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Encontros improváveis

por Nuno Castelo-Branco, em 11.02.09

 Oiçam-se as pessoas na rua, tome-se o pulso do que se passa nas universidades, nos bairros populares, nos transportes públicos, no pequeno comércio, nas fábricas e empresas que ameaçam falir, por toda a parte do País, e compreender-se-á que estamos perante um ingrediente que tem demasiadas componentes prestes a explodir”, alertava então, acrescentando que nada fazia prever uma melhoria desse sentimento em 2009.

 

Estas palavras de Mário Soares, correspondem exactamente ao sentimento generalizado da opinião pública, exactamente aquela que ao invés do ex-deputado, ex-ministro, ex-primeiro ministro e ex-"presidente da república", viaja todos dias em transportes públicos, faz compras no Minipreço, vive em bairros populares ou deita as mãos à cabeça, sem saber como salvar a pequena empresa que dá o sustento a umas quantas famílias.

 

São estas, as gentes, a chusma que não beneficia de motorista pago pelo Estado; que não pode recorrer aos cartões de pagamento fornecidos pelo Poder, à guisa de despesas de representação; é a turbamulta que não pode contar com assessorias e viagens à conta do Erário Público; sim, são aqueles mesmos que jamais usufruirão de uma aposentadoria - é reforma, segundo os parâmetros vigentes -  de contornos futeboleiros; também é a pobre ralé que não tem o poder que baste para oferecer empregos confortáveis à mulher, ao marido, aos filhos, primos, enteados, compadres e comadres; é claro que são os mesmíssimos que não se compaginam com o princípio da mobilidade que os priva das desconfortáveis e bastante visíveis cadeiras de ministros ou secretários de Estado e que logo transitam para o mais discreto sofá de veludo de um gabinete de Conselho de Administração de uma grande empresa pública ou privada; para não nos alongarmos, apenas concluiremos tratar-se precisamente das mesmas bestas de carga que não sonham sequer com a possibilidade de poder gastar cinco ou seis mil Euros mensais numa conta de telemóvel a ser paga pelos demais contribuintes. Em suma, são os enteados da república, os tais 90% de idiotas que resignadamente a sustentam.

 

Exactamente. É esta multidão de chicoteados fiscais que o Dr. Mário Soares, o Prof. Cavaco Silva, o Dr. Sampaio, o Dr. Barroso, o Eng. Guterres, o Dr. Louçã e a "never ending procession" de ministros, secretários de Estado, sub-secretários, directores gerais, administradores públicos, presidentes disto e daquilo e assessores (ou acessores?), jamais encontrarão à mesa do café, para uma morna cavaqueira sobre a "situação". Nós.

 

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publicado às 13:01


5 comentários

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De Diogo a 11.02.2009 às 18:44

É isso mesmo. É o povo que mais sofre neste Portugal socialista. Estranho, ou talvez não.
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De De Puta Madre a 11.02.2009 às 20:35

Creio que o povo até está na expectativa que eles se estatelem y que o mundo dê uma volta a sério.
Eles é que me parecem que estão bem entalados se o vento muda.
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De Margarida Pereira a 11.02.2009 às 20:45

Sejamos realistas: nada haverá de mudar. Nada.
Surgirão outros Nunos e demais revoltados lúcidos e contundentes, O estado das coisas seguirá para ralé e elite.
Sempre assim foi.
Sempre assim será.
Não invalida que reparemos, protestemos, sonhemos.
Mas não nos iludamos.
(beijinho Nuno)
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De Nuno Castelo-Branco a 11.02.2009 às 21:56

hummmmmmmmm, vade retro, Maggie. temos mesmo que mudar. Ou então vai o país inteiro para o Alto de São João!
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De João Amorim a 12.02.2009 às 19:15

caro Nuno

Está a ver o sr soares a ceder a sua fundação para uma cantina dos pobres, cheia de "ingredientes"?

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