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Um dos mais relevantes capítulos do pacto celebrado por Ribbentrop e Molotov, respeitava à cooperação económica entre o Reich e a União Soviética. Negociou-se durante todo o outono de 1939, concluindo-se as reuniões com a assinatura de um acordo no qual  Molotov, o responsável dos assuntos estrangeiros da URSS, e o titã da economia comunista, Mikoyan, tiveram a pesada responsabilidade de esgrimir argumentos com os seus homólogos de Berlim. Para além da transferência para a indústria  alemã dos bens previstos nos acordos de 23 de Agosto de 1939, os soviéticos concordaram em entregar ao Reich até ao verão de 1941, uma imensa quantidade de produtos alimentares e de matérias primas que atingiu o naquela época astronómico valor de 660 milhões de marcos. Assim, o esforço de guerra alemão foi abastecido com:

 

80 milhões de metros cúbicos de madeira

1 milhão de toneladas de cereais

900.000 toneladas de produtos petrolíferos

800.000 toneladas de ferro, gusa e sucata

500.000 toneladas de fosfatos

100.000 toneladas de algodão

100.000 toneladas de manganês

100.000 toneladas de crómio

100.000 toneladas molibdénio

100.000 toneladas de tungsténio

100.000 toneladas de níquel

100.000 toneladas de estanho

100.000 toneladas de cobre

100.000 toneladas de cobalto

2.400 quilos de platina

e,

o trânsito através da Sibéria, de 1 milhão de toneladas  de soja adquirida ao Império do Manchukuo (1)

 

Estas cifras permitiram a segurança relativa da economia alemã durante os primeiros anos de guerra e inclusivamente, a preparação do ataque à URSS em 1941.  Enfim,  pequenos detalhes  do materialismo dialéctico e das contradições entre classes.

 

(1) Pretender acusar o Portugal dos anos da II Guerra Mundial de estreita colaboração com Hitler, não deixa de ser hilariante, pois se compararmos a transferência de produtos entre o Reich e o nosso país, as somas correspondentes foram irrisórias. O maior colaborador económico da Alemanha, foi de longe, a União Soviética.

 

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publicado às 19:25


3 comentários

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De João Quaresma a 25.08.2008 às 19:12

No final dos anos 30, a Alemanha era o maior parceiro comercial da URSS. O segundo eram os EUA, que venderam grandes quantidades de maquinaria industrial, pagas sobretudo em trigo. Escusado será dizer que para pagar nessa moeda, as quantidades só poderiam ser gigantescas. Para as obter, colheitas inteiras foram confiscadas na Ucrânica provocando as grandes fomes de 1938-39, na qual morreram entre 10 a 13 milhões de pessoas. Stalin, diria a propósito o famoso: «Uma morte é uma tragédia. Um milhão de mortos é uma estatística».

Uma das razões da tensão actual entre a Rússia e a Ucrânia, é que o governo ucraniano tem estado a assinalar oficialmente os 70 anos das grandes fomes, para fúria dos russos.
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De Nuno Castelo-Branco a 26.08.2008 às 01:42

E existe ainda outro problema, João. A colonização intensiva em todo o império vermelho, desde os países bálticos (onde os alemães que aí viviam há 700 anos foram escorraçados e substituídos por russos), à Ucrânia, Moldávia, Cáucaso e Ásia Central. Fizeram aquilo que Portugal fez no Brasil... há 400-300 anos. Claro, têm a desculpa do Internacionalismo! Grande coisa, como é que não nos lembrámos dessa para esgrimir na ONU nos anos 60? :)
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De Maria João Carvalho a 01.09.2009 às 16:15

bem, estava a fazer a análise sobre o tema para a euronews (mas só a parte da Polónia - Katyn) e dei com este óptimo blog e o post de 23 de Agosto com os dois pertinentes comentários. Aprendi convosco...'brigada!

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