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Que pena... não eram Fabergés!

por Nuno Castelo-Branco, em 12.11.08

 Ontem, o país deu um grande passo adiante, calcorreando de forma cada vez mais célere, o atalho que conduzirá o regime ao tal beco sem saída que todos esperam sem o dizer. A senhora ministra da Educação foi fartamente bombardeada com produtos directamente saídos de mitras, arremessados por centenas de outro tipo de mitras.  Tudo isto se tornou absolutamente intolerável e o mais sintomático é o regozijo alvarmente demonstrado por uma parte do professorado, já esquecido das habituais taponas, apalpões de rabo e palavrório vergonhoso que quotidianamente enfrentam no local de trabalho.

 

Chegamos a este ponto, como o culminar de um longo processo de desagregação do ensino em Portugal. Não sei o que andou a senhora ministra a fazer durante o seu período de escolaridade, lá nos idos anos sessenta e setenta. O que tenho a certeza absoluta, é que deve recordar-se  com nostalgia, daquilo a que na altura se chamava o "respeitinho" e que afinal tinha tradução directa na palavra disciplina que não por mera coincidência, designa também as diversas matérias leccionáveis. O actual regime destruiu a escola primária, abastardou o ensino secundário e vulgarizou até à exaustão, a universidade. Hoje, tudo é negócio e fazem-se fornadas de licenciados semi-iletrados, como dantes se despachavam à pá os papo-secos quentes nas padarias do bairro. Tudo se tornou numa questão de estatística para apresentar à Europa, decerto espantada pelo baixíssimo nível - que por lá também vinga, diga-se - de um ensino que não ensina. Liquidaram as escolas técnicas, como se de coisa fascista se tratasse, esquecendo-se do exemplo soviético, tão querido pelos senhores que pretensiosamente re-estruturaram a escola-modelo dos nossos tempos. Hoje não temos electricistas, soldadores, carpinteiros, serralheiros, estucadores ou vidreiros habilitados. Temos hordas de advogados - que tão bem dirigem o país desde há 170 anos -, engenheiros de táxis, arquitectos de obscenidades mamarráchicas e, claro está, os famosos sôdotores, uma praga que faz desvanecer até à insignificância, as do velho Egipto. Esta gente que manda, ainda não percebeu que o contribuinte não pode ser obrigado a pagar a escolaridade a quem não quer aprender. A oportunidade deve ser universal, mas a selecção pelo mérito deverá regressar.

 

Acabou-se a reverência, ou até, a mera cortesia. Hoje foi a ministra da Educação. Amanhã será o chefe do governo ou até, o "presidente". Uma barragem de artilharia de granadas-ovos! Se ao menos fossem Fabergé...

 

Espero, também, que os alunos envolvidos na arruaça sejam suspensos e afastados das escolas que frequentam. Professores e alunos destes são dispensáveis. A lei é dura mas é a lei!

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publicado às 01:29


12 comentários

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De JMB a 12.11.2008 às 02:03

Também já me tinha referido ao facto. Um nojo.
Essa do Fabergé é de morte. Mas não. São mesmo de galinheiro, nem de capoeira.
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De Luis a 12.11.2008 às 09:23

Quando chegar a vez do 1º ministro ou do presidente, agradeço que me contactem pois terei todo o prazer em fornecer gratuitamente a mercadoria mais mal-cheirosa que tenha disponível na minha capoeira: qualquer coisa ao nível deles.
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De Luísa a 12.11.2008 às 14:12

Nuno, não eram Fabergé, mas eram os «Fabergé» daquela categoria de produtos: ovos saudáveis e em bom estado de conservação. Porque os protestos costumam manifestar-se com tomates e ovos podres. ;-)
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De João Amorim a 12.11.2008 às 14:51

Intolerável a arruaça. Não se pode permitir veleidades a este "género" de cidadãos que tanto atiram à ministra como amanhã atiram ao vizinho. Se ela merece uma "omolete" isso já é outro assunto....
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De António de Almeida a 12.11.2008 às 21:37

-O rectângulo vai cada vez melhor, desde há uns anos a esta parte que se instalou no país a cultura da bardinagem , um ex-Presidente da República que alguns gostariam de ver elevado a líder espiritual da nação, apesar de agnóstico, chegou a invocar direito à indignação, muito contribuindo para a falta de respeito perante a autoridade, quando em frente ás câmaras de televisão falando para um militar da GNR lhe ordenou "homem desapareça", complementando "estamos fartos de polícias". Eu estou farto de políticos mediocres.
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De Nuno Castelo-Branco a 12.11.2008 às 23:02

António, quando "eles" precisarem dos guardas, talvez um dia tenham como resposta um sonoro "desenrasca-te, pá!"
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De De Puta Madre a 13.11.2008 às 00:09

Ai. Ai. Se descobrem o Ovo "azul" ... vais ter encomndas ...;)


..........
Eles queriam todos era uma Escola de Correcção!
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De carlosbarbosaoli a 13.11.2008 às 22:45

DEixe-me aplaudir, Nuno. Hoje repetiram a dose, com os profs e pais a aplaudir!Uma vergonha!
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De Vera Baeta Lima a 14.11.2008 às 14:21

Vou aqui deixar o mesmo comentário que deixei nas Crónicas do Rochedo...
Ontem, quando viu as imagens que passaram no telejornal sobre a reunião na Escola D. Dinis, a minha filha perguntou:
-Mãe, está tudo rico para andar a comprar ovos para atirar a alguém? Não sabem que a comida não é para brincar, que os ovos estão caros e há gente a morrer à fome?
Hoje, quando chegou ao Liceu, havia Professores e Alunos fora do Liceu, Polícia de Intervenção e alunos a tentar fechar o portão. A meio da manhã liguei-lhe para saber novidades.
- Mãe eu estou em aulas desde que entrei às 08:30.
- Mas a Mãe da X diz que ela telefonou a dizer que não tinha aulas.
- Houve muita gente que se baldou...
A minha Filha NÃO é uma Santa, mas é o resultado de uma "política educacional familiar" que teima em não ir atrás de modas e de pseudo-traumatismo das criancinhas...
É bom olhar para ela, com 17 anos, e para os 3 rapazes que vieram a seguir, e ver que o meu trabalho diário - Mãe a tempo inteiro - não é em vão.
Tenho dito :-)
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De Ferreira-Pinto a 14.11.2008 às 15:35

Tendo tomado conhecimento, pela referência do Carlos nas CRóNICAS DO ROCHEDO ao seu texto, tomei a liberdade de aqui aportar.

Após leitura atenta, dispenso-me de dizer mais do que aquilo que segue: Notável e linear, cristalino e frontal.
Não que agrade às massas, mas quando se escreve dentro da Razão não há que deixar de afirmar aquilo que é verdade.
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De violeta a 16.11.2008 às 16:42

Já tinha feito alguns comentáriso semelhantes sobre o tema. Sempre detestei as incoerências do ser humano.
Acredito que isto é um acto isolado, mas um professor que atiça alunos a atirar ovos a minsitros - sejam quais forem; ou chama "Vaca" à ministra - não tem qualquer legitimidade para se queixar de um aluno qque naõ o respeita.
Ainda bem que são poucos os que se reveem neste papel.

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