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Ilusões pequinesas

por Nuno Castelo-Branco, em 07.08.08

 

 

"A China nunca levou a guerra fora das suas fronteiras, com excepção das lutas fronteiriças que manteve nos anos 60 e 70 com a Índia, a URSS e o Vietname, nas quais foi, objectivamente, um aliado do Ocidente." (Miguel Castelo-Branco, in Combustões)

 

"China was a superpower during its dynasty periods, and will become a superpower again this 21st century economicaly and military. China is a sleeping superpower

China is the greatest country ever. Oldest civilization in the world. We gave you paper, gunpowder, clothing etc!

USA is in a ton of debt = buying technology and stealing scientists from other nations.

God made mankind but everything else is made in China!"


"Chinese, The Most Envied Race Civilization.

Huge land, a pure race, culturaly, great economy, great technology, strong military and nukes, most thoughtful leaders, independent political system, physically superior (olympics).

The huge land and pure race combination is enough, mutts (americans), and losers from failed races/civilizations (small countries) envy the pure and mighty Chinese race."

 

Estes são apenas dois testemunhos chineses daquilo com que diariamente deparamos nos canais da internet. Surgem como uma viagem no tempo, reproduzindo fielmente o discurso inculcado pelo militarismo expansionista japonês dos anos vinte e trinta do século XX. O recalcamento de séculos traduz-se agora, em delírios de grandeza e pureza "rácica" que os ocidentais aprenderam - à sua própria custa - a rever nas circunvoluções dos seus cérebros.

 

A China possui há meio século, uma das mais formidáveis máquinas de propaganda da História e ao contrário das aparências, desde 1949 conseguiu a pouco invejável proeza de se malquistar com todos os seus vizinhos, do norte, sul, este e oeste. Sentimentos profundamente enraizados na noite do seu passado milenar, explodem-nos nos ecrãs dos computadores, numa jactância que confirma plenamente a suspeita que a generalidade dos não-chineses desde há muito cultiva relativamente ao recém-despertado velho dragão oriental. O vetusto mito leninista do cerco pelos inimigos, a constante demanda de obscuras intenções no outro, a mania da perseguição, plasmam-se torrencialmente em desígnios revanchistas, levando-nos secretamente ao desejo do surgimento de meia dúzia de Jesse Owens que  esfriem certos ânimos inflamados. É a natureza humana e nisto, somos todos mesquinhos.

 

A guerra da Coreia, a decisiva intervenção no Vietname nos anos 60, a subversão na Malásia, Indonésia, SingapuraCamboja, Laos e Tailândia; o ataque à Índia (1961) e ao Vietname comunista (finais da década de setenta, onde aliás sofreu uma clamorosa derrota militar); a constante e enervante provocação ao Japão; a ameaça às Filipinas em disputa pelas Spratley; o comportamento desdenhoso que teleguiado de Pequim, impele os chineses residentes no sudeste asiático a adoptar atitudes pouco consentâneas com a sua condição de cidadãos-convidados (na Tailândia é visível e os siameses disso se ressentem abertamente); a clara intervenção em África nos anos 60-70 (que o exército português bem conheceu); a subversão recentemente consagrada em vitória total no antigo reino do Nepal; o apoio a todos os regimes agressivamente anti-ocidentais, desde o Irão à Síria, Birmânia, Coreia do Norte, Zimbabué ou Venezuela

 

Há precisamente setenta anos, a Europa e os Estados Unidos capitularam em Munique e pretenderam ignorar o tipo de discurso exclusivista do regime vigente no Reich, que já se exprimia sem qualquer pudor - coincidentemente com o que hoje escutamos -na celebração das Olimpíadas de Berlim

 

Na maior parte das vezes, estou de acordo com aquilo que o meu irmão Miguel pensa, diz e escreve. O "caso chinês" é então atípico, mas confesso, não me deixa absolutamente tranquilo e desta forma, parece-me prudente manter uma certa vigilância. Não tenho confiança, talvez seja ignorante e superficial, mas já convivi e vivi perto deles. Não tenhamos ilusões. Existe um outro tipo de imperialismo do qual ouviremos falar nas próximas décadas. Será talvez diferente daqueles que conhecemos, mas decerto não menos agressivo. Os "chineses da rua" consideram-nos exactamente como seres inferiores. Carne para canhão. A liquidar.


 

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publicado às 14:22


3 comentários

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De Humberto Nuno de Oliveira a 08.08.2008 às 12:19

Tens tu toda a razão, Nuno.
Um abraço
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De Anónimo a 08.08.2008 às 19:35

Absolutamente de acordo. Os chineses consideram-se o centro do mundo ('Império do Meio') com todas as auto-ilusões que isso acarreta.

Não esquecer a invasão do Tibete (1950) que não foi propriamente para beber chá e comer bolinhos da sorte.
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De Miguel Castelo-Branco a 09.08.2008 às 03:13

!!!!

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