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Convidado do Estado Sentido - Frederico Pimentel

por Estado Sentido, em 03.12.13

Não apreciando o estilo e discordando, na esmagadora maioria dos casos, do conteúdo das intervenções de Daniel Oliveira, acredito que neste artigo ele tem, num ponto, razão.

 

Após os lamentáveis e relativamente infantis ataques que faz aos assessores de Pedro Passos Coelho, fruto, antes de mais, da sua natural intolerância relativamente a posições ideológicas divergentes daquela que defende (característica partilhada pela larga maioria das luminárias de esquerda), levanta uma questão de extraordinária pertinência.

 

É absurdo que o Governo Português ande a defender os interesses Alemães ao invés dos interesses Portugueses.

 

É inaceitável que um Secretário de Estado dos Assuntos Europeus venha, na Grécia, de todos os sítios, recusar "... a ideia de uma união de esforços a sul - nomeadamente entre os países intervencionados, mas contando também com a Itália ou a França.", dando sinais graves de "... falta de "solidariedade" com os países da União que defendem um caminho diferente do da Alemanha."

 

Já estava na altura de entendermos de uma vez por todas que na cena internacional não há, salvo raríssimas excepções, "amigos", e mesmo estes não sacrificam os seus interesses próprios pelos nossos.

 

A Alemanha está, como é normal e razoável a um Estado soberano, a zelar pelos seus próprios interesses, não pelos interesses de um projecto politico indefinido, de futuro incerto, que padece de inúmeros problemas para os quais ainda não se advinha solução satisfatória (apesar de já ter tido mais que tempo suficiente para perceber que os seus interesses próprios estão intimamente ligados com a sobrevivência do referido projecto), e muito menos pelos interesses de países terceiros.

 

Ora nós, se alguma coisa devíamos estar a promover activamente é uma alternativa à "Solução Germânica" para a crise do Euro.

 

Devíamos aliar-nos, não apenas aos países intervencionados de forma declarada (Grécia e Irlanda), aos países intervencionados de forma "discreta" (Espanha), e aqueles em sérios riscos de virem a ser intervencionados no relativamente curto prazo (Itália e França), mas também a outros que, não estando necessariamente com défices insustentáveis ou com as finanças públicas à beira da hecatombe, têm outros motivos para querer ver enfraquecida a posição Alemã e retirar-lhe das mãos as rédeas da condução europeia, processo que tem conduzido de forma calamitosa (Reino Unido, Polónia, República Checa e Luxemburgo, por motivos diferentes, vêm-me à mente).

 

Ao invés, alienamos aqueles que seriam os nossos naturais aliados nesta situação, que defendem interesses convergentes com os nossos, e vamos professando, de forma acéfala, abjecta, contrária aos nossos interesses e ao mais elementar bom senso, a nossa adesão à "Solução Germânica" para os problemas económicos, financeiros e políticos Europeus.

 

Qualquer dia o Parlamento Europeu muda-se para Berlim...

 

Frederico Pimentel

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publicado às 22:00


1 comentário

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De Nuno Castelo-Branco a 03.12.2013 às 23:13

Frederico, isto não é novidade alguma: Portugal, ou melhor, o regime anda a fazer isto há mais de trinta anos. Assim que enfiou a cabeça na sacola de tostões europeia, ficámos com o destino traçado.  Se a Alemanha andou a desembolsar os "biliões2 que se sabe, agora acha-se no direito de impor condições. Ora lembrem-se daquilo que M. Thatcher dizia no início da década de oitenta.

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