão perto, tendo em conta as circunstâncias.”

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