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A loucura parece prevalecer: a Geórgia na NATO?

por Nuno Castelo-Branco, em 17.09.08

 

As declarações do secretário-geral da Aliança Atlântica em Tblissi, parecem a reafirmar a intenção norte-americana do alargamento a algumas antigas repúblicas componentes da URSS. Num post de há algumas semanas, dizia que apenas o desconhecimento da História pode conduzir a atitudes pouco consentâneas com a realidade dos interesses em disputa. A posição de países como a Geórgia e a Arménia - decerto um dos próximos a receber o indesejável convite de ingresso -, poderá ter como justificação a proximidade de regiões que ameaçam a segurança do Ocidente, servindo o Irão, o Iraque e o Afeganistão os exemplos mais perceptíveis. A NATO ficaria assim numa excelente posição estratégica, pois além de obter bases muito próximas dos locais de conflito latente, vedaria qualquer intenção russa de intervenção. No entanto, o que parece tornar-se embaraçosamente nítida, é a política de proximidade do controle das regiões produtoras de petróleo e gás natural que são seguramente, o móbil primordial dos ímpetos expansionistas.

 

A Europa conhece bem os interesses russos na zona que se manifestam desde os tempos de Catarina II a Grande e que no século XIX, se plasmaram numa efectiva política de anexações. Hoje reduzida a um território mais exíguo que aquele que lhe foi concedido pelos Impérios Centrais em Brest-Litovsk (1918), a Rússia terá forçosamente de atender à constante pressão de uma opinião pública interna, muito vexada pelo inédito recuar de fronteiras e influência. Brest-Litovsk contou com o generalizado repúdio por parte das potências da Entente que se recusaram a aceitar o facto consumado ditado pelo Kaiser e por Lenine. Parece assim estranho que o Ocidente deseje hoje a inimizade permanente do colosso do Leste, pilar essencial da segurança colectiva do nosso mundo. A Rússia é parte do Ocidente.

 

Portugal é um firme aliado dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha e isto nunca foi, não é, nem será jamais posto em causa. Mas a lealdade à Aliança pode ter como precioso contributo, o conselho de quem pouco pode mas muito sabe. Nesta situação, o melhor serviço a prestar à propria coesão da NATO, é o voto contra a adesão de Estados que a médio prazo a fragilizarão. E isto, porque um eventual conflito de fronteiras entre russos e ucranianos ou georgianos, implica duas opções inaceitáveis. A primeira, é o imediato auxílio ao "agredido", desencadeando um conflito de dimensões apocalípticas. O segundo, será a passividade ditada pela prudência, transmitindo ao resto do planeta, o escasso valor do papel em que foram apostas as assinaturas dos representes das nações aliadas no acto de adesão à Aliança.

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publicado às 15:03


7 comentários

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De Pedro Oliveira a 17.09.2008 às 16:31

Pois meu caro,
A NATO, está a querer "comprar" conflito com a Rússia e depois não nos queixemos.

p.s: como recente visitante deste espaço,gostaría de vos dar os parabéns pela qualidade do mesmo.
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De João Quaresma a 17.09.2008 às 18:26

Se não tivesse havido invasão russa, ainda se iria a tempo de recuar na decisão da Cimeira de Bucareste. Infelizmente, perante a atitude bruta da Rússia, não resta outra alternativa, caso contrário seria premiar a agressividade de Moscovo e perder a face. Agora tem de se aceitar a Geórgia, Ucrânia e quejandos. Qualquer dia até a Mongólia quer aderir à Nato e à UE.
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De Paulo Soska Oliveira a 18.09.2008 às 14:03

A Rússia não invadiu coisissima nenhuma....
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De João Quaresma a 18.09.2008 às 18:00

Caro Paulo,

As tropas russas entraram em território georgiano, como retaliação pela invasão da Ossétia pelos georgianos, na sequência de ataques de provocação, contra tropas georgianas, pelas milícias ossetas. O resultado prático final foi uma invasão russa. Invasão para a qual a Esquadra do Mar Negro estava pronta, e ao largo da Geórgia, com tropas prontas a desembarcar. O assunto já foi suficientemente analisado internacionalmente. Teria sido tecnicamente impossível os navios russos estarem ao largo da Georgia em 9 de Agosto se tivessem saído de Sevastopol. Pura e simplesmente não tinham velocidade para isso, no mais optimista dos cenários. Além disso, a invasão foi precedida do abate de aviões não-tripulados georgianos pela Força Aérea Russa e por mísseis anti-aéreos ossetas, e por ataques informáticos russos que duravam desde meados de Julho, destinados a lançar o caos nas redes informáticas georgianas. Os ataques foram em tudo semelhantes à guerra cibernética que a Rússia fez à Estónia no ano passado.

E a Rússia só não invadiu Tbilissi porque na Geórgia estão tropas americanas e israelitas para darem formação militar, e a Rússia não quis escalar a situação para um nível em que se dessem combates directos entre tropas russas e americanas/israelitas.

Sakashvili pode não ser um santo, que não é, mas isto tratou-se de uma agressão russa à Georgia.
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De Nuno Castelo-Branco a 18.09.2008 às 16:45

O João Quaresma sabe muito bem como funcionam as grandes potências. O facto de sermos aliados da América, não quer dizer que tenhamos de concordar com tudo o que o amigo - mesmo que seja da onça - faz. É que a Rússia fica mesmo ao nosso lado e repare: imagine o que sucederá se Putin decidir fechar a torneira do gás à Europa central? Parece-lhe que os alemães se sujeitarão facilmente a passar frio? A propósito disso, não me admirarei absolutamente nada se os russos decidirem fazer uma sua West-Politik com a Alemanha, em troca "daquilo que se sabe", como facilidades na Prússia Oriental, etc. A história é bem conhecida e já há uns anos que se fala nisso de forma mais ou menos velada.
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De Anónimo a 18.09.2008 às 18:03

O meu prognóstico é que a Rússia vai fechar o gás à Ucrânia este Inverno, mas não à Alemanha. E seguramente que não à Itália que lhes está do lado deles (politicamente). Se a Rússia subisse a parada e cortasse o gás à Europa Ocidental, teria a frota da NATO a bloquear-lhe todos os portos. Creio que não chegaremos a esse ponto.
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De João Quaresma a 18.09.2008 às 18:04

Por lapso, não assinei o comentário anterior. As minhas excuses.

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