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Escumalha na RTP

por Nuno Castelo-Branco, em 16.12.08

 

APELEMOS À INTERVENÇÃO DO SR. PRIMEIRO-MINISTRO!

 

 A RTP, uma das empresas do Estado que mais faz pesar a canga aposta aos contribuintes, é conhecida pelo mau serviço público prestado. Péssimos telejornais que se eternizam em ninharias de sarjeta, com alguns pivots semi-imbecis e entrevistadeiras de encomenda de cama quente, programas sem qualquer interesse formativo, alienação futebolesa dada à guisa de purga quotidiana, eis a Rádio Televisão "Portuguesa". O constante apelo ao rasca e ao preconceito alicerçado pela orgulhosamente assumida ignorância, por lá têm pontificado década após década. 

 

As sumidades que dirigem ou seleccionam a escolha de programas a produzir para posterior transmissão, aventuraram-se já há uns tempos, na realização de curtas metragens com pretensões documentaristas, com temáticas apelativas ao interesse dos telespectadores pouco interessados nos trios de bola, preços incertos e banalidades contíguas. 

 

Após a vergonhosa série sobre o Regicídio, onde a falta de informação caminhou a par daevidente intenção manipuladora decorrente da abusiva leitura de uma história pessimamente contada, decidiram agora, para cumprir calendário, recorrer ao nonagésimo aniversário do assassinato de Sidónio Pais.

 

Produto típico da imbecilidade normalizada pelo prp desde os anos 80 do século XIX, o major Pais -  o Carlyle do costumeiro e lucrativo comprometimento -, era considerado como irrepreensível republicano, mesmo anteriormente ao golpe de 1910. O descalabro do regime, a corrupção do aparelho do Estado, a falta de sentido prático e a indignidade daqueles que a tutelavam, transformaram a "república" num cadáver adiado e odiado por amplos sectores da população, irmanando nesta repulsa, o campo e a cidade, os ricos e os pobres, os civis e os militares. Sidónio surgiu para preencher um vazio na superestrutura do poder, que durante séculos vira no monarca um sólido testemunho de segurança, equidistãncia perante os interesses particulares e principal símbolo da independência nacional.

 

Infelizmente, dada a situação catastrófica provocada por uma década de anarquia nas ruas e nos espíritos, o major Sidónio surge revestido do messiânico e diáfano manto que na imaginação popular, decerto correspondia aos imaginados poderes taumaturgos monárquicos de antanho. O sidonismo, resumiu-se a pouco mais que manter em respeito a ralé - no sentido de carácter e não de origem - do partido democrático e dos seus perniciosos dirigentes.  A fuga precipitada e vergonhosa, a incapacidade absoluta de fazer frente à chamada "república nova", conduziu ao delinear de novas actividades de índole subversiva que no crime de sangue coagiriam as massas pelo medo, propiciando o regresso da velha situação.

 

Paradas a cavalo, visitas a creches e a cozinhas públicas, banhos de multidão, eis o que na sua substância foi o sidonismo. No aspecto da organização do Estado, pouco ou nada fez, embora existisse uma real possibilidade de servir de compasso de espera para a restauração da monarquia, evidentemente sob novos princípios constitucionais e sistema eleitoral. 

 

Sidónio foi imensamente popular, pois o seu porte austero e simultaneamente de uma aristocrática elegância, granjeou-lhe devoções extremas, a que o descarado populismo durante o seu consulado, emprestou as essenciais massas humanas que mantiveram os Costas, Almeidas, Camachos e Bernardinos em respeitosa cobardia e abstinência.

 

A morte do major consistiu num acto trágico a que o país há muito se habituara e que infelizmente estava ainda longe do seu final. Um outro Costa - parece sina republicana, perdoem-me os inocentes e sérios -, desfechou-lhe tiros à queima roupa, em plena Estação do Rossio. Foi feita justiça, o assassino foi condenado e acabaria os seus dias em alegada insanidade. Sidónio foi parar imerecidamente aos Jerónimos, para depois ser trasladado para aquele panteão de algumas duvidosas glórias ausentes onde ainda hoje repousa.

