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Ao cuidado do Pedro

por Samuel de Paiva Pires, em 31.07.08

Pedro, Pedro, ora vamos lá a isto então, depois de finalmente te teres revelado e confirmado as minhas expectativas com o comentário que fiz.

 

Para começar, não sei onde foste buscar essa do "nível", mas de certeza que não estamos no mesmo. É que eu fui bem educado e a minha mãezinha habituou-me a gostar de chá, o que parece não ter acontecido contigo (o seres bem educado, não a minha mãezinha habituar-te a  gostar de chá pois se fosses filho da minha mãezinha levavas 2 tabefes nas fuças para aprenderes a deixares-te de merdas e a comportares-te como um menino bonito - e ai sim já estaríamos ao mesmo "nível" viu?), o que demonstraste mais uma vez, desta feita para com o Carlos Miguel Fernandes, sem contar com os vários comentários que foste fazendo ao longo dos últimos meses a determinados posts meus, na senda das já lendárias tiradas à Fontela na blogosfera (por exemplo aqui ou ali), de onde destaco ainda a tua entrada logo a matar na primeira vez que interagiste com a minha pessoa, já a demonstrar o teu tão elevado carácter.

 

Continuando, gosto imenso do teu elogio irónico - "colega com um trato tão distinto e delicado" - logo seguido da tua própria vitimização que só peca por falta de originalidade em termos discursivos. Se necessitares de um ombro amigo entretanto não hesites em avisar-me se amuares "num canto escuro sozinho". Realmente quando usamos as mesmas técnicas dos outros, o chamado feitiço virar-se contra o feiticeiro, é chato não é? Não eras tu que ainda há tempos me dizias que gostavas de combater o fogo com fogo? 

 

Subindo agora um bocadinho o "nível", vou apenas evidenciar como certa esquerda alegadamente idealista, defensora dos frascos e comprimidos ou fracos e oprimidos ou lá o que é, que prima pela visão de que todos os outros são os "maus" e só eles é que sabem como as coisas devem ser feitas, sendo que uma das suas habituais crenças é na igualdade e na luta contra o elitismo, não se imiscui de se achar na superioridade moral de corrigir os outros de quem discorda, e isto apenas com palavras tuas: "Apesar de não ser um especialista na maioria dos temas que abordo não estou na estaca 0 e não tenho razão para me colocar ao nível da completa ignorância ao deixar passar erros (mal intencionados ou honestos) grosseiros."

 

Pedro já te ocorreu por acaso que as outras pessoas poderão só assim porventura não partilhar das tuas interpretações das coisas, da História, da Filosofia e da Teoria Política ou seja lá o que for?

 

Para alguém que se afirma tão liberal e que acusa todos os proclamados liberais da blogosfera de nem sequer saberem o que é o liberalismo não te fazia mal leres um dos pais desse, John Locke e as suas Cartas Sobre a Tolerância. Não se trata de relativismo moral, trata-se de saber aceitar as opiniões dos outros, algo por que sempre me pautei, ao contrário da tua pessoa que parte sem qualquer pejo para ataques pessoais na sua forma mais reles. Mas já agora, eu sou adepto do relativismo, e daí? Por ser de direita não posso ser relativista? Fico esclarecido com tal padronização e tabelização de características que tanta gente tende a fazer. Lá está, afinal sempre tenho razão quando há tempos dizia o que o Professor Jaime Nogueira Pinto estatui quanto à técnica da amálgama da esquerda: Hitler = Nazismo = Fascismo = Ditadura = Direita = Salazar = Thatcher = Cavaco = Barroso = Portas etc.

 

É por isso que eu gosto de ser monárquico, de direita, liberal, conservador, salazarista, democrata, defensor da moral e dos bons costumes e simultaneamente relativista. Ficaste confuso? Secalhar sou só eu que sou politicamente esquizófrenico. Para a esquerda é tudo muito mais fácil e simplista não é?

 

Quanto ao levar as coisas demasiado a sério, Pedro, isto é a blogosfera, ninguém aqui está interessado em descobrir  "a verdade" a ler blogs. Se tal vai contra aquilo que achas que deveria ser a blogosfera lamento por ti, mas gostaria apenas de dizer-te que não ando aqui só a matar o tempo com lugares comuns como parece que é a tua opinião sobre a minha pessoa, simplesmente encaro os blogs como algo que deve ser interessante mas descontraído e com alguma piada à mistura. Relativamente a levar realmente a sério o meu trabalho no campo político, deixo isso para as diversas associações em que estou envolvido e para a universidade, já me basta dar uma média de 15 a 20 páginas A4 para cada professor ler em cada frequência/exame meu sem contar com trabalhos. Mas gosto que tu te coloques num patamar mais elevado e que te sacrifiques por todos aqueles que não levam as coisas tão a sério visto que"há sempre um preço a pagar pela preguiça de pensar e de agir e para alguns é mais alto que para outros."

 

Ainda sobre a tua resposta, uma nota sobre esta maravilhosa frase: "dá um pouco mais de trabalho escrever coisas que as pessoas não querem ler porque vai contra as suas crenças mais profundas". Diz o roto ao nu porque não te vestes tu?

 

Pedro um dia talvez te apercebas que a forma é muitas vezes mais importante do que a substância e talvez então aprendas a polir a tua forma para que dêem importância à tua substância.

 

Já agora, como decerto compreenderás, tendo em conta que ataques pessoais, tal como te disse da primeira vez que interagimos, não fazem parte da minha forma de ser e estar na vida, e tendo em consideração que ainda sou o fundador do blog, arrogo-me naturalmente o direito de te "convidar a sair", como perceberás se olhares para a coluna da direita. Os teus amigos franceses é que percebem desse tipo de convites, davam até bastante uso a um instrumento engraçadíssimo durante a revolução:

 

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publicado às 00:47


1 comentário

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De Pedro Fontela a 31.07.2008 às 08:49

Se não tens estofo podias ter dito antes :) quanto ao resto... eu não me convidei para este espaço, convidaram-me. Aparentemente queriam alguém mais amestrado. Boa sorte com essa busca.

Até nunca,
Pedro

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