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Ainda falam de D. José Policarpo...

por João de Brecht, em 07.03.09

 Excomungados por fazer aborto a menina de 9 anos

 

 

 

 

O acerbispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, excomungou, esta quarta-feira, a mãe, os médicos e outros envolvidos no aborto realizado por uma menina de 9 anos, grávida de gémeos. Segundo a polícia brasileira, a criança foi violada pelo padrasto, que terá confessado os abusos.

A menina foi para uma maternidade pública no Recife. Assim que foi internada, na terça-feira, começou a ser medicada de forma a interromper a gravidez. No final da manhã desta quarta-feira, abortou. "Se a gravidez continuasse, os danos seriam piores. A menina corria o risco de morte ou de ficar com sequelas definitivas e não poder voltar a engravidar”, argumentou o médico Olímpio Moraes.

A reacção do arcebispo foi imediata. Assim que soube que o aborto tinha sido consumado, Dom José Cardoso Sobrinho disse que “a Igreja Católica considera que houve um crime e um acto inaceitável para a doutrina". Assim, decidiu que "todas as pessoas que participaram do aborto, com exceção da criança, estão excomungadas da Igreja", afirmou.

“Para incorrer nessa penalidade eclesiástica, é preciso maioridade. A Igreja é muito benévola com os menores. Agora os adultos, quem aprovou, quem realizou esse aborto, incorreu na excomunhão”, afirmou Dom José Cardoso Sobrinho, que faz parte da ala mais conservadora da Igreja.

De acordo com o arcebispo “aos olhos da Igreja, o aborto foi um crime, pois a lei do Homem não está acima das leis de Deus”. A lei dos homens, nomeadamente a brasileira, tem duas indicações legais para o aborto ser legal: em caso de violação e de risco de vida. A menina estava incluída nos dois casos.

As entidades de defesa da mulher, criança e adolescente discordam da decisão do arcebispo. “Há organizações que não levam em consideração a vida desta menina num momento como este e fazem uma grande polémica em torno do caso que é aprovado por lei”, afirma a educadora do SOS Corpo, Carla Batista.

O teólogo e ex-professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC), João Batistiole, acha que  a excomungação “é uma posição dura, difícil de entender", uma posição institucional. "Acho que a igreja perde um pouco da credibilidade perante os fieis”, acrescentou.

 

Fonte: Jornal de Notícias - 6 de Março de 2009

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publicado às 20:37


38 comentários

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De Daniel João Santos a 07.03.2009 às 21:20

permita-me ser um pouco radical e sem faltar o respeito a este belíssimo blogue.

O senhor arcebispo é uma besta.

peço outra vez desculpa.
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De João de Brecht a 07.03.2009 às 21:31

Amigo Daniel, não tem de pedir desculpa a ninguém. O que aconteceu (na minha modesta opinião de observador) foi essa sim uma imensa falta de respeito para com os intervenientes.
Esta medida extrema (que a mim nada me diz, mas faço ideia o que significará para um católico praticante!) foi completamente despropositada e reveladora de uma falta de carácter e capacidade e analisar a situação...

Enfim, lamentável situação!
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De Cristina Ribeiro a 07.03.2009 às 21:46

São coisas destas que, enfim...
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De Jonh a 13.03.2009 às 21:07

Concordo. Uma besta quadrada.
E também peço desculpas pelo termo.
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De elaine a 15.03.2009 às 00:22

covarde naõ e o estrupador mas sim aqueles que tiram a vida de inocentes que naõ podem gritar por socorro. como esses bebes gemeos.parabens igreja catolica. defendam a vida com todas as forças ,vcs estaõ no caminho certo.DEUS nao vos pedira contas destas vidas e de tantas que naõ saõ dado o direito de escolher se querem ou naõ viver. arcebispo fez a coisa certa os homens naõ tem o direito de ser deus.E decidirem pela vida ou morte de alguem so porque dedusiram o futuro desta pobre criança de nove anos,que foi uma vitima deste pobre coitado doente da alma.arrependamos e voltemos para DEUS enquanto e tempo.antes que sua ira caia sobre nos.
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De João Pedro a 07.03.2009 às 23:23

O Bispo tem razão numa coisa: as leis de Deus estão acima das leis do homem, e como homem que é, deveria reflectir no perigo da criança morrer se engravidasse (e até é provável que os filhos não resisitissem), e mais ainda, o facto de nem sequer censurar o violador. Ao que parece, violar uma criança não tem nada de mais. Anda o Papa a condenar a violência sobre as crianças para depois acontecer isto...
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De João de Brecht a 07.03.2009 às 23:37

