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Ainda assim Cristina

por Samuel de Paiva Pires, em 24.02.09

"Medida cautelar" ou "apreensão cautelar" em nome da manutenção da ordem pública, creio que não está nada longe de ser uma excelente definição para o conceito de censura prévia. Reproduzo ainda alguns escritos que se podem encontrar na blogosfera a este respeito, não sem antes retomar parte de um post meu de há uns meses, em que falava de um caso bem mais "pornográfico", a série Morangos com Açúcar, e esse sim preocupante pois passa-se numa televisão de sinal aberto que apesar de detida por privados presta um serviço público (teoricamente...):

 

É óbvio que nos dias que correm as crianças têm acesso a tudo e mais alguma coisa, seja pela televisão, revistas, livros, internet. Já há 10 anos atrás, quando eu tinha 11 anos, tinha acesso a imensa informação principalmente através da internet, que na altura ainda muito pouca gente tinha. Ainda para mais se tiverem acesso a algum serviço de tv por cabo ou satélite, facilmente acederão por exemplo a pornografia gratuitamente, tal como através da internet. Mas esses são serviços pagos, não são serviços públicos como as televisões de sinal aberto, repito, ainda que privadas, se prestam a ser, que desempenham um grande papel de influência em muitas mentes ainda em processo de formação pessoal e social.

 

Dizem que as "criancinhas" estavam agitadas? Vivemos num mundo completamente diferente daquele de há décadas atrás. Eu com 5 anos já sabia o que eram os respectivos aparelhos reprodutores e como se "faziam bebés". As tais "criancinhas" por ora já devem saber mais do assunto do que porventura alguns dos polícias envolvidos na "apreensão cautelar". E por isso é que escrevi que, com a quantidade de material pornográfico que há pelas ruas do país e, já agora, nas televisões, há muitos postos de trabalho à espera de serem preenchidos, com certeza...

 

Aqui ficam então alguns excertos do que se pode encontrar na blogosfera a este respeito:

 

A apreensão de ontem, mais do que acto censório, é uma performance artística em si mesma. No seu implacável legalismo, o gesto policial re-actualizou a afirmação estética  de um quadro que nunca se quis  respeitosamente admirado, e muito menos banalizado em reproduções displicentemente espalhadas por bancas de livreiros. E isso, caro leitor, é serviço público. (Vasco Campilho no 31 da Armada)


Agora, não deixa de ser estranho que em tão poucos dias e sempre a pretexto da pornografia pudéssemos assistir à  rábula  dos autocolantes carnavalescos do Magalhães, protagonizada pelo Ministério Público e agora a este episódio  em Braga, digamos, mais artístico…Juraria que já vi cenas análogas no “Conta-me como foi“  e, independentemente da  razoabilidade (ou não) da intervenção da PSP,  é isso que me deixa a pensar… (PMF no Blasfémias)


Imaginemos que amanhã decido ir à Bertrand e, deparando-me com a tal capa pornográfica para as mentes retorcidas de alguns, alego que desato a bater em tudo e em todos se a mesma não for apreendida. Terá a PSP legitimidade para a apreender a obra? Pelos vistos, tem. A justificação encontrada pela PSP de Braga para a medida censória de ontem não faz qualquer sentido, constituindo-se como um precedente muito perigoso para a nossa democracia. A ideia de censura preventiva não é feliz, abrindo portas a todo o tipo de condicionamento da liberdade de expressão, em nome da moral púdica e atávica de um punhado de gente que ainda não chegou ao século XXI. (Pedro Morgado no Avenida Central)

 

A PSP de Braga está preocupada com os bons costumes. Começa sempre assim: Com um imenso moralismo. (André Abrantes Amaral n'O Insurgente)

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publicado às 23:52


2 comentários

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De PF a 25.02.2009 às 05:30

Permita-me comentar o seguinte:
Já todos sabemos que hoje em dia os putos "nascem ensinados" e têm acesso a tudo na net e fora dela, para lá de uma escola do arco da velha. Já no meu tempo e no seu se dizia quase a mesma coisa. Ninguém quis tirar a nudez das vistas de criancinhas desprotegidas, por isso não é isso que está em causa.
O que esteve em causa na apreensão por parte da PSP foi um acto em que se optou, mal ou bem, pelo denominado mal menor. Havendo aparente agitação da ordem pública, queixas e pedidos de intervenção por parte dos livreiros, impunha-se uma actuação. Porquê? Não sei. Prefiro não denegrir o povo de Braga, pois já lá trabalhei e é boa gente na maioria que lá vive. Talvez fosse um dia mais agitado para os putos e respectivos pais, sabemos lá bem! O que é certo é que a polícia entre a hipótese de começar a invectivar e autuar em plena confusão ao ar livre e evitando mais desaguisados e a hipótese de apreender os livros optou por esta última.
Aqui d'el rey ! O que foste fazer?! Por cinco exemplares de um livro caduco e em saldo e re-saldo evoca-se sei lá que doutrinas, ideais, filosofias políticas e do direito... E compara-se com o incomparável: o caso de Torres Vedras, em relação ao qual o cu nada tem a ver com as calças.
Em suma, a polícia já devolveu os exemplares, o arraial já abrandou e a polícia actuou como achou que devia e podia actuar pois ela melhor do que ninguém conhece a comunidade onde vive. Quando assim é, há menos possibilidade de alguém se aleijar, excepto os ideólogos iluminados do costume, entre os quais não incluo o Samuel, mas sim aqueles que citou.
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De Samuel de Paiva Pires a 26.02.2009 às 01:59

Caro PF, por ora parece-me que o destaque que esta notícia ganhou é imerecido, vem apenas num contexto de escalada em conjunto com aquela outra notícia que referiu, do Carnaval de Torres, e não se sabe bem ao certo o que se passou. No entanto, tal como já comentei no post da Cristina, até consigo certamente entender a acção, mas o que me preocupa é o precedente perigoso!
Saudações!

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