 

Um dos mais altos feitos da nossa História, consistiu no pioneirismo na abolição da pena de morte que hoje, para um punhado de imbecis, é um nada absoluto, dedicando-se à exaltação de mentecaptos sanguinários. Violam abertamente o preceituado por todas as Constituições, desde a Carta até à actual; tripudiam na declaração Universal dos Direitos do Homem,; troçam do direito á vida e da liberdade de opinião, aconchegados na certeza de ficar sempre impunes, façam o que fizerem, digam o que disserem. O que se torna verdadeiramente escabrosa, é a insistência dos verdugos da nossa tranquilidade - estes obscuros e anónimos decisores na RTP - insistirem em passar a video,  efabulação após efabulação, canalhice após canalhice, sem que as suas mentes de pobres de espírito dêem conta do péssimo serviço que prestam à própria democracia. Banalizam o crime de sangue, achincalham a respeitabilidade - se é que ainda existe - das instituições e apelam abertamente a actos tresloucados por um qualquer chafurdador desta imensa cloaca em que o país se transformou. De porrete em riste, vão enxotando todos quantos se aproximam perigosamente da palha da manjedouraQue nojo de "gente", que escumalha abjecta!

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publicado às 13:29


9 comentários

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De Lady-Bird a 16.12.2008 às 15:16

Calma Nuno...lol

"Olhó Sidónio, vestidinho à militar,
Oh Maria abre a porta, que o Sidónio quer entrar"

quanto ao dito programa, comecei a vê-lo e mudei de canal, pela má interpretação...

Beijinho
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De Nuno Castelo-Branco a 16.12.2008 às 15:51

XOXOXO

O pior é se um dia destes um tarado matar alguém e for dizer que ..."ando a ver filmes da RTP"...!
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De Lady-Bird a 17.12.2008 às 23:17

Nuno, não vá por aí...
A RTP todos os anos transmite o Instinto Fatal, e eu não vejo assim mulheres a descruzar as pernas sem lingerie...loool

beijinho


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De Nuno Castelo-Branco a 17.12.2008 às 23:43

Ah, não? Nem parece que vai à Cartola... (anda por aqui uma faina!)
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De Lady-Bird a 18.12.2008 às 00:14

Nuno, prefiro o Ralis...lol... nunca se sabe o que é que o mágico vai tirar da Cartola...e gosto de grandes velocidades...
Mas também não vou muito... moro mais para cá...
sou mais Pastelaria Fóia, conhece?

beijinho
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De Nuno Castelo-Branco a 18.12.2008 às 22:38

Fóia? A-de-onde?
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De Margarida Pereira a 16.12.2008 às 16:02

Venho aqui, aflita, já com o kit de emergência na mão, esbaforida mesmo, quase aos pulos: "Nuno, Nuno, calma, homem; tenha calma!"
Mas a Lady-Bird (este nome é simplesmente delicioso...) já havia iniciado a terapia...
Nuno, ou isto é catárquico ou torna-se um candidato a um AVC ou quejando!
Você cuide-se!
Relativize!
Pinte qualquer coisa. A negro. Encarnado. Ás riscas. Despeje baldes de tinta.
Mas tenha calma...
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De Samuel de Paiva Pires a 16.12.2008 às 23:16

Nuno, nada a que já não estejamos à espera, é a estupidificação que os meios de comunicação nas sociedades de massas permitem!
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De Luis a 17.12.2008 às 09:01

Mas se não gostam, porque vêem? Há lá alguma coisa assim tão importante que vos leva a olhar para a caixa? Precisamos, para viver, de ver tv? Há mais de um ano que as tvs em casa foram desligadas (excepto para umas poucas competições dos jogos olímpicos e uns poucos jogos do europeu) e não me acho mais burro do que antes.

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