Caro João Pedro, as "leis de Deus" são algo que não temos de seguir piamente (até porque num estado laico não se assumem como fenómeno jurídico, logo não podem ser legalmente punidas). Concordo plenamente com o seu comentário se em vez de falarmos em leis de Deus, a substituirmos pela moral; essa sim deve estar não acima da lei mas paralela, para que haja um bom costume aliado à lei cívica.
A verdade é que o Direito não considera elementos normativos que tomamos como "obrigatórios" no nosso dia-a-dia.
A Igreja Católica, como qualquer outra instituição, tem o muito bom e o muito mau, e não é muito boa e muito má por isso; por muita santidade que envolva não nos podemos esquecer que é composta por homens, e esses... Correm o risco de errar (como na minha opinião foi este caso)
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De João Pedro a 08.03.2009 às 01:10

Claro, João, eu também não acho que estado algum (excepto o Vaticano) deva seguir o Código Canónico, embora pense que os países de cultura cristã não a devam pura e simplesmente ignorar e sim tomá-la como uma das influências civilizacionais; mas quando me referia ao homem que "deveria reflectir no perigo da criança morrer" estava a falar do bispo; isso além da sua insensabilidade perante a violação, como se fosse uma falta menor. E tem alguns paralelos com um caso recente sobre o qual cheguei a escrever:

http://aagora.blogspot.com/2008/12/misria-do-stj-i-deixei-passar-algumas.html
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De Nuno Castelo-Branco a 07.03.2009 às 23:25

Que idiotia...
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De Diogo a 07.03.2009 às 23:50

A situação tal como é descrita não tens pés nem cabeça. Mas a mediatização de casos destes da forma como é feita é que tem um interesse claro. O descrédito da Igreja e, pior, dos Valores Cristãos. A Igreja é feita por homens, logo falível em situações pontuais. Não se devem é confundir Valores Cristãos com o homem que os interpreta, e é isso que este tipo de notícias visa fazer confundir.
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De André Ferreira a 08.03.2009 às 00:11

Como católico, parece-me uma valente estupidez excumungar quem quer que seja por praticar aborto. Eu nunca o faria, mas não me compete a mim julgar. Quantas vezes a Igreja advoga pelas leis de Deus? A verdade é que todos somos Homens e, portanto, para além de falíveis, não somos certamente capazes de escrutinar quais serão as leis de Deus.

Tomando, como mero exercício de lógica, que existe apenas uma lei divina: Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei, podemos deduzir que o amor deverá ser aquilo que nos move e, como tal, mesmo hipotéticos erros, quando motivados por amor são na verdade inconsideráveis como sendo-o. Certamente, o que fez a mãe actuar desta forma foi o amor pela filha, logo, não é censurável. O mesmo, em caso absoluto, não se aplica ao pai, a quem Deus parece que, através da I. Católica, decidiu não punir. Irónico, não!?
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De O Corcunda a 08.03.2009 às 02:56

A leveza com que pessoas que não conseguem ter uma discussão básica sobre moralidade, condenam uma posição da Igreja, é que deveria ser motivo de preocupação. Já que um leitor, supostamente católico, escreve que o Mandamento do Amor é o mais importante, talvez seja tempo de perguntar por que razão ninguém tem aqui Amor por um nascituro...
Caso este sr. André fosse um católico minimamente ilustrado, saberia que a violação não é matéria de fé e portanto não se encontra sujeita ao direito canónico, não tendo por isso pena de excomunhão. Estranha-se a má-fé do sr. (assim como do João Pedro) que parece querer fazer crer que a Igreja até pactua com a violação. Rico católico! Rico católico também que exclui da equação a pessoa do nascituro, que (e isto sim é matéria de Fé!) agindo como se esta não existisse.

Aliás, esse é o grande problema de todos os que aqui escrevem, ao não perceberem que as pessoas que tomaram a decisão (uma decisão pública) o fizerem em desrespeito pelo Magistério, o que acarreta uma sanção. É evidente que se a criança abortasse, dados os contornos grotescos da história, ninguém a iria censurar (as circunstâncias são tão abjectas que são desculpabilizantes), mas a Igreja tem sempre que defender a parte do mais fraco, o nascituro, que é em tudo isto o menos culpado, porque simplesmente não nasceu...

