Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




A opacidade da transparente república portuguesa

por Nuno Castelo-Branco, em 04.02.09

 

 

Recebi hoje um curioso e-mail relatando um sem número de cavalidades despesistas que  a serem verdadeiras, contribuem enormemente para a grave situação de credibilidade de que as actuais instituições enfermam. Sabendo-se que algumas dotações - nomeadamente aquela que anualmente é atribuída ao Palácio de Belém e anexos - passam de forma subreptícia diante dos olhos do público em geral, esta torrencial acusação de factos estranhos, não deixa de ser preocupante. Há apenas uma semana, um amigo dizia-me que ao ser convidado para almoçar por um presidente de uma Câmara, este admoestou-o para que escolhesse ..."o melhor que este restaurante tem"..., pois a conta era paga por um cartão de crédito de cor vermelha, com os dizeres República Portuguesa. Despesas de representação, pensamos logo, mas se isto corresponde exactamente ao que se passa quotidianamente nos centros  de decisão - sejam eles nacionais ou locais -, estamos então perante um colossal e vergonhoso esbulho. Será verdade, ou apenas mera intriga para despoletar o sempre citado alarme social?

 

Para a vossa avaliação, aqui deixo o texto recebido, na íntegra: neste portal, surge uma janela, solicitando que nela inscrevam a instituição a investigar, a "presidência da república", por exemplo. Vão por aí!

 

"Portugal, País de grandes tradições e brandos costumes... pelo menos é o que muitos pensam ser verdade... até abrirem os olhos.

 

Para quem não é de cá, ou não sabe o que são os "ajustes directos", eu explico. Como gastar o dinheiro público é uma coisa que deve ser feita com muita responsabilidade, a maior parte dos fornecedores das entidades públicas é seleccionada por concurso público, onde vários fornecedores apresentam a sua melhor proposta, sendo depois escolhida a "melhor" em função de vários critérios (preço mais barato, serviços apresentados, etc.)

 

No entanto, como se imagina, isto é impraticável de ser feito para tudo o que uma câmara municipal, faculdade, universidade, etc. tenha que comprar. E portanto, há coisas que são compradas directamente, a quem eles muito bem entenderem... e aparentemente, ao preço que muito bem lhes apetecer!

 

E finalmente, graças ao portal da transparência, podemos ver finalmente onde e como esse dinheiro é gasto.

 

Agora, expliquem-me, porque eu devo estar a ver mal, como é que se justifica:

 

1) gastar mais de 10.000,00 euros num GPS para um instituto público como o ISEP - quando nos dizem que não há dinheiro para baixar as propinas aos alunos.

 

 2) Aquisição de:1 armário persiana; 2 mesas de computador; 3 cadeiras c/rodízios, braços e costas altas - pela módica quantia de 97.560,00 EUROS(!!!)

 

 3) Em Vale de Cambra, vai-se mais longe... e se pensam que o Ferrari do Cristiano Ronaldo é caro, esperem para ver quanto custa um autocarro de 16 lugares para as crianças: 2.922.000,00 €

É isso mesmo: quase 3 milhões de euros??? 

 

 4) No Alentejo, as reparações de fotocopiadoras também não ficam baratas: 

Reparação de 2 Fotocopiadores WorkCentre Pró 412 e Fotocopiador WorkCentre PE 16 do Centro de Saúde de Portel: 45.144,00 €

 

 5) Ao menos em Alcobaça, a felicidade e alegria as crianças fala mais alto: 8.849,60€ para a Concentra em brinquedos para os filhos dos funcionários da câmara!

Crianças... se não receberam uma Nintendo Wii no Natal, reclamem ao Pai Natal, porque alguém vos atrofiou o esquema!

 

 6) Mas voltemos ao Alentejo, onde - por uns meros 375.600,00 Euros se podem adquirir:  "14 módulos de 3 cadeiras em viga e 10 módulos de 2 cadeiras em viga"

 

Ora... 14x3 + 10x2 =  62 cadeiras... a 375.600,00 euros dá um custo de...6.058,00 Euros por cadeira!

Mas, pensando bem, num país onde quem precisa de ir a um hospital passa mais tempo sentado à espera do que a ser atendido - talvez justifique investir estes montantes no conforto dos utentes...

 

 7) Em Ílhavo, a informática também está cara, 3 computadores e mais uns acessórios custam 380.666,00 €

Sem dúvida, uns supercomputadores para a Câmara Municipal conseguir descobrir onde andam a estourar o orçamento.

 

 8) Falando em informática, se se interrogam sobre o facto da Microsoft ser tão amiga do nosso País, e de como o Bill Gates é/era o homem mais rico do mundo... é fácil quando se olham para as contas: Renovação do licenciamento do software Microsoft: 14.360.063,00 €

Já diz o ditado popular: Dezena de milhão a dezena de milhão, enche a Microsoft o papo!

(Já agora, isto dava para quantas reformas de pessoas que trabalharam uma vida inteira?)

 

 9) Mas, para acabar em pleno, c...g..r na capital fica caro meus amigos! A Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa gastou 5.806,08 € em 9072 rolos de papel higiénico!

Ora, uma pesquisa rápida pela net revelou-me que no Jumbo facilmente encontro rolos de papel higiénico (de folha dupla, pois claro! - pois não queremos tratar indignamente os rabos dos nossos futuros doutores) por cerca de 0,16 Euros a unidade...

Mas na Faculdade de Letras, aparentemente isso não é suficiente, e o melhor que conseguiram foi um preço de 0,64 Euros a unidade!

É "apenas" quatro vezes mais do que qualquer consumidor consegue comprar - e sem sequer pensarmos no factor de "descontos" para tais quantidades industriais.

 

 Num País minimamente decente, eu deveria poder exigir que me devolvessem o valor pago em excesso, não?

Mandava o link para a Faculdade de Letras de Lisboa, e exigia que me devolvessem os 4.000 e tal euros pagos a mais. (Se comprassem no Jumbo, teriam pago apenas 1.451 euros pelo mesmo número de rolos de papel higiénico.)

 

 Ó MEUS AMIGOS.... como é que é possível justificarem estas situações?

Que, como se pode imaginar, não são as únicas. Se continuasse a pesquisar nunca mais parava - como por exemplo, os mais de 650 mil euros gastos em vinho tinto e branco em Loures. Leitores de Loures, não têm por aí nada onde estes 650 mil euros fossem melhor empregues???

 

 É preciso ser doutor, ou engenheiro, ou ministro, ou criar uma comissão de inquérito, para perceber como o dinheiro dos nossos impostos anda a ser desperdiçado? 

Isto até me deixa doente... é mesmo deitar o dinheiro pela retrete abaixo (literalmente, no caso da Faculdade de Letras de Lisboa!)

 

Querem mais? Divirtam-se no portal da transparência!

 

Sugestões de pesquisa: viagens, viaturas, Natal...  

 

Outros candidatos a roubalheira do ano:

 

 "Projecto tempus - viagem aérea Faro / Zagreb e regresso a Faro para 1 pessoa no período de 3 a 6 de Dezembro de 2008" - 33.745,00 euros.

 

"Aluguer de iluminação natalícia para arruamentos na cidade de estremoz" - 1.915.000,00 euros

 

"Aluguer de tenda para inauguração do Museu do Castelo de Sines" - 1.236.500,00 euros

 

"6 kit de mala piaggio Fly para as motorizadas do sector de águas" - 106.596,00 euros

(por este valor compravam 6 automóveis, todos equipados, e ainda sobrava dinheiro!) 

 

O misterioso caso do "Router de 400 euros comprado por 35.000,00 Euros"

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:17







Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

Links

Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas