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Também a pedido do Nuno...

por Samuel de Paiva Pires, em 24.10.08

e com a devida autorização do Miguel, aqui fica na íntegra um dos seus excelentes posts do Combustões, intitulado "Coisas da Citologia":

 

 

É verdadeiramente triste pensarmos que a desdita portuguesa tem origem em Portugal.Pateta como sempre e já quase desabituado das facas e tesouras, não dei por ela durante meses. Fiei-me nas blandícias, nas afabilidades e simpatias. Fiz alusões breves a um projecto que me animava desde há meses e para o qual movi montanhas para demover reticências, conquistar pessoas para um objectivo que iria honrar Portugal nesta terra da Ásia e fazer "serviço público", quando a minha presença nestas paragens não é em nada compreendida por quem, pura e simplesmente, nada quer saber. A palavra de ordem é barrar, obstaculizar, minar terreno, não deixar fazer. Se não são os amigos, então, que não cresça erva. Quando o meu interlocutor estrangeiro, antes sempre prestável e claro, se pôs a fazer um circunlóquio interminável, levantando uma miríade de insignificâncias, dei comigo a rememorar situações análogas experimentadas em Portugal. Pois, o homem já tinha "sido trabalhado" e, sem saber que estava a colaborar num pequeno crime - tudo o que contraria o esforço português é crime - deixara-se envolver na velha arte da intrigazinha lusitana. Vi-lhe ansiedade estampada na cara e uma vontade genuína em desculpar-se. Não o deixei em sofrimento. Disse-lhe, apenas, "não se preocupe, meu caro amigo, estou habituado a estas coisas".


São os tentáculos incansáveis da mediocridade os que maiores danos - quase sempre irreparáveis - causam a Portugal. Não são tentáculos de um polvo: são mais como os oxiúros e outra fauna intestinal, incómoda, insignificante e quase invisível. E assim vamos, cantando e rindo, destruindo o pouco que ainda nos seria permitido fazer. Lisboa só é grande na arte da intriga, pois que no resto não pesa nem conta. Me ne frego ! Só me apetece largar o corso e dedicar-me à pirataria.

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publicado às 23:07


1 comentário

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De Margarida Pereira a 25.10.2008 às 11:24

Só se desilude quem acalenta ilusões.
Admiro o Miguel mais do que possa traduzir.
Ele, como eu, como nós, que ainda sentimos, que ainda queremos, que ainda nos levantamos todas as manhãs a acreditar, mesmo tendo já sofrido tantos golpes (como eu, como nós), anima-se de uma força e de uma coragem que lhe permitem, além de se manter à tona das adversidades, ainda sonhar.
E sonhar é a suprema fé.
Só quero declarar-lhe aqui que, para quem importa, ele é um exemplo. Um orgulho.
Uma inspiração.
Uma razão para não desanimar.
Só isso bastará para que se mantenha firme na ponte do seu navio. Olhos nas estrelas, coração como bússola e fidelidade a si mesmo.
Deus cuidará do resto.
Forte abraço, Miguel!

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