Podemos obviamente discutir se há Vida na concepção ou depois, mas uma pessoa que aceita a Doutrina (um católico) não pode defender a eliminação de outrém a não ser no caso de auto-preservação, que neste caso se encontra medicamente mal-explicada.

Gostei muito de uma frase do J. Brecht: A Igreja tem do melhor e do pior.
Ainda que ele não compreenda nada do que está em discussão, ainda que não seja católico, considera-se com capacidade para saber o que é melhor para a Igreja. Deveria querer uma ideia que moldasse a Doutrina às suas vontades, à replicações de chavões de telejornal...
Moralidades sem Deus são desejos...

É muito engraçado que tanta gente sempre disposta a ser liberal para agradar ao mundo, se esqueça que o direito canónico é matéria da Igreja e dos crentes, não tendo quem não lhe pertence qualquer coisa a ver com o assunto (excepto em casos em que a Igreja viole o pacto com a comunidade, o que não é o caso porque não foi prender ou multar ninguém). Curiosamente são os não-crentes quem quer mudar o Direito Canónico... São todos socialistas?
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De André Ferreira a 08.03.2009 às 17:30

Caro Sr. Corcunda,

Como entenderá, neste caso específico, não me vali de nenhum tipo de argumento extraído do direito canónico pelo simples facto que não me parecia adequado à discussão. Se quiser, fá-lo-ei! Existe uma situação muito simples pela qual não gosto de me socorrer do direito canónico: metade desse direito transita directamente do período da Contra-reforma, anterior ao Concílio Vaticano II. Assim, este direito baseia-se numa Igreja sacramental, que se viu alterada com base na adaptação evangélica, decorrente deste mesmo concílio.

Ou seja, se no meu exercício puramente lógico, o senhor vê suficientes motivos para que eu enquanto indivíduo católico, membro da Igreja, não possa ter uma opinião pessoal, então posso por em causa a sua qualidade de democrata.

Um dos meus ídolos pessoais, como pode depreender, é o Papa João XIII, o grande reformador da Igreja, que o senhor deverá, por recorrência, detestar. Pena que o seu papado tenha sido curto!

Como disse no meu escrito, não sou a favor do aborto, mas compreendo a acção da mãe daquela jovem e creio que isso deveria ser suficiente para que a Igreja não se intrometa. Para além disso, e para os que não têm ideia de medicina, a criança (sim, criança, nem sequer é pré-adolescente) corria sérias ameaças à sua vida porque ainda não tinha as estrutura formadas para gerar sequer um bebé, quanto mais dois! O mais provável é que os bebés acabassem por sofrer danos teratogénicos (malformações) e a menina acabasse por morrer ou ter sérias consequências físicas e psicológicas.

A Doutrina não é a lei de Deus, mas da Igreja e se o senhor se acha na capacidade de mostrar qual a lei divina, faça o favor, mas que pelo menos não obrigue ninguém mais a fazer aquilo que você pensa. Até há um par de anos havia o limbo no direito canónico e, de súbito, deixou de existir. A Igreja quis mandar em Deus e dizer-lhe que devia ou não haver limbo? Não! A Igreja apenas se deu conta que não havia nenhuma razão para que o suposto limbo existisse.

O direito canónico é lei de Homens, não de Deus, assim que da próxima vez que quiser "picar" alguém e acusá-lo encapotadamente de ser mau católico, acuse alguém que não possa responder. Igualmente, não se esconda detrás de um pseudónimo.

A violação (o incesto é, e que neste caso se aplica) não é matéria de fé, diz o senhor, mas a acção médica também não o é, pelo que os médicos não poderiam ser excumungados, e foram-no! Os médicos e profissionais de saúde estamos obrigados a códigos deontológicos, pelo que essa acção não foi baseada em princípios reliogos-éticos, mas na acção médica pura.

