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Profeta Obama envia papiro à Estrela e a Belém

por Nuno Castelo-Branco, em 16.02.09

 

O espírito da Aldeia da Roupa Branca, do Costa do Castelo e do Leão da Estrela, tem sido uma constante. O exibicionismo de corte suburbano, ilusão de grandeza ou arrivismo parolo, dita ciclicamente os noticiários de uma informação que pretendendo sê-lo, é muitas vezes, apenas ficção.

 

A propósito do soar de trombetas à maneira de triunfo romano, ontem escutámos dezenas de vezes, a importante boa nova da chegada de uma carta de São Obama a Belém, implorando os serviços do sr. Cavaco Silva para a sua decisiva intervenção no surgimento de uma nova ordem mundial. Para sublinhar a salomónica deferência, parece que o sr. primeiro-ministro recebeu a mesmíssima missiva, contentando desta forma, um dos eventuais vencedores da contenda que se trava entre Belém e S. Bento. Exultaram as comadres do costume, colocaram-se tacões altos nos mocassins, deram-se a ares de grande gente e trauteiam a Cantiga da Rua. Isto está a pedir comemoração nacional e o abrir dos cordões à bolsa do saco azul das despesas de representação! E para a satisfação ser completa, a notícia foi dada no próprio Dia dos Namorados, ele próprio uma típica americanada. Enfim, lá vai mais uma recordaçãozinha devidamente emoldurada, para a marquise anodizada.

 

Pobres diabos, o que eles não podem sequer imaginar, é que todos nós sabemos que as secretárias "yes sir" da Casa Branca, passaram um dia inteiro da semana numa fona de copy-paste, para que os mais de duzentos Chefes de Estado deste planeta recebessem o obameiro cartão de visita no invulgar formato A4. Foi mais ou menos assim:

 

- "Melissa, you'll send the letters to the countries starting with P, just like Paraguay, Papua, Pakistan, Panama, the Philippinnes, Peru, Poland and Palau. Aow, yeah!, do not forget Portugal!"

 

- "Ok, Brenda, i'll do it rigth now"...

 

Para os aspirantes a mainatos da 4ª república, tudo serve de pretexto: mesmo o ridículo.

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publicado às 09:54


4 comentários

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De António de Almeida a 16.02.2009 às 13:05

Faz lembrar aquelas cartas que recebemos a promover isto ou aquilo, considerando-nos únicos e importantes, quando na realidade foram enviadas a mais uns quantos milhares, na esperança que algumas dezenas lhes prestem atenção. Percebo que Obama tenha enviado uma carta a diversos governos e chefes de estado, já não percebo é a importância que por cá a notícia mereceu.
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De Samuel de Paiva Pires a 16.02.2009 às 13:46

E o pior é que esse diálogo imaginado até é bastante verosímil :)
De resto, concordo com o António, não havia qualquer necessidade da comunicação social portuguesa prestar tamanha vassalagem a uma coisa de pouco significado mas, em segundo lugar, também a Obama assiste alguma falta de classe e de diplomacia, mas é normal, os Estados Unidos podem-se dar ao luxo de o fazer!
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De Rui Costa a 16.02.2009 às 17:53

Mas até os aspirantes a mainatos da 4ª República sabem disso. Pena que outros não o saibam. Porquê confundir as coisas?

A realidade é mesmo essa, há que criar um hype à volta da carta porque assim nos sentimos maiores. Como diz um amigo meu Portugal tem um grande complexo de inferioridade, afinal temos que ter sempre as maiores árvores de natal do mundo, os maiores centros comerciais, etc. Vá-se lá saber porquê quando temos uma das melhores gastronomias do mundo (ok, sou tendencioso) e a sexta língua com mais falantes. Essa sim, tão mal cuidada.

Acredito que o povo ou opinião pública (como prefiram) não é assim tão estúpida que ainda não tenha percebido, mas ou estou muito enganado ou há uma grande discrepância entre aquilo que os nossos órgãos de comunicação social nos oferecem e a capacidade de análise das pessoas. Neste caso, para o mais comum dos portugueses este anúncio não diz nada, alguns têm percepção que é um exercício de vaidade das televisões e afins, a maioria (palavra perigosa) nem sabem o que significa ou nem sequer se interessam e uma pequena faixa crê que é realmente importante. Mas haveria tanto a dizer sobre isso.

Mas a piada é boa e o apontamento perspicaz.

Cumprimentos

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