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A proposta de Obama aos russos

por Nuno Castelo-Branco, em 03.03.09

 A segunda parte da saga do escudo anti-mísseis a ser instalado pelos EUA na Europa central, parece ter um auspicioso início, com a recente proposta de Obama  em proceder a a algumas concessões à Rússia, em troca da sua cooperação no dossier nuclear iraniano. 

 

A política estratégica de afirmação das grandes potências, manifesta-se  em regra, através de acções unilaterais que servirão num futuro próximo, como argumento do qual se esperarão contrapartidas por parte do adversário. Parece ser este o caso, no exacto momento em que Moscovo e Kiev assinam um "armistício" na sua já longa luta pelo gás natural, do qual dependem alguns outros Estados da região. Com os preços do petróleo em queda e a retirar aos russos as hipóteses de um continuo avolumar de lucros que lhes garantam um ininterrupto crescimento económico interno e o aumento da influência no mundo, Putin deverá repensar a sua política externa. Se não é previsível um abrupto corte na colaboração nuclear com o Irão, não poderá contudo hostilizar demasiadamente a nova administração americana. A venda de tecnologia aos iranianos, além de ser fonte segura de ingresso de capitais, estimula a indústria russa, cria empregos e garante uma certa influência política no gizar de alianças, mesmo que efémeras e aparentemente contra-natura. Serve assim perfeitamente, como moeda de troca noutra área bastante sensível para Moscovo, como o Cáucaso e as suas fronteiras ocidentais na Europa.

 

A antiga Ásia central soviética é uma zona vital no que respeita a recursos energéticos e o regime de Teerão poderá fazer pesar a ameaça de promover a desestabilização naqueles novos Estados, maioritariamente muçulmanos. Na própria China, na ocidental região de Sinkiang, os islamitas já procedem a reivindicações de ordem política que poderão fazer eclodir manifestações separatistas. Se a este quadro acrescentarmos países como o Cazaquistão e aqueles que partilham fortes raízes culturais com a Turquia, o conflito até agora circunscrito ao Médio Oriente poderá alastrar a uma região muito instável, onde indianos e paquistaneses também têm um contencioso na delimitação de fronteiras e de zonas de influência. Desta forma, Washington tem como recurso o apoio turco, bastante influente na área e até aqui mantido afastado devido ao problema curdo e à crescente tentação de intervenção de Ancara no norte do Iraque.

 

Neste momento de crise global, torna-se assim desejável um pleno entendimento entre o Ocidente e a Rússia.

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publicado às 13:37







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