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Republicanada acabada de chegar via "circular e-mail"

por Nuno Castelo-Branco, em 18.03.09

Está a correr o seguinte e-mail em toda a web. Façam o favor de ler.

 

Era uma vez um senhor chamado Jorge Viegas Vasconcelos, que era presidente de uma coisa chamada ERSE, ou seja, Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, organismo que praticamente ninguém conhece e, dos que conhecem, poucos devem saber para o que serve. 

Mas o que sabemos é que o senhor Vasconcelos pediu a demissão do seu cargo porque, segundo consta, queria que os aumentos da electricidade ainda fossem maiores. Ora, quando alguém se demite do seu emprego, fá-lo por sua conta e risco, não lhe sendo devidos, pela entidade empregador, quaisquer reparos, subsídios ou outros quaisquer benefícios. 
Porém, com o senhor Vasconcelos não foi assim. Na verdade, ele vai para casa com 12 mil euros por mês - ou seja, 2.400 contos - durante o máximo de dois anos, até encontrar um novo emprego. Aqui, quem me ouve ou lê pergunta, ligeiramente confuso ou perplexo: «Mas você não disse que o senhor Vasconcelos se despediu?». 
E eu respondo: «Pois disse. Ele demitiu-se, isto é, despediu-se por vontade própria!». 
E você volta a questionar-me: «Então, porque fica o homem a receber os tais 2.400contos por mês, durante dois anos? Qual é, neste país, o trabalhador que se despede e fica a receber seja o que for?». 
Se fizermos esta pergunta ao ministério da Economia, ele responderá, como já respondeu, que «o regime aplicado aos membros do conselho de administração da ERSE foi aprovado pela própria ERSE». E que, «de acordo com artigo 28 dos Estatutos da ERSE, os membros do conselho de administração estão sujeitos ao estatuto do gestor público em tudo o que não resultar desses estatutos». 
Ou seja: sempre que os estatutos da ERSE foram mais vantajosos para os seus gestores, o estatuto de gestor público não se aplica. 
Dizendo ainda melhor: o senhor Vasconcelos (que era presidente da ERSE desde a sua fundação) e os seus amigos do conselho de administração, apesar de terem o estatuto de gestores públicos, criaram um esquema ainda mais vantajoso para si próprios, como seja, por exemplo, ficarem com um ordenado milionário quando resolverem demitir-se dos seus cargos. Com a bênção avalizadora, é claro, dos nossos excelsos governantes. 
Trata-se, obviamente, de um escândalo, de uma imoralidade sem limites, de uma afronta a milhões de portugueses que sobrevivem com ordenados baixíssimos e subsídios de desemprego miseráveis. Trata