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Geórgia (6) - Vladimir Putin

por Samuel de Paiva Pires, em 15.08.08

 

 

Excelente artigo este que o Henrique Raposo referencia, de onde destaco:

 

Nearly all of the rhetoric used by Moscow to justify its actions in the war with Georgia is derived from Western historical thinking and practice -- only put "through the looking-glass," to borrow a phrase from Lewis Carroll. An EU official stationed in Tbilisi throughout the conflict observed at one point that Putin appeared to be creating a "parallel universe, a mockery of the West" when he spoke of the Russian mission to end the "genocide" in South Ossetia and administer international justice on the "perpetrators" in Tbilisi.

But Putin appears to have a more serious objective than simply mocking the West. Not for the first time, he has usurped the pantheon of Western values and infused it with a very different theology. What emerges is a mirror image of the West, containing the same historical narrative with its high and low points, but strangely distorted for most Western eyes.

 

Quer queiramos ou não, gostemos ou não, Vladimir Putin é provavelmente um dos líderes mais inteligentes da actualidade, uma reminiscência da centelha que iluminou os espíritos dos grandes estadistas do passado, ou pelo menos do século XX. Conseguiu confundir todo o Ocidente utilizando a própria retórica ocidental demonstrando ainda que a Rússia está bem e recomenda-se, a fazer lembrar os grandes cenários de equilíbrios geopolíticos montados e percepcionados de parte a parte durante a Guerra Fria.

 

E ao que parece já ninguém no Ocidente está preparado para este jogo, convencidos da inevitabilidade da expansão das democracias liberais e habituados à legitimidade moral proveniente desse conceito que se reflecte nas premissas do que norte-americanos e europeus desejam. Habituámo-nos a tratar da cooperação para o desenvolvimento, da integração, do comércio internacional, tomamos a paz como garantia universal e quase sem nos apercebermos parece que nos esquecemos dos ensinamentos quanto ao estudo de conflitos, percepções e acções estratégicas. Putin não esqueceu e como diria Salazar, sabe muito bem o que quer e para onde vai, bem ao contrário do muito pouco erudito e mal aconselhado cowboy texano que tem vindo a desgovernar os Estados Unidos e o mundo, até porque:

 

For Putin has succeeded in dividing the Western world more deeply than ever before. He has managed to sideline all international organizations, beginning with the UN Security Council, where the United States has any meaningful say. The United States, as Georgia's main backer, is not impartial enough to have any part in resolving the crisis, the Russian argument runs. And that argument has been bought hook, line, and sinker by the European Union, which now revels in its role as the sole mediator.

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publicado às 16:13


4 comentários

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De Nuno Castelo-Branco a 15.08.2008 às 17:19

Claro, Samuel, Putin limitou-se a seguir a norma ditada pela conveniência do ocidente e agora, "estamos" sem argumentos. O que ressalta mais à vista é a nítida intromissão dos "nossos" naquela região, com o único fim de controlar os recursos energéticos. Talvez fosse melhor reconhecer os direitos históricos - afinal existem - da Rússia e cooperar com eles. Até porque a China não parece pretender desligar-se de toda aquela escória coreana, iraniana, etc. Os inimigos dos nossos inimigos, nossos amigos são.
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De Samuel de Paiva Pires a 15.08.2008 às 17:38

Completamente de acordo Nuno, ainda há tempos numa conversa com o meu avô falávamos sobre a eventual necessidade de uma maior cooperação entre União Europeia e Rússia. Temos é que ter líderes à altura, realistas e pragmáticos e sem macaquinhos no sótão, isto é, sem os habituais preconceitos morais a que o Ocidente se tem habituado (democracia, desenvolvimento, direitos humanos, ingerência humanitária etc etc). Até porque me parece que os princípios hobbesianos e maquiavélicos ainda explicam mais da realidade internacional que realmente conta (a mais anárquica que societal e eminentemente conflitual como decorre da escola realista da Teoria das Relações Internacionais), do que um alegado ideal kantiano.

Pelo menos por ora parece-me que não há líderes à altura da tarefa no Ocidente, estamos entregues a burocratas e tecnocratas muito pouco iluminados. Já não há Roosevelts, Churchills, Kennedys, Kissingers, Thatchers, etc etc...
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De Nuno Castelo-Branco a 16.08.2008 às 16:55

Claro e em matéria de amigos, o que dizer da parceria Roosevelt-Estaline?
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De Samuel de Paiva Pires a 18.08.2008 às 02:24

Pois, se Roosevelt adivinhasse o que por aí vinha...

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