Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Liberalismo e liberdade

por Samuel de Paiva Pires, em 12.10.08

 

 

Numa altura em que se assiste a um recuperar de forças e instrumentos por parte dos governos em detrimento do sector privado e se se vier a ter como provado o que tenho escrito sobre o reajustamento de todo o sistema internacional como reflexo desta crise, parece-me que a legitimidade moral das chamadas democracias liberais deixará de ser tão genericamente aceite e reflectida no sistema internacional, visto que China e Rússia passarão a desempenhar um papel cada vez mais activo, e sem esquecer os diversos emergentes que, podendo ser democracias eleitorais, dificilmente se poderão considerar como consolidadas democracias liberais.

 

Além do mais, mesmo nas chamadas democracias liberais, a tendência será para restringir liberdades, pois tendo mais instrumentos ao seu dispôr os Estados não hesitarão em utilizá-los. É elementar que quanto mais poder se tem mais se é tentado a utilizá-lo, numa analogia às palavras de Lord Acton de que o "poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente." 

 

A combinação destas duas percepções, obviamente pessoais e não necessariamente correctas, causa-me a ligeira sensação de que daqui a uns tempos a sempre eterna discussão sobre o liberalismo vai voltar a centrar-se muito mais no campo das liberdades políticas e individuais do que no campo da economia. Devo dizer que sendo daqueles que acredita na acepção grega clássica do primado da política sobre as demais áreas ou saberes da governação, tal até não me parece mal de todo, pelo menos para mim é intelectualmente mais estimulante.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 02:21


7 comentários

Imagem de perfil

De António de Almeida a 12.10.2008 às 14:24

-A liberdade económica anda sempe a par da liberdade política e individual. Mas que os próximos tempos serão de discussão, não dúvido.
Imagem de perfil

De Samuel de Paiva Pires a 12.10.2008 às 23:13

Sem dúvida António, ou não tivesse o próprio John Locke escrito que sem propriedade privada não há liberdade. Mas ainda assim, parece-me que as análises estritamente economicistas vão perder a importância que têm vindo a ter até agora.

Abraço
Imagem de perfil

De Ana Vidal a 12.10.2008 às 15:57

Uma belíssima reflexão, Samuel. Estamos, não tenho dúvidas, num qualquer "fim de ciclo histórico", e há que tirar lições do que estamos a enfrentar para conseguirmos corrigir os erros e fragilidades de um sistema que julgávamos quase perfeito. Não era, afinal. Ou talvez tudo se resuma ao facto de NÓS não sermos perfeitos, por muitos méritos que tenham os sistemas.
Imagem de perfil

De Samuel de Paiva Pires a 12.10.2008 às 23:17

De acordo Ana. Penso que sim, tiramos sempre lições, vamos ver, mas de facto não há sistemas eternos porque quem age no sistema são pessoas, pessoas que são imperfeitas e não conseguem sequer vislumbrar a 100 % o funcionamento de um sistema complexo.
Imagem de perfil

De Nuno Castelo-Branco a 12.10.2008 às 18:28

Podias fazer-me um favor. No fim do texto, onde se encontra assinado Samuel de Paiva Pires, podes acrescentar
NCB
Imagem de perfil

De Cristina Ribeiro a 13.10.2008 às 00:46

Tudo vai ter de ser repensado, é forçoso...

Comentar post







Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

Links

Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas