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Tínhamos como vizinha na av. Dr. J. Serrão em Lourenço Marques, uma senhora chique que dava pelo nome de Alcina Cabral*. Amiga de escola da nossa avó Irlanda, era cerimoniosa e conduzia um gigantesco e fabuloso Chevrolet dos anos da II Guerra Mundial, escuro de um azul tinta que ao sol, reflectia tons de petróleo e roxo. Lindo. 

 

Um dia durante as "férias de Inverno" (10 de Junho/15 de Setembro, tempo ideal para a praia), do que nos fomos lembrar? Encontrámos uma garrafa vazia de Sovim - o vinho produzido na terra - e resolvemos fazer ............ lá para dentro, após o que colocámos a rolha no gargalo. Como tantas outras vezes, subimos pelo muro até ao telhado da garagem e lá deixámos o recipiente com o precioso líquido-bomba. Decorridos uns dois meses, recolhemos a coisa e nem sequer nos demos ao trabalho de verificar  pelo cheiro, a evolução do processo de putrefacção, pois o sol incandescente era sábio nas ajudas para este tipo de coisas.

 

Em Moçambique, não havia ninguém que não deixasse as janelas abertas, até porque os assaltos eram muito improváveis. Saía-se de casa com a certeza de no regresso, encontrá-la tal e qual como antes. Erro fatal da dona Alcina, porque eu e o Miguel lá entrámos pela janela da sala e deslocámos um pesado aparador de canto, afastando-o da parede. Desrolhámos a garrafa e de imediato tivemos a certeza do completo sucesso da missão de sabotagem. O cheirete era simplesmente pestilencial, pavoroso! Colocámos a arma de destruição maciça por detrás do móvel e após arrastá~lo novamente para o seu lugar, esgueirámo-nos mortos de riso para fora da casa. 

 

Decidimos ir comer um gelado à Casa de Gelados Italianos na Massano de Amorim e quando regressámos, foi com enorme satisfação que deparámos com um magote de gente diante da casa da vizinha. Até os bombeiros lá foram e os mortais eflúvios que a residência emanava, indicavam a presença de algo morto há bastante tempo, coisa que para a aflitíssima dona Alcina, era impossível:

 

- Não pode ser, ainda há umas horas estava tudo bem, deve ser um cano de esgoto...

 

Não era, não!

 

Quando a nossa mãe chegou do trabalho e nos viu lacrimosos e de cara inchada de tanto gargalhar, percebeu logo que ali havia coisa.  Como já se tinha inteirado do "Caso do Morto em Casa da Vizinha", ficou fula da vida e ameaçou-nos severamente. Coisa de pouca dura, porque também desatou a rir, tal a tragédia que se passava apenas a uns metros de distância.

 

Conclusão da estória: ao fim de desarrumarem a casarona toda, lá deram com a garrafa de Sovim. Coisas da guerra química...

 

*Digo o nome da senhora, porque já faleceu.

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publicado às 18:20


3 comentários

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De Daniel João Santos a 23.02.2009 às 21:03

Eu era mais sossegado... se calhar, infelizmente.
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De Anónimo a 23.02.2009 às 21:33




A minha maior patifaria ( e penso ganhar este concurso)

Tinha eu uns 8 anos e vivia, nessa altura, 1965/66, no Alentejo. Nas férias de Verão removíamo-nos, em regime de família alargada, para o Estoril e íamos a banhos na praia do Tamariz onde se comiam uns gelados que ainda hoje trago na memória e se nadava até uma prancha afastada da praia. As férias de Verão eram longas e no resto do tempo a criançada concentrava-se na casa dos meus avós maternos, nascidos no Fundão ( Donas), mas a viverem no Alentejo havia bastantes anos, todas os primos e primas de todas as idades.
Nessa noite quentíssima e abafada do ano de 66 ou 67 espreitei pela janela e vi acesa a luz na casa de uma criatura nossa vizinha que protestava contra as nossas brincadeiras e havia-me denunciado nesse dia aos meus avós porque eu tinha passado a tarde metida no tomatal e em cima de 1 figueira na hora da sesta."Uma rapazona"exclamava ela todo o dia. Se ela soubesse as saudades que eu tenho desses cheiros das coisas que a terra dava...
Feliz oportunidade a minha. Tinha a senhora levado para casa, como era hábito nesse tempo, uma peça de tecido, da loja, para escolher em casa um fato para o marido, lavrador de patilhas até à boca, e estava a observá-lo com satisfação. Eu, empoleirada numa árvore e mal apoiada num parapeito, toda torcida e aflita da bexiga resolvi, ali mesmo e naquela hora, concretizar a minha vingança.
Pesarosa por não poder fazer xixi como o meu irmão lá me retorci o melhor que pude e urinei janela abaixo em direcção à peça de tecido da bruxa má. Em seguida corri para casa e dormi feliz.
Escusado será dizer que, conjugando a hora que saí de casa com a hora do crime, a minha avó logo desconfiou de mim ao ouvir os lamentos da vizinha que não percebia como é que o tecido lhe cheirava tão mal, e agora o que é que ela ía dizer na loja.
Depois de um dia de arejamento da peça lá a levou à loja e cortou o necessário para o tal fato mas eu não me livrei de dias de castigo e de uma carta para Angola, onde estavam os meus pais e onde se lia, palavras da minha avó Ana, que eu era "um vivo diabo".
Juro que não sou mas que isto foi uma grande patifaria ai isso foi.
Quem me iguala?


( Junto envio foto para o seu mail )
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De Nuno Castelo-Branco a 23.02.2009 às 22:58

eheheheheh, adoro estorietas destas!

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