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Calamidades orientais

por Nuno Castelo-Branco, em 06.08.08

 Há zonas neste nosso pequeno e conturbado mundo que parecem ter sido escolhidas pelo ente supremo e criador, para sofrer as suas penas de forma maximizada. Se na Índia explode uma frigideira de chamuças, os telejornais podem bem contar com o anúncio do falecimento de 200 ou 300 convivas da tasca onde se deu o incidente. No Bangla-Desh, qualquer esgoto entupido provoca a inundação dos campos de arroz do país, obrigando à rápida intervenção de ONG's e dos competentes serviços do eng. Guterres. Na China, local em cujas costas se desvanecem os furacões do Pacífico, o ruir de uma barraca nos subúrbios de Tsing-tao, é motivo suficiente para a contabilização de centos de vítimas, pois albergava trabalhadores a 18 horas desta ou daquela fábrica de produtos de subcontratação ocidental. 

 

Ontem um pequeno atentado em Sinkiang vitimou dezasseis policiais chineses. De uma vez. A desproporção numérica das vítimas e do em si exíguo e quase insignificante atentado, leva-nos a concluir que maus tempos se avizinham para lá dos Himalaias

 

Com fronteiras muito extensas e permeáveis, a China encontra-se vulnerável a todo o tipo de ataques terroristas. Para os radicais islamitas, também sofre do pecado supremo de conter dentro das suas fronteiras, populações que praticam o credo de Mafoma e isso legitima o país como um apetecível alvo para atentados de toda a ordem. 

 

Será talvez o momento exacto para os chineses repensarem o seu posicionamento relativo a certo tipo de regimes que reconhecidamente têm no terrorismo, o seu mais precioso artigo de exportação: o Irão, a Síria e outros Estados párias da comunidade internacional, têm contado com o claro beneplácito de Pequim para o exercício de actividades desestabilizadoras no planeta. Não nos podemos igualmente esquecer, que durante décadas a China armou poderosamente muitos "movimentos de libertação" um pouco por toda a África, o que conduziu à instauração dos bem conhecidos e infamantes regimes dos quais Mugabe é hoje um evidente reflexo.

 

São estes, os produtos de violência que os amigos da China espalham indiscriminadamente. Enquanto isso, os governantes de Pequim pretendem um ocidente mais aberto à sua prodigiosa produção de bens de consumo, estimulando indefinidamente o seu crescimento e poder. Os europeus e americanos talvez possam ter agora, argumentos para outro tipo de diálogo com estes novos parceiros do capitalismo global: "compramos, produzes e vendes, mas não apoias bandidos".

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publicado às 12:13


2 comentários

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De carlosbarbosaoli a 06.08.2008 às 22:42

Tenho a impressão que os JO de Pequim vão ficar marcados na História como uma página negra do Olimpismo. Oxalá me engane...
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De Nuno Castelo-Branco a 07.08.2008 às 03:19

Também me parece, mas espero que não se repita Munique 72

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