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Sugestão de leitura

por Samuel de Paiva Pires, em 21.01.09

Uma ida à FNAC, ainda na eterna busca pelos Escritos Políticos de Simon Bolívar (quero fazer um trabalho sobre os princípios teóricos da ideologia bolivariana, na faculdade só há um exemplar que estava no depósito e foi para encadernar, e não consigo encontrar este livro em qualquer livraria ou alfarrabista na Baixa. Por mais que queira ir à fonte primária, coisa que muitos dos que falam do bolivarianismo nunca devem ter provavelmente feito, à semelhança de muitos marxistas e afins, assim torna-se impossível não acabar por fazer um trabalho com recurso a interpretações de outros), trouxe-me uma agradável surpresa. Depois de já ter lido O Mundo Pós-Americano, de Fareed Zakaria, encontrei o seu livro anterior, O Futuro da Liberdade, traduzido pelo Professor Arnaldo Gonçalves

 

 

Aqui ficam os textos da contracapa e das abas, retirados do site da Gradiva:

 

 

Liberdade e democracia. Os dois conceitos fluem lado a lado no pensamento popular do Ocidente e encontram-se fundidos em mais de duzentos anos da história americana. Mais democracia quer dizer mais liberdade. Ou será que não? Numa época em que a democracia é o único sistema cuja legitimidade não é posta em causa, este livro excepcional sublinha as tensões entre os princípios da liberdade e da democracia. O Futuro da Liberdade viaja pelo passado e pelo presente, lembrando-nos que há coisas boas que nunca são de mais.

 

Tomemos o caso da democracia americana, para muitos o modelo universal. Fareed Zakaria aponta que no sistema americano os membros do Supremo Tribunal e da Reserva Federal – instituições que moldam, fundamentalmente, a vida dos americanos – são designados, não eleitos. A Bill of Rights enumera uma série de direitos fundamentais a que os cidadãos têm direito, independentemente da opinião da maioria. Ao restringirmos a nossa democracia, ampliamos a nossa liberdade. É, todavia, um erro pensar, como se pensa tanto nos Estados Unidos como nos outros países, que a resposta para os nossos problemas é sempre mais democracia. Vejam?se as reformas que se sucederam ao escândalo Watergate e que abriram ainda mais o sistema político. Elas trouxeram para as salas do Congresso, não a voz do povo, mas as exigências dos interesses particulares, das minorias bem organizadas e do dinheiro. O governo americano é mais democrático hoje do que alguma vez o foi – mas também mais disfuncional.

 

No mundo, o problema fundamental é que a emergência da democracia não produziu o correspondente aumento de liberdade. Estamos a assistir em várias partes do mundo, da Rússia à Venezuela, passando pela Autoridade Palestiniana, ao surgimento de uma criatura estranha – o autocrata eleito. No mundo árabe, em particular, vemos sociedades comprimidas entre ditaduras repressivas e fanatismos das grandes massas. Haverá uma saída?

 

Há, Zakaria chama-lhe a reposição do equilíbrio entre liberdade e democracia e mostra como a democracia liberal tem de ser mais eficaz e mais relevante na nossa época. Woodrow Wilson disse que o desafio do século XX era fazer o mundo seguro para a democracia. À medida que entramos no século XXI, este livro extremamente oportuno convida-nos a fazer a democracia segura para o mundo.

 

 


 

«Com elegância e visão, Fareed Zakaria alerta-nos para uma verdade fundamental, anteriormente analisada por Aristóteles e Tocqueville: que uma democracia sem regulação mina a liberdade e o Estado de direito. O Futuro de Liberdade é um dos mais importantes livros sobre política global que surgiram na última década. A sua análise soberba dá lições vitais aos que se preocupam com o futuro da liberdade no mundo.»

 

SAMUEL P. HUNTINGTON

 

«Fareed Zakaria, um dos mais brilhantes autores da nova geração, produziu um livro fascinante e intencionalmente provocatório sobre o impacto dos princípios constitucionais ocidentais na ordem global.»

 

HENRY KISSINGER

 

«Neste livro incisivo, Fareed Zakaria coloca questões pertinentes e oferece respostas provocatórias. O Futuro da Liberdade é uma contribuição impressiva para compreendermos a crise da democracia que se insinua à nossa frente.»

 

ARTHUR M. SCHLESINGER, JR.

 

«Fareed Zakaria cobre um imenso rol de questões na sua eloquente análise dos tipos de liberdade e democracia. Identificando as suas várias nuances nos cinco cantos do mundo, discutindo os problemas críticos (porventura nunca antes examinados) da 'democracia iliberal', analisando o que ele correctamente qualifica como a 'grande excepção' do islão, Zakaria força-nos a reflectir em novos caminhos acerca dos valores que temos por adquiridos.»

