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Para os mais distraídos, Marx e Lenine foram dois burgueses que viveram nos séculos XIX e XX respectivamente. O primeiro escreveu, entre outras obras, o Manifesto do Partido Comunista, um livro dividido em quatro pequenos capítulos: “Burgueses e proletários”, “Proletários e Comunistas”,”Literatura Socialista e Comunista” e “Posição dos comunistas para com os diversos partidos oposicionistas”. O segundo foi um exilado na Suíça, que aquando da revolução de Fevereiro de 1917, voltou para a pátria mãe para poder assistir de perto a uma demonstração de artilharia medieval.
Pegando no I Capitulo do Manifesto de Marx e Engels, ficamos a perceber que livres e escravos, barões e servos, proletários e burgueses são afinal dois extremos imutáveis cuja relação seria sempre hostil. No caso de Barões e servos e em alturas de escravidão, ainda podemos perceber que o ambiente era hostil (muitas vezes os senhores não pediam por favor no fim de ordenarem seja o que for) … No caso dos séculos XX e XXI acho que é grotesco pensar que há uma barreira tão grande entre “povo” e a “burguesia” nas sociedades ocidentais, quem o afirme só o poderá fazer legitimamente se enquadrar num destes padrões: o desconhecimento da raspadinha (principal meio de ascensão em sociedades ocidentais, ao alcance de um proletário cuja fábrica ou oficina tenha nas proximidades um quiosque) ou então viciou-se no filme “Coreia do Norte, jornadas de uma democracia”.
No seu grande rol de intervenções, Marx afirmou em 1884 que a religião é o ópio do povo. Quanto a esta afirmação devemos dar o desconto ao senhor alemão; se ele fosse a uma quinta à noite ao Bairro Alto, perceberia certamente que o ópio é o ópio do povo. Voltando agora a coisas sérias, Bernardino Soares é um político… (peço desculpa). Apesar do que disse anteriormente, acho que algum crédito deve ser dado a diversos políticos comunistas como Estaline; citando Diácono Remédios “Este Estaline apesar de todos os defeitos de ser comunista, tinha o seu lado bom pois aniquilou muitos dos seus colaboradores comunistas” para além disso tinha uma posição democrática em relação aos seus opositores, como podemos verificar no caso Trotsky, que lamentavelmente morreu durante o período de férias de Natal no México (Ironia).
Lenine foi sem dúvida um governante fiel aos ideais marxistas, tendo a sua primeira grande medida uma Nova Política Económica, que assentava no desenvolvimento da Indústria, de uma forma capitalista (visto que o capitalismo não era assim tão mau como diziam), explica a NEP como sendo uma medida que nos faz dar um passo atrás para dar dois à frente, a intenção era boa, mas infelizmente Lenine tropeçou com esta história dos passos e Estaline resolveu substituir esta política pelos planos quinquenais, o que agradou bastante às populações mobilizadas (Ironia).
Houve uma coisa que Marx, Lenine e todos os outros se esqueceram de referir; a corrupção não é algo exclusivo das “classes superiores”, todo o homem que se vê com tamanho poder rara ou dificilmente se desprende do mesmo, daí o mal das ditaduras, não têm um prazo definido nem uma obrigatoriedade ideológica ou política.
Não querendo difamar ou chacotear o sentimento e ideais comunistas (que respeito tal como qualquer pensamento livre), penso ser mais que óbvio que olhar a história de um lado sem conhecer os outros, nos faz ter uma visão errónea da realidade do mundo. Enquanto pensadores livres não nos podemos limitar a ouvir a história dos três porquinhos contada pelos pobres cujas casas foram sopradas.
 

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publicado às 23:15


2 comentários

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De Samuel de Paiva Pires a 26.11.2008 às 23:27

"infelizmente Lenine tropeçou com esta história dos passos e Estaline resolveu substituir esta política pelos planos quinquenais, o que agradou bastante às populações mobilizadas" LOL :p)

Não tarda tens aí a guarda pretoriana comunisto-bloqueira atrás de ti! Realmente não há nada melhor do que conhecer ou estudar algo minimamente para poder dissertar sobre isso com propriedade, o que me parece ser o caso.
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De Nuno Castelo-Branco a 26.11.2008 às 23:28

Andas a arriscar o teu pescoço, João. Noutros tempos, desaparecias logo da fotografia e em teu lugar aparecia uma risonha kolkhoziana com um borreguinho nos braços :)

Pegando na teu último parágrafo, apenas acrescentaria a profunda contradição entre toda aquela filosofia e o alegado fim da história. História essa que afinal, prova exactamente o contrário e para isso mesmo, a liberdade de expressão é fundamental. Aliás, é o Princípio basilar.

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