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"O Nelo falava

por Cristina Ribeiro, em 13.10.08

de « grandessíssima ladroeira», porquanto ouvira dizer que os do Governo, assim que saíam do Governo, se amanhavam logo com uns poucos de empregos, onde chegavam a tirar aos cinquenta contos, e upa. Que faziam favores, poucas-vergonhas, enquanto estavam no Governo, e que depois lhes pagavam esses favores e essas poucas-vergonhas com os tais empregos. (...)

-Ora aí tens (...) , e ainda por cima de sujeitos que passam por sérios..."

 

                        Tomando por mote a citação de Lord Acton, trazida pelo Samuel, de que "o poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente", veio-me à memória este excerto de um livro escrito nos anos quarenta do século passado: «A Toca do Lobo», de Tomaz de Figueiredo.

Deste panorama que se vivia então, cresci eu a ouvir falar , não em casa, mas a pessoas que dele sentiram a injustiça, e vem  corroborar o que há tempos escrevi aqui.

 

 

Mas também não tenho dúvidas de que o escritor encontraria hoje o mesmíssimo- não: em muito maior escala- material para pôr as mesmíssimas palavras na boca do Nelo. Tantos anos depois, e depois de uma revolução que se auto-proclamou como " moralizadora ".

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publicado às 02:49


13 comentários

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De António de Almeida a 13.10.2008 às 12:16

Tantos anos depois, e depois de uma revolução que se auto-proclamou como " moralizadora ".

-Falando em moralizadora, relembro este artigo de Mário Crespo já com umas semanas:

http://jn.sapo.pt/Opiniao/default.aspx?content_id=974848&opiniao=M%E1rio%20Crespo
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De Luísa a 13.10.2008 às 14:02

Cristina, o que piorou foi, talvez, o descaramento. Porque essa gente tem hoje a consciência de que está sob observação e que tudo acaba por se saber. Mas nem assim se acanha. Acredita na sua impunidade e isso lhe basta. Já não procura sequer fazer simulacros de dignidade. Hoje já não temos apenas a sensação, podemos ter a certeza de estar entregues aos bichos.

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De Cristina Ribeiro a 13.10.2008 às 16:22

Acredita, Luísa, e tem todas as razões do mundo para acreditar. Ai podemos, podemos...
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De Paulo Cunha Porto a 13.10.2008 às 21:59

São os partidos, Senhora!
Beijo
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De Cristina Ribeiro a 13.10.2008 às 22:21

São alguns homens; Senhor!
Como vê, no texto de Figueiredo...
Beijo, Paulo.
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De mike a 13.10.2008 às 21:59

:)
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De Cristina Ribeiro a 13.10.2008 às 22:24

Os sorrisos podem explicar-se, Mike? :)
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De mike a 14.10.2008 às 12:52

Lembrei-me de um sorriso de uma senhora a um certo "casual"... ;-)
(Quem com sorrisos comenta, com sorrisos é comentado... muitos risos)
E falta dizer que gostei do post, Cristina. :-)
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De Nonas a 13.10.2008 às 23:06

Cristina, permita-me uma ressalva.
Se no tempo do Estado Novo os governantes eram chamados por Salazar para servirem Portugal e os Portugueses e a grande verdade é que iam em missão de Serviço e de Sacrifício (financeiro) pois o que recebiam como ministros ou como secretários de Estado era inferior ao que recebiam como gestores de empresas. Dantes, depois de terem sido ministros ou secretários de Estado alguns eram colocados em empresas de forma a serem compensados financeiramente relativamente ao tempo em que foram representantes governamentais e posso garantir-lhe que a maior parte não teve essa benesse.
Na I República como depois do 25 do Abril, a preocupação é o exercer de carreira partidária para atingir postos de governo onde recebem mundos e fundos e mais tarde serem colocados como gestores empresariais sem o serem onde ganham o que querem!
Esta é mais uma enorme diferença entre o Estado Novo e a democracia!
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De Cristina Ribeiro a 13.10.2008 às 23:41

Haverá diferença, Nonas, primeiro de escala- agora é galopante, e, além disso, como bem diz a Luísa, agora é descarada, porque sabem da total impunidade, enquanto no Estado Novo não sei bem como é que as coisas funcionavam- claro que não estou a pôr em causa a incorruptibilidade de Salazar, mas quando as coisas fogem do controlo...
E muitas outras questões, afloradas no livro, ou que de outro modo chegaram até nós, fazem-me duvidar, sinceramente da bondade do regime...
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De ahnonas@gmail.com a 14.10.2008 às 00:12