 

RICHARD HOLBROOKE

 

 


 

Este é um livro oportuno, necessário e provocatório. Oportuno, porque coloca uma série de interrogações importantes à saúde das nossas democracias e à solidez das nossas convicções liberais e democráticas, sem preconceitos e desculpas. Necessário, porque confronta dados, alinha porquês, deixa ao leitor notas inteligentes para a reflexão inadiável sobre a nossa condição de homens modernos e co-responsáveis pela governabilidade do nosso espaço público.

 

O Futuro da Liberdade é também um livro provocatório, porque ao questionar muitas das nossas certezas e convicções, não cede ao facilitismo, ao deita-abaixo, ao apelo nihilista que muitas vezes bordeja os ensaios e livros sobre política e os políticos. Parte da ideia que a construção da democracia apresenta problemas difíceis mas superáveis e que em situações de transição, quando os países e os povos abatem ou se libertam de regimes autoritários importa, preferencialmente, terminar as fundações, consolidar a estrutura antes de precipitar-se no lançamento dos pisos, no recorte das fachadas ou no rebuscar dos acabamentos.

 

Significa isso para Fareed Zakaria, jornalista, editor da prestigiada Newsweek International, cientista político, analista, autor, construir sólidas bases do liberalismo constitucional, do governo representativo, do Estado de direito e só depois realizar eleições universais e livres, generalizar a democracia pluripartidária e fomentar o exercício pleno das liberdades, tanto as civis e como as políticas. Não se tratará, assim, de aplicar modelos estereotipados, a toda e qualquer situação regional, mas de mergulhar na análise casuística das especificidades e captar nelas as razões da engenharia social e os estímulos para os legisladores e conceptores políticos.

 

Os argumentos são precisos, apresentados um após outro numa cadência rigorosa, balanceada, elegante. A escrita é directa, sem grandes atavios, requebros ou adjectivações e flui, de forma cristalina, no passar das páginas, cativando o leitor à medida que o autor avança no argumento e o sujeita aos testes definitivos: a abertura chinesa, a democracia indiana, o nacionalismo russo, a excepção islâmica, o entropismo americano. As reminiscências filosóficas são visíveis: John Stuart Mill, Alexis de Tocqueville, Benjamin Constant, James Madison.

 

Este é um livro escrito por um americano, mas de alguém que se assume, culturalmente, como protótipo do melting pot americano: homem de transição, de simbiose, entre as suas raízes culturais indianas e o paradigma da modernidade e do cosmopolitismo da Big Apple. E que nessa medida se habituou a relativizar o absoluto, a contestar as ideias preconcebidas, a questionar as verdades divinizadas.

 

Fareed Zakaria desenvolve uma construção teórica convincente e a sua matriz de análise convida à aplicação a casos recentes: o desastre das democratizações africanas, a Revolução iraniana, o Afeganistão e a polémica ocupação do Iraque. Sem que expressamente o refira, o Futuro da Liberdade é uma crítica elegante aos gurus do neoconservadorismo americano. Rejeita as democratizações apressadas e o missionarismo na política externa, tão em voga nos Estados Unidos.

 

O Futuro da Liberdade tem uma referência positiva a Portugal, considerando-o um caso de sucesso de transição democrática, fundado no facto do país ter conseguido ascender a um nível de rendimento nacional per capita tranquilo, o que lhe permitiu encarar sem sobressaltos a via democrática.

 

O Futuro da Liberdade é um dos dez livros mais importantes de política internacional e comparada dos últimos dez anos. Destina-se a todo o tipo de leitores que têm um ponto em comum: uma inquietude desperta pelos problemas do seu tempo.

 

Arnaldo M. A. Gonçalves

 

(Professor de Relações Internacionais, Macau

tradutor de O Futuro da Liberdade)

 

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publicado às 23:37


4 comentários

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De mike a 22.01.2009 às 00:30

Estou convencido, Samuel. E imagino que sejam para aí 1.500 páginas (imperdíveis) como o Diplomacia de Henry Kissinger.
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De Samuel de Paiva Pires a 22.01.2009 às 00:36

Nem por isso Mike! Tal como o Mundo Pós Americano, são cerca de 250!
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De Paulo Soska Oliveira a 22.01.2009 às 09:11

Esse Kissinger é o mesmo da questão timorense?
E o Holbrooke, o mesmo que assinou acordos "secretos" com o Milosevic?

Pois...
Cuidado com as conclusões :) Tinfoil hat on! :)
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De Margarida Pereira a 22.01.2009 às 09:54

Ó meu lindo Samuel..., preciso de um ano sabático, só para o ler a si...
E o Nuno?!
Ai deuses, que saudades dos tempos de estudante...
Aproveitem, que depois é um sufoco...

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