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Em especial, à atenção do Sr. Dr. Duarte Cordeiro, Secretário Geral da Juventude Socialista:

 

Constituição da República Portuguesa, edição Almedina, 2006:

 

Art.º 155.º - Exercício da função de Deputado


1. Os Deputados exercem livremente o seu mandato, sendo-lhes garantidas condições adequadas ao eficaz exercício das suas funções, designadamente ao indispensável contacto com os cidadãos eleitores e à sua informação regular.

 

Só para que conste e fique registado que o Sr. Dr. Duarte Cordeiro, que se prestou a fazer campanha eleitoral numa conferência organizada no ISCSP subordinada ao tema das Juventudes Partidárias, talvez não tenha lido este pequeno artigo da Constituição, e deve ser por isso que considera furar a disciplina partidária um "acto de insubordinação". 

 

Já agora, em minha opinião, é ridículo falar-se em democracia quando existe disciplina partidária. Acho que as pessoas finalmente começam a aperceber-se desta incongruência. Neste aspecto particular, devo dizer que democracia há nos Estados Unidos da América ou no Reino Unido, não aqui. Dizer que a Assembleia da República é democrática havendo disciplina de voto é uma incongruência e uma desonestidade intelectual do ponto de vista da teoria política da democracia liberal.

 

Continuando, relativamente ao Sr. Dr. Duarte Cordeiro, só alguém com uma grande escola de jotinha, em todo o esplendor negativo da expressão, pode realmente afirmar que "ao Bloco de Esquerda dá muito jeito que os jovens concordem sempre com o Partido", visto que o BE não tem estrutura formal como as outras juventudes partidárias. Ainda tentei explicar, mas duvido que o Sr. Dr. tenha entendido que não havendo estruturas formais, os jovens fazem parte do próprio partido, logo os outputs finais em termos de decisões e efeitos políticos já têm uma carga formal e substancial que deriva da sua participação no jogo social interno do partido, ao contrário das juventudes partidárias que tal como o representante do BE referiu, servem muitas vezes como face moderna de estruturas mais conservadoras e não contribuem directamente para o processo político interno do próprio Partido. Aliás, o mais das vezes têm é que se subjugar ao que o partido ordene, mesmo que seja contra o aparente interesse ou posição do partido em termos eleitorais, o que acaba por servir frequentemente os interesses latentes, a tal agenda desconhecida do grande público.

 

Continuo com a mesma ideia, não deveriam existir juventudes partidárias e entendo que a melhor forma será a do Bloco de Esquerda, não tendo uma estrutura formal de jovens. Assim realmente todos são tratados por igual, e todos os cidadãos maiores de 18 anos (essa é outra, acho que ninguém com menos de 18 anos se deveria poder filiar em qualquer partido ou juventude partidária) podem intervir activamente na vida de um partido.

 

Resta-me continuar a constatar o crescente autismo mesmo daqueles que vão suceder aos autistas de serviço, nesse constante divórcio das juventudes partidárias em relação aos jovens e à realidade (expressão de um outro colega na conferência). É por isso que quando o Presidente da República chama a Belém os líderes das juventudes partidárias para tentar entender porque é que os jovens estão afastados da política, não está sequer a raspar a mais pequena lasca da rocha que constitui tal problema. É contraproducente chamar as associações que em grande parte são as principais responsáveis por esse afastamento, ainda que as juventudes partidárias não esgotem o activismo político. Pior ainda, passa completamente ao lado do problema quando não chama o Bloco de Esquerda, o único partido que ao não ter estrutura formal de juventude partidária, tendo ainda uma mensagem apelativa aos jovens, sabe naturalmente o que fazer a este respeito. 

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publicado às 00:15


5 comentários

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De carlosbarbosaoli a 25.10.2008 às 19:57

Como sabe, Samuel, comungo inteiramente da sua opinião
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De Samuel de Paiva Pires a 26.10.2008 às 03:15

Como ambos sabemos, de facto Carlos, algum dia se terá que acabar com isto, vamos aguardando pacientemente... Um abraço!
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De JMB a 26.10.2008 às 01:00

Caríssimo Samuel de Paiva Pires também estou de acordo consigo no mais essencial. Convém no entanto ter sempre presente que não há uma só agenda política (aliás, como diz).
Quanto às democracias americana, britânica ou outra, peço-lhe desculpa mas não acredito em nenhuma. Ou seja acredito no aspecto formal, mas em mais nenhum. Não interessa quem vota mas quem conta os votos. Melhor e mais explícito, como disse Nathan Rothschild - "I care not what puppet is placed upon the throne of England to rule the Empire on which the sun never sets. The man who controls Britain's money supply controls the British Empire, and I control the British money supply."
É sobre isto que estou a ganhar coragem (leia-se pachorra), para escrever no rosamarmore. A FED (e o sistema financeiro americano), o Banco de Inglaterra e o terramoto que vai abalar o sistema financeiro mundial de só estamos a vislumbrar uma ínfima parte.

Cumprimentos.
JMB.
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De Samuel de Paiva Pires a 26.10.2008 às 03:13

Caríssimo José, em relação às democracias norte-americanas e britânica, referia-me em especial ao particular aspecto da liberdade de expressão que existe nos parlamentos de ambas, fruto de um sistema efectivamente representativo de todos porque todos somos diferentes e só a soma das partes pode representar o todo nesse caso. No nosso caso como a nossa Constituição define que os deputados não representam os círculos por onde são eleitos mas sim o país como um todo, não representam coisa alguma, porque uma abstracção de unicidade não é passível de ser representada. E como os partidos esgotam o sistema político em si, acaba por se assistir à palhaçada de que o Prof. Medina Carreira tem vindo a falar nos últimos tempos.
Quanto ao resto, concordo consigo claro, venha de lá esse post!

Um abraço!
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De Nuno Castelo-Branco a 27.10.2008 às 13:26

Bem, o problema estende-se a muitos outros campos, como a própria existência deste sistema eleitoral que propicia o situacionismo e a má qualidade dos detentores dos cargos políticos do Estado. Havia de ser bonito, tentar emular os ingleses e o seu sistema "porta a porta". Recorrendo a esta gente? Como ?!

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