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Um crime (e) ou uma revolução

por Nuno Castelo-Branco, em 13.11.08

 Como dizia ontem, há limites insusceptíveis de ser ultrapassados. Perante a total passividade da autoridade, voltou-se a recorrer á violência para demonstrar a oposição do lóbi da Educação à política ministerial neste sector. Após o descalabro já velho de décadas, tornou-se imperiosamente urgente, a completa reestruturação da escola em Portugal, a racionalização de meios, e o aumento radical do nível de exigência, o que pressupõe inevitáveis contendas públicas. Os interesses instalados, a velha prática do laissez-faire professoral, a condescendência perante o claro  e inaceitável absentismo, além da desmesurada máquina burocrática que transtorna o normal funcionamento do ensino, despoletam  uma rija contenda da qual só poderá sair um vencedor possível: o da normalização dos centros escolares, sejam eles primários, secundários ou universitários. A alternativa é o definitivo caos e o afundamento do ensino público, em benefício exclusivo da minoria, isto é, daqueles que podem e querem pagar uma boa educação para os seus filhos. Neste caso, retrocederíamos mais de um século e aqueles que hoje sindicalmente alegam a deterioração da escola do Estado, fazem exactamente o circuito pretendido pelos investidores na escola empresa. dada a radical teimosia das posições firmadas e às quais os media ateiam o fogo, dir-se-á até, que a loucura prevaleceu.

 

Creio bem - como o Carlos Barbosa Oliveira diz na Crónica do Rochedo -, que com atitudes destas, a maioria absoluta não escapará ao PS. O cidadão comum, tem até hoje rejeitado de forma instintiva, todos aqueles que procuram na coacção física ou moral, o suporte para o condicionamento de qualquer política em debate. Viu-se no que deram as moções de censura antes da primeira maioria de Cavaco e recuando no tempo, recordemos o bofetão a Mário Soares na Marinha Grande (1986) e os tiros desfechados contra Eanes em 1976. 

 

O caso é hoje bastante mais grave, porque todos se apercebem da rápida decomposição da situação vigente. O sistema financeiro decerto já implodiu, sem que disso  tenhamos a perfeita consciência. Os partidos políticos da rotação, continuam ensimesmados na confusão daquilo que é interesse nacional e mero conflito de interesses do jogo político. Prosseguem na senda das maníacas certezas da despesa em prol do eleitoralismo a curto prazo, no exacto momento em que se inicia a contagem decrescente para o fim do bodo dos fundos estruturais europeus. O futuro? Ninguém o pode prever, mas o momento que vivemos indicia uma inevitável e abrupta falência no sentido mais lato do termo. Falência económica, falência política e pior que tudo, falência social, com a progressiva anarquização dos modos de intervenção pública, crescimento imparável da violência e um consequente extremar das posições no espectro partidário. Uma simples operação "Mãos Limpas", enviaria muitos próceres da situação, para as dunas da Tunísia ou em rápida fuga para terras de Santa Cruz. Tal aconteceu na Itália, como já ocorreu há cerca de duas décadas nos países do leste. Os regimes caíram ou mudaram radicalmente, desaparecendo figuras públicas todo-poderosas e partidos políticos. Quem lamenta hoje esses caídos regimes ou desaparecidas agremiações? Ninguém.

 

O grave problema reside numa global deterioração em todos os sectores e o sussurro já audível nas forças armadas, denuncia algo de bastante volátil. Durante muitos anos, tivemos "Chefes do Estado" que manipulando da forma mais rasteiramente populista os ímpetos intrinsecamente agressivos da turbamulta anónima, insultavam ou desautorizavam as policias e as forças armadas em público, esquecendo-se de que a sua própria segurança - do regime, diga-se - delas dependem em primeira linha. 

 

Tal como se dizia há cerca de um século, "isto ou acaba por um crime, ou por uma revolução".  A verdade será decerto mais cruel, pois os crimes serão muitos, antes, durante e depois da tal revolução de contornos ainda indefinidos, mas que surge como ameaçadora nuvem no horizonte. 

 

Mesmo que o governo torne clara a firme decisão de enfrentar o desafio - o que lhe trará a vitória nas urnas -, tudo indica que tal não será suficiente. O Rubicão já há muito foi ultrapassado e os centuriões estão às portas de Roma.

 

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Parece que os da bandeira do Arranca (verde) e Pára (vermelho), já se renderam, pois a Procuradoria Geral da "República" ostenta-a desta forma. Exactamente na situação em que o país está: de pernas para o ar (foto roubada ao Humberto Nuno).

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publicado às 23:38


1 comentário

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De Ana Vidal a 14.11.2008 às 13:17

Incrível! Isto devia ser mandado para a televisão!

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