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E a tempestade que não amainava

por Cristina Ribeiro, em 09.02.09

.A chuva caía que Deus a dava, formando uma cortina de água que lhe embaciava tudo à frente do nariz um metro. Ainda há pouquinho vira-se forçada a abrigar-se debaixo de um telheiro, tamanha a carga d'água...

De quando em quando, um clarão rasgava o céu, escuro como breu, logo seguido de um estrondo que a fazia levar as mãos aos ouvidos, e encolher-se dentro do xaile. Sempre tivera medo da trovoada, e já por várias vezes forçara a memória a tentar lembrar a oração que, tantas vezes ouvira, em criança,à mãe, num apelo a Santa Bárbara, mas em vão.

 

                             Enquanto nisto pensava, apreensiva com os estragos que pudessem ter havido no telhado da casa, onde morava com o pai, a chuva como que se fez mais fraca. Era altura de dar uma corrida e galgar a já não muita distância que a separava desse abrigo, apesar dos pesares...; mas havia de se lembrar de pedir ao vizinho para que, assim que o tempo o permitisse, desse uma olhada nas velhas telhas.

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publicado às 18:37


15 comentários

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De Lady-Bird a 09.02.2009 às 19:33

Cristina, já postei uma vez:
Santa Bárbara se vestiu

Santa Bárbara se calçou

E O Senhor lhe perguntou:

Oh Bárbara onde vais?

Vou espalhar a trovoada!

Espalha-a lá para bem longe
onde não haja pão e vinho
nem flor de rosmaninho
nem alma de gente cristã!

O Senhor morreu na cruz
para sempre Ámen Jesus

Beijinho
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De Cristina Ribeiro a 09.02.2009 às 19:44

Obrigada, Lady-Bird.
Só embro que na oração que rezava a minha avó, depois de " nem flor de rosmaninho " dizia " nem bafo de menino pequeninho ".

Beijinho
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De Joana a 09.02.2009 às 20:42

Conheço esta versão diferente, Cristina:

Santa Bárbara bendita,
que no Céu estás escrita.
Com raminho de água benta,
livrai-nos desta tormenta
lá para a serra do Marão,
onde não haja vinho nem pão,
nem leira nem beira,
nem galo que cante
nem figueira que espante.
Para sempre.
Ámen.


----------

E também estas duas:

Santo António se vestiu.
Santo António se calçou,
as suas mãos lavou e
ao mundo se botou.
Nosso Senhor encontrou,
que logo lhe perguntou:
- Tu, António, onde vais?
- Eu, Senhor, convosco irei!
- Tu comigo não irás! No deserto ficarás,
a espalhar as trovoadas
que andam no Mundo armadas.
Vai António, vai!
Atira-as para o maninho
onde não haja nem pão nem vinho,
nem leira nem beira,
nem pau de figueira, nem galo que cante,
nem figueira que espante!
Para sempre.
Ámen.


----------


São Joãozinho se levantou…

- Onde vais São Joãozinho?
- Vou arredar as trovoadas…
- Arreda-as lá pr’a bem longe,
Onde não haja leira nem beira,
Nem pé de figueira,
Nem gadelho de lã,
Nem alma cristã.
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De Joana a 09.02.2009 às 20:45

Nota: onde se lê "leira" tambem costuma dizer-se "eira".
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De Cristina Ribeiro a 09.02.2009 às 21:36

A ver se agora a trovoada nos dá tréguas, Joana...
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De Nuno Castelo-Branco a 09.02.2009 às 22:20

Cristina, mande parar o inverno. Estou FARTO! Droga!
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De Cristina Ribeiro a 09.02.2009 às 22:24

Tivesse eu poderes, Nuno...
Nem imagina o que me tem custado...
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De Ana Vidal a 09.02.2009 às 22:36

Ena, com tanta oração a Santa Bárbara o inverno não entra aqui!

Aqui está a versão integral, com mais telhas partidas mas menos sustos... :-)
Beijinho, Cristina
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De Cristina Ribeiro a 10.02.2009 às 00:16

É que dela já estamos fartos, Ana :)
Beijinho
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De carlosbarbosaoli a 09.02.2009 às 23:27

Se amanhã estiver um belo dia de sol, de certeza qu se deve a esta caixa de comentários, Cristina!
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De Cristina Ribeiro a 10.02.2009 às 00:18

Se for essa a solução, Carlos... :)
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De patti a 10.02.2009 às 00:17

Eu também vinha colocar aqui a oração, mas vejo que há que chegue e assim ela nos ouça.
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De Cristina Ribeiro a 10.02.2009 às 00:19

Nunca são demais, Patti :)
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De Diogo a 10.02.2009 às 11:59

Muito bonito o texto, Cristina, e adorei as orações. Não as conhecia.
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De Cristina Ribeiro a 10.02.2009 às 12:11

Obrigada, Diogo :)

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