Cristina,
Sabe tão bem como eu que o Tomaz de Figueiredo era uma acérrimo inimigo de Salazar.
A verdade é que no tempo do Marcello e da sua primavera marcelírica para além do Tomaz de Figueiredo ter feito conjuntamente com o Goulart Nogueira, um dos seus amigos, o extraordinário poema satírico "Marcelírica", chegou a dizer alto e a bom no café Aviz, em Lisboa, que este "gajo", o Marcello, ainda me vai fazer salazarista.
Julgo que esta declaração do Tomaz, em pleno Aviz, demonstra a honestidade intelectual do Tomaz e a honestidade do Estado Novo de Salazar.
Quanto ao resto, Marcello, marcelices e marcelentos foram os "papás" destes exemplares dos dias de hoje.
Lembre-se da Ala Liberal...
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De Cristina Ribeiro a 14.10.2008 às 00:30

Lembro-me bem desse episódio, Nonas, que li, já não sei se no seu blogue se no « Manlius» :)
Mas porque é que Figueiredo era inimigo de Salazar? Não seria por achar que ele devia sair no tempo adequado, em vez de se eternizar no poder? dar lugar a quem de direito, ainda que continuasse a dar o seu contributo? Muitos males se teriam evitado...
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De ahnonas@gmail.com a 14.10.2008 às 03:00

Cristina,
O Tomaz tinha dois casos inultrapassáveis com o Salazar.
Como bem sabe o Tomaz era um acérrimo defensor da Monarquia e ele achava que Salazar deveria criar condições para que a Instituição monárquica fosse uma realidade.
A outra é de foro familiar e tem a ver com a prisão do filho pela PIDE por fazer parte do PC, do qual era um membro activo na secção cultural.
Face ao relatório que a PIDE enviou a Salazar sobre as actividades comunistas do filho do Tomaz, o Presidente do Conselho nada pôde fazer como o justificou ao Tomaz e este facto foi a gota d`água para o seu anti-salazarismo.
Pessoalmente, acho que Salazar percebeu que a Monarquia era inviável naquela altura pelo simples facto de não quase haverem monárquicos em Portugal.
Atestam esse facto, o desvio ideológico dos mestres integralistas como Hipólito Raposo, Almeida Braga e depois os pseudo-monárquicos da Cidade Nova que já naquela altura falavam na Pessoa Humana e outras aberrações.
Quanto à questão do filho, provas são provas e penso que esse momento foi doloroso para Salazar justificar a um Pai que o filho era um activista comunista, defendia uma ideologia anti-nacional e internacional.
Relativamente à eternização do poder, o drama real é que não havia ninguém capaz para substituir Salazar.
Por um lado, a chamada ultra-direita estava "controlada" pelos da "direita muito direitinha" de forma a que não se excedessem nos seus propósitos. Tinham um jornal, uma revista, um movimento mas não lhes era permitido mais do que isso e chegavam a ser vigiados pela própria PIDE.
Outro factor, é que a realidade depois de 1945 com os "ventos da história" e a "sereia democrática" era outra, mais a mais que em 1950 Salazar perde dois grandes amigos e defensores: a morte de Alfredo Pimenta e a ida para a Suiça de António Ferro, afastado do SNI através da intrigas o que deixou a descoberto a nível cultural o Estado Novo e foi por aí que as ideias democráticas e comunistas começaram a vingar com o neo-realismo.
Perdida a trincheira cultural, perdeu-se tudo.
Depois vem a tentativa do golpe de estado de Botelho Moniz, o caso Delgado, a perda da Índia portuguesa, a guerra d`África...
Salazar percebeu o que estava em causa e tratou de arrumar a casa e intuira - infelizmente - e com razão que não havia substituto ao seu nível.
Diz que "muitos males se teriam evitado". Talvez, mas os essenciais que levaram à destruição do Império Ultramarino esses foram adiados porque Salazar teve essa capacidade e inteligência para desespero americano/russo. A cobiça do Império português estava traçada desde 1945 conforme o comprova uma carta do Estaline para Roosevelt!
Infelizmente, era uma questão de tempo e Salazar manteve até à sua morte a integridade e soberania do território português.
Honra lhe seja feita, também, por isso!

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