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Sentir

por Samuel de Paiva Pires, em 02.01.09

 

(imagem roubada à Maggie)

 

Já há tempos tratado do tema relacionado também com este post, na altura num post sobre a racionalidade e a vulnerabilidade. Desta feita, embora possa à primeira vista parecer despropositado, inspirei-me num filme que vi ontem, Equilibrium

 

O filme passa-se num futuro próximo, após uma apocalíptica III Guerra Mundial, e o argumento é visivelmente inspirado numa das obras-primas de George Orwell, 1984. Como forma de evitar futuras guerras a sociedade existente baseia-se na injecção individual de doses de um tranquilizador que evita que os indivíduos tenham qualquer tipo de sentimentos e na destruição de tudo o que está relacionado com música, artes e letras, supostamente a fonte do mal nos homens.

 

Não sei até que ponto tal seria possível mas ocorre-me que não seria de todo mal pensado podermos abstrair-nos de determinados sentimentos e sensações, ou pelo menos tentar evitá-los ou controlá-los. Ocorre-me que levado ao máximo possível, se tal poderá tornar um indivíduo tendencialmente semelhante  a uma máquina, e se há algo que nos separa das máquinas é precisamente a capacidade de sentir, também poderá certamente torná-lo o mais racional possível. 

 

Ocorre-me ainda que há pelo menos um tipo de sentimentos que valeria a pena não sentir pois ser acometido da maleita do cupido pode ser tanto maravilhoso quanto assombroso. Valerá a pena trocar o coração pela razão? Isto é, valerá a pena trocar a possibilidade de amar pela capacidade de, tal como escrevi há temposnos abstrairmos e analisarmos de forma o mais desapaixonada possível todos os actos, acções ou omissões tomadas ou a tomar por via de uma ponderação realista quanto a custos, benefícios e resultados de cada acção ou omissão

 

E mesmo que não exista um nível de consciência tal sobre a razoabilidade que cada um comporta que nos permita sempre efectuar um cálculo óptimo em todas as decisões, quanto maior for esse grau de consciência e quanto menor for a interferência de variáveis sentimentais maior é a complexidade cognitiva que nos permite interpretar, analisar, ponderar e agir de forma o mais racional possível.

 

Seria portanto desejável ser o mais racional possível em detrimento da capacidade de amar? Em certa parte começo a crer que sim, pois tal como escrevi há tempos, o que mais terrivelmente me assusta é perder a racionalidade e isso causa-me um certo sentimento de vulnerabilidade que me provoca uma "ligeiríssima" irritação

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publicado às 16:22


6 comentários

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De Lady-Bird a 04.01.2009 às 01:01

Samuel esperava inspirar-te com a Bellucci, não deixar-te assim...lol
Voltamos à estaca zero?
O AMOR é o AMOR, e tudo o que se faz de coração sai bem... acredita, não é por amarmos alguém que passamos a ser animais... nem 8 nem 80... temos que amar, mas temos que tentar minimamente "separar as águas"...
Beijinho
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De Samuel de Paiva Pires a 04.01.2009 às 01:12

Estaca zero não, isso posso garantir que não! Foi apenas um pensamento surgido após ter visto o tal filme.

Claro que acho que não passamos a ser completamente irracionais por amar, mas não somos pelo menos tão racionais como se não amássemos.

A Monica é inspiradora mas é pouco palpável lol :p)

Beijinho
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De Lady-Bird a 04.01.2009 às 02:01

lol...é pouco palpável...lol

Samuel, eu sei do que fala... mas se isto que nos deixa desvairados, não nos deixa pensar como já me aconteceu... temos que fazer alguma coisa... eu percebo mas não podemos ficar assim a vida toda, ou vamos de cabeça ou esquecemos... entretanto temos um tempo para reflectir sobre o que será melhor para nós, se no meu caso perder uma amizade em que ainda que não possamos fazer aquilo que nos vai na alma estamos e conversamos com a pessoa, se ganhar um amor... é tramado eu sei...

Beijinho
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De Samuel de Paiva Pires a 04.01.2009 às 02:04

Entao voltaste a tratar-me por você? ai ai ai... :p)

Pois eu bem te percebo...

Beijinho
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De Lady-Bird a 04.01.2009 às 02:07

apercebi-me logo..lol... como vês está lá 2:03 e no teu comentário 2:04, neste caso os números não mentem...lol

Beijinho
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De Lady-Bird a 04.01.2009 às 02:03

desculpa Samuel, força do hábito onde está "fala" lê "falas" lol

beijinho

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