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As eleições americanas: o orfanato da esquerda caviar

por Nuno Castelo-Branco, em 06.09.08

 

Nos modestos e populares restaurantes da zona à beira Tejo, sejam eles o Bica do Sapato ou o Alcântara-Mar, a nossa autodenominada esquerda doméstica lá se vai entretendo com as costumeiras perorações acerca da transcendência dos discursos de Obama esse novel génio redentor de uma humanidade desesperada em embarcar na carruagem de apoiantes de um sucedâneo de Grande Lider. Mascando um steak au poivre e bebericando um Vilarinho, esta esquerda D&G, exalta as virtudes do multiculturalismo "evidentíssimo" na simples candidatura café-com-leite, ao contrário daquilo que até hoje o planeta tem sofrido, pois o actual governo Bush é a evidência do racismo KKK. Condoleezza Rice é negra e Bush é um WASP, claro sintoma de apartheid e até se poderá alegar que o general Powell terá sido substituído, pois a sua tez acusava miscigenização. 

 

Deglutido o frugal repasto de 75€ por cabeça e a debitar nas despesas de representação da empresa, os revolucionários continuarão a ruminar as suas paixões pela esquerda norte-americana, que como se sabe, deixou cair a senhora Clinton por esta se aproximar em demasia daquilo a que na Europa se chama social-democracia e pior que tudo, por ser amiga dos judeus e de Israel. Há coisas que não mudam nem se perdoam e a genial política que o "paizinho dos povos" tinha para com a raça dos cosmopolitas, ainda pesa e muito.

 

O senhor Barack de fatinho de bom corte, razoavelmente mulatinho e de sorriso à Harry Belafonte, faz sonhar as spinsters do nosso burgo. É um misto de Hollywood e de Universidade privada, com a clara vantagem de saber pronunciar umas frases que remetem para outra luminária do imaginário situacionista, o sr. JFK. Extasiam-se com a profunda imbecilidade das convenções partidárias americanas, onde o nada absoluto dos discursos continua a ser saudado com gritos, assobios, marchinhas mescladas com rap, entradas triunfais, balões e o kitsch que se conhece. O delírio vai alastrando e por cá até já se escreveram ditirambos dedicados "ao futuro Obama português que hoje ainda é uma criança". Esquecidas as hagiografias das famílias Ceausescu e  Kim il-Sung, não tardaremos muito em ler um destes dias, uma pagela dedicada ao miraculoso nascimento de Obama, o tal candidato que em Portugal não destoaria muito no CDS*.

 

O tempo está mauzito para a praia e assim, recomendo-vos uma incursão nos blogs da esquerda chique. Comecem pelo 5 Dias e sigam os links, porque se torna hilariante: Obama, Avante, velhas relíquias baladeiras, argumentos esfarrapados desculpabilizando os crimes de Estaline e do comunismo, enfim, o costume. Este sopeirismo avermelhado e bem alimentado por décadas de repasto saído dos tachos organizados pela cozinha de serviço aos comensais do sistema, continua com as mesmas manias herdadas dos antigos métodos prosseguidos pelos heróicos predecessores: lavagem ao cérebro,  diabolização do outro, branqueamento da figura deste ou daquele escroque, obsessivo reescrever da história, omnipresente moral - já reparam que muitos tiveram uma pesada educação religiosa? -  e a frenética actividade tendente a consolidar o círculo de influências. Fazem-me sempre lembrar aqueles competentes generais que organizavam a sua frente em profundidade: primeiro, os campos de minas, seguindo-se a infantaria entrincheirada, os canhões anti-tanque e na derradeira posição, as unidades móveis para a contra-ofensiva. É claro que não convém esquecer a artilharia pesada, bem situada muito por detrás do dispositivo, pois esta é vital para o constante martelar do incauto adversário. É esta artilharia pesada que está todos os dias na televisão e jornais, bem industriada pelos serviços de informação cativa dos amigos alapardados nas empresas públicas, fundações, ministérios, museus e porque não (?), em rendosos lugares do sector da economia e finança. É esta a esquerda que temos. Despótica, arrogante, monopolista, egoísta, falcatrueira e materialista no pior sentido que a palavra  consumismo encerra. Com esquerda assim, nem vale a pena existir direita, pois trata-se de uma férrea oligarquia, onde a nulidade é amplamente colmatada pela comunhão de interesses, cumplicidade e profundo desprezo pelo outro. Que coisa!

 

*Quando Obama começar a "Clintonar", ou seja, a despejar bombas em cima de tudo e de todos, sempre quero ver quais serão as desculpas encontradas. Até o governo de Guterres bombardeou os sérvios com granadas de urânio empobrecido, quanto mais...

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publicado às 13:07


4 comentários

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De António de Almeida a 06.09.2008 às 14:55

-Gostaria de perceber o que diriam muitos dos apoiantes nacionais de Obama, se algum partido apresentasse o seu programa em Portugal. Penso que irão ficar desiludidos, porque Obama não mudará as linhas mestras da América.
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De LUIS BARATA a 08.09.2008 às 11:08

concordo com a sublime descrição dos nossos esquerdistas, até por causa de alguns exemplares que conheço da chamada esquerda-caviar, mas dou comigo a pensar: E o Senador McCain augura algo de novo ou diferente para a política americana e, quer queiramos quer não, para a política mundial ?
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De Miguel a 07.11.2012 às 20:21

Antes um Obama que um Bush ou Reagan ou MCCain ou Romney
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De Miguel a 07.11.2012 às 20:24

Muita "diabolização do outro" vê-se por estas zonas

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