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A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa

por Nuno Castelo-Branco, em 25.07.08

 

Creio ser já uma trivialidade o recurso ao repensar daquilo que deverá ser no futuro a CPLP. Esta entidade já existe há muitos anos e a sua finalidade parece ser clara e simples de entender para qualquer curioso. Dada a dispersão intercontinental ditada por uma história comum e susceptível de ser reivindicada por todos, a CPLP deve ser um polo de colaboração nos mais diversos aspectos da vida dos Estados, desde a defesa e promoção do património linguístico - a isso não se podendo resumir sob pena de se transformar numa mera Academia inter-estatal -, à colaboração no campo da intervenção social, cooperação militar, etc. Parece simples? Não é, pois sendo a pátria mãe um país de escassos recursos materiais e demográficos, competiria ao Brasil a direcção de facto da Comunidade. Ora, o Brasil não parece muito interessado neste investimento, pois a evolução tendente e natural da sua afirmação como grande potencial regional com voz sonante no mundo, impele-o para o estreitamento de relações com o seu eterno rival do norte, os EUA. Contudo, o interesse que o português tem despertado em algumas zonas económicas emergentes, como a China, poderá levar Brasília a repensar nas vantagens decorrentes da existência de uma instituição que integra um membro da UE, uma potência regional de uma certa dimensão - Angola - e outros Estados onde as matérias primas parecem abundar e servir de móbil para investimentos europeus, americanos e asiáticos.

 

A CPLP é útil e uma oportunidade única. O governo bem anda ao tentar - já atrasado, é verdade - diversificar a economia, retrocedendo na péssima aposta total na Europa, ou pior ainda, em Espanha. Aquilo que os herdeiros de 1910 tanto criticaram à Monarchia - a submissão económica ao Reino Unido -, faz este regime de uma forma absolutamente inepta, inconsciente e lesiva dos interesses da manutenção da independência nacional. Bem faz Sócrates em visitar Chávez, Lula ou os semi-ditadores do leste europeu. A realpolitik impõe-se, porque tal como a diplomacia, a economia é a prossecução da guerra por outras formas. O velho projecto de D. Carlos I e de João Franco, tendente à colocação de Portugal à disposição do Brasil como entreposto das suas mercadorias na Europa, deverá ser novamente estudado, porque nós também somos, cada vez mais, Brasil. A crescente presença de brasileiros no nosso território, é a prova disso mesmo e contrariamente a muitas outras comunidades, pretendem criar raízes e reivindicar também, a sua pertença a uma lusitanidade que jamais renegaram. 

 

Fala-se na extensão da CPLP, à Guiné-Equatorial, ao antigo Estado da Índia, à Galiza e à Ucrânia. Que sejam bem-vindos, não estamos em tempos propícios à mesquinhez ou falta de visão. 

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publicado às 13:21







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