A sobranceria é igualmente um pecado mortal e a assunção de superioridade moral é exactamente isso, assim que lhe peço que não ponha em causa a minha condição de católico e crente.
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De O Corcunda a 08.03.2009 às 22:54

Sobre as palavras do Sr. André Ferreira há apenas a dizer que estão em total ausência de comunhão com e com tudo o que esta defende.
1. Não existem duas Igrejas, a sacramental e a evangélica. O Papa Bento XVI não deixa nos seus escritos, qualquer margem para que V. acredite nisso, portanto encontra-se o André em perfeito cisma, não acreditando na unidade da Igreja.
2. Não me interessa para nada se V. me ache ou não um democrata. Diz o Catecismo que o Católico não pode, em matéria de Fé, pronunciar-se contra a Igreja. Uma vez que o faz e acha que tem direito a fazê-lo, incorre num erro grave.
3. O facto de dizer que a Doutrina, que vem da Revelação e é uma parte importante desta, ou é brincadeira ou ignorância ou cisma dessa tal Igreja que nasceu em 61.
4. Uma acção médica que seja contra uma vida inocente é sempre matéria de Fé e a sua ignorância sobre isso diz muito...
Ou seja, nada disto me diz que V. é católico (pelo contrário), mas diz muito da sua falta de comunhão com a Igreja.
Quanto aos meus pecados, lido com eles em sede própria. O que já não se pode dizer do seu cisma com a Igreja Una (através dos tempos), que assume aqui proporções bem públicas...
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De André Ferreira a 08.03.2009 às 23:26

Caro Sr. Corcunda,

A ignorância não é minha mas sua. Leia as actas do concílio que entenderá! Não existe realmente uma I. sacramental e uma evangélica, mas apenas um câmbio de base teológica que, se conhecesse realmente o catecismo, saberia e compreenderia o que afirmo. Em segundo lugar, todas as posições teológicas da I. católica são, de acordo com o direito canónico, tomadas em concílio, o que, contra todos os procedimentos dos últimos 5 séculos, não se tem verificado.

Para além disso, os Dogmas da Doutrina, em que se alicerça a I. católica sim que evitam a discussão da fé, mas não a sua teologia de base, e muito menos o Evangelho. A comunhão com a Igreja e a sua fé faz-se pelo seguimento do Credo e não por quaisquer outras razões. A qualquer pessoa baptizada e que siga o Credo chama-se-lhe de católico, inclusivé os anglicanos o são.

Da minha visão partilham muitos teólogos da I. católica, a ala mais liberal, que vê a fé como fenómeno mais interior partilhado em comunidade. Saiba que na IC existem mais visões do que aquelas que emanam das posições teológicas do Papa, que é ele mesmo um dos mais referidos teólogos no que toca ao abandono do sacramentalismo aquando de Vaticano II, que o senhor, obviamente, não sabe.

Se o senhor apenas lê o que escreve Bento XVI é pouco, comparado com o que é a I. Católica. São os Homens que se recusam ao inconformismo que mudam também a Igreja e basta ver o que ela mudou nos últimos 50 anos. Pense que talvez possa ter razão, mas não insulte a fé dos outros. Já lhe disse e volto a repetir: não apoio ou fomento o aborto, mas não posso ser eu a fazer julgamentos, e nem eu, nem a Igreja, mas apenas Deus.

A sorte é que a Igreja pode provocar a excumunhão da Igreja, mas não da fé! E como o que salva é a fé e as boas obras a Igreja pode excumungar quem quiser porque no final quem decide é Deus.
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De O Corcunda a 09.03.2009 às 00:07

Pois, pois. Já percebi. Deixo-o descansado sendo membro dessa Igreja do Vaticano II que se arrogou no direito de ir contra a Fé instituída para a protestantização da Igreja. Se é liberal e se acredita nessas interpretações teológicas, ainda há esperança. O liberalismo foi condenado pelos vários Papas. Qualquer Papa Pio o esclarece...
O facto de aceitar uma interpretação do V2 que invalida o que foi instituído na Contra-Reforma diz tudo sobre a sua adesão à Igreja Una, estando pois, por isso, conversados sobre a sua adesão ao Credo.

O seu protestantismo também se vê por considerar a validade do baptismo anglicano e por se congratular pela mudança de coisas que deveriam ser intemporais, pelo desprezo com que fala da interpretação do Papa preferindo certamente os Rahners, Lubacs, Kungs, que serão teólogos, mas da Igreja Católica já duvido...

O que é realmente preocupante é que o Sr. André Ferreira, acometido de muitos episódios de Oprah ou de Teologia da Libertação, vem aqui dizer que é contra o julgamento. Parece um mau capítulo de Foucault ou de uma treta New Age...
Se não julga, então pode-se fazer o que se quiser! E o que é uma cidade sem justiça e sem norma? Também despreza Santo Agostinho?
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De André Ferreira a 09.03.2009 às 00:43

Reveja os documentos da Igreja que aceitam os restantes baptismos cristãos como sendo válidos, que aceitam as diversas formas do cristianismo como meio de salvação. Fale com um sacerdote.

Nunca em toda a minha vida vi um programa da Oprah, e não sou contra o julgamento. Apenas digo que não o faço! Esse julgamento pertence às instituições civis. Não sou protestante e, como não sabe, o Papa reconheceu que é possível dentro de um tempo a união à igreja anglicana porque a base da fé é a mesma. Claro que consigo é impossível discutir. É impossível discutir com o fundamentalismo.

Não interpreto Vaticano II, limito-me a trasmitir a informação daí saída! Que o senhor não aceite as decisões aí tomadas e queira permanecer numa lógica de Contra-reforma barroca, por mim tudo bem! Não desprezo Santo Agostinho, mas analiso-o à luz do tempo e isso muda tudo. Senão ainda estaríamos na Idade Média, que é para onde nos quer projectar. A Contra-reforma não instituiu nada, foi apenas um período histórico!

Se o senhor acha que devíamos voltar ao Pré-Vaticano II, então defende o rito Tridentino, rejeita o Credo de Niceia, aquele que diz "Creio na Igreja Una Santa católica e Apostólica" que havia sido abolido e posteriormente restaurado.

Começa a contradizer-se, e isso apenas significa que os argumentos são débeis. Para além disso, vá ler ao código Canónico se o roubo e homicídio/suicídio são crimes civis. Não conhece o código Canónico e isso vê-se. Consulte com um padre.

A Igreja católica não aceita sequer o princípio de laicidade do Estado e para isso basta saber história. Sabe o que é a Sharia? A sharia é a lei religiosa muçulmana, equivalente do Código Canónico, aplicada como lei civil nos estados Islâmicos. Pelo amor de Deus, não diga coisas sem sentido!

Se ler os escritos de Jose María Escrivá, fundador do Opus Dei também verá que eles defendem a aplicação do mesmo código como lei civil. Eles aplicam-no inclusivé internamente como prelatura pessoal do Papa que são.

O senhor não sabe mais do que aquilo que lhe incutiram e recusa-se a aceitar que os outros possam discrepar. Apeno-me!
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De O Corcunda a 09.03.2009 às 01:28

Os documentos, mas quais?
Só bocas e falsas imputações...
Para além de que aplicação do Direito Canónico a quem o deseja (membros de ordens e prelaturas) não tem nada a ver com Sharias, dado o seu carácter voluntário. Não perceber isso é muito triste. No que respeita a Escrivá o Sr. André mente desabridamente, dado que este foi sempre um defensor das leis civis, sendo até um opositor de muito do descrito na Rerum Novarum, em favor de visões liberais.
Tenha vergonha de imputar uma posição falsa a uma pessoa de quem nada sabe, evidentemente.

Se interpreta Santo Agostinho à luz do tempo é um falseador da obra deste e portanto desonesto.
É o mesmo que olhar para Aristóteles e São Tomás e mudar todos os sentidos que lá estão, como fez Maritain, mais preocupado em adequar-se ao tempo do que dizer a Verdade. Escolheu o seu caminho...
Da mesma forma que ao considerar a Igreja da Idade Moderna superior à Medievalidade, decide não ser católico, indo contra todas as interpretações do Concílio aceites pela Igreja e expressas pelo Papa. Cisme aí à vontade, que se vê no V2 um carácter derrogatório da "Igreja Barroca", nem sequer católico progressista é. Simplesmente não é católico. É só um progressista e nem sequer dos mais sofisticados...

É também ignorante no que respeita à posição política da Igreja, que aceita instituições civis (o que não existe no mundo islâmico pré-socialismo) e as considera imprescindíveis. O que a Igreja não aceita é uma sociedade sem justiça, onde o Crime ou a Lei é o que o legislador decide e não um reflexo da ordem natural das coisas. Querem ver que também nega o Direito Natural? Julgar que isto é Sharia é simplesmente ir contra a Igreja e Cristo, em favor desse Mundo que tanto idolatra (a sua idolatria de João XXIII diz tudo...). Essa idolatria do Mundo que tenta ver tudo à luz do mundo de hoje chama-se ideologia historicista ou progressista. Espero que lhe faça bom proveito...
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De André Ferreira a 09.03.2009 às 07:43

Senhor Corcunda, creio que não temos mais nada a dizer um ao outro porque já perdeu toda a razão ao partir para o insulto que, obviamente não lhe tolero nem a si nem a ninguém, chamando-me desonesto e mentiroso.

Consigo não há forma de dialogar pelo seu fundamentalismo. O senhor entende pouco de religião e defende-se apenas desmentindo o que eu diga, pelo que não tem força de argumentos. A Rerum Novarum foi ampliamente recusada pela Igreja, não só por Escrivá. Localize Escrivá na teologia católica é vai ver que está no lado ortodoxo, conservador.

Aconselho-lhe que fale com um sacerdote sobre estas questões porque me parece que não aceita nenhum tipo de visões, já que apenas se recorre de argumentos de autoridade que do ponto de vista lógico e filosófico são falácias e, por isso, ilegítimos.

Tenho pena de não poder falar abertamente devido ao fundamentalismo, assim que, antes que perca a razão, desejo-lhe um bom dia! Sei que me vai acusar de fugir ao tema, mas a semana começa agora e não posso perder tempo a discutir quando um dos lados se socorre de falácias.
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De PF a 09.03.2009 às 21:53

Não queria nada envolver-me nesta discussão, aliás nem em nenhuma. Mas o André desculpará mas em relação ao Opus, perdeu a razão toda pois faltou à verdade.
http://www.opusdei.pt/art.php?p=2274
Leia e verá que está a fazer confusão entre Tradicionalismo - o quals e opôs ao CVII, e o suposto conservadorismo que se inculca à Obra. Além disso, é errado e calunioso dizer que S.Josemaria defendeu a aplicação de "Código Canónico" ao código civil. Para além de ser um certo disparate fazer paralelismo entre a Xária e o Direito Canónico.
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De LUIS BARATA a 08.03.2009 às 10:12

Foi claramente uma sanção excessiva e desadequada, a que não será alheio o posicionamento bastante conservador do Sr.Arcebispo em causa. Excomungado deveria ser quem nega o holocausto...
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De André Ferreira a 08.03.2009 às 23:53

O Bispo que negou o Holocausto é um santo! E não é que ele não goste de judeus porque na verdade ele até os partia a meio só para ter dois...
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De O Corcunda a 08.03.2009 às 11:49

Este senhor Barata, que acha que a negação do Holocausto ou de qualquer evento histórico, deveria ser Credo da Igreja, mostra bem o ridículo de que a sua cabeça se enche...
Acha que a excomunhão é uma sanção contra pessoas que dizem o que não gostamos, numa demonstração de ignorância e de intolerância...
E depois passa a ser crime também descrer na Revolução Francesa ou de Abril?!
Ricos democratas que nem a sabem defender...
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De LUIS BARATA a 08.03.2009 às 13:16

Parece-me retirar dos comentários do Sr.Corcunda que o que respeita à doutrina católica e aos acontecimentos com ela relacionados é uma "coutada" reservada aos crentes, não sendo admissível aos não-crentes grandes opiniões. E, demonstrando grande conhecimento de causa, "refugia-se" no Direito Canónico e no respectivo Código para zurzir nos atrevidos.
Sem querer alimentar polémicas, apenas direi o seguinte: Por esta ordem de ideias, porque se preocupa tanto a Igreja Católica com um eventual casamento de homossexuais, reservado necessariamente a não-crentes,e que será sempre um casamento civil ?
Se a Igreja Católica se sente legitimada para intervir nas mais variadas matérias, tem de admitir que também outros se sintam legitimados a pronunciar-se sobre excomunhões que parecem excessivas.
Além do mais, como sabe certamente melhor do que eu, também os códigos canónicos não são imutáveis, são revistos e alterados quando é necessário, acredite-se ou não que tal acontece por inspiração do Altíssimo.
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De O Corcunda a 08.03.2009 às 23:02

Há uma diferença, e o caso do Senhor Barata não perceber isso diz muito sobre si.
É que a Igreja quer defender os princípios de uma instituição que é inspirada em si, o casamento canónico (monogamia, economia doméstica, heterossexualidade), enquanto que os laicos e irreligiosos querem que a Igreja se porte como se não tivesse doutrina para perante eles se ajoelhar.
Ou seja, a sua opinião não é fundamentada em nada que interesse à Igreja, o que corresponde ao anseio socialista de tomar conta dos princípios da Igreja...
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De Joana a 08.03.2009 às 14:05

A esta hora, os excomungados devem estar mas é aliviados e satisfeitos por terem deixado de pertencer a uma Igreja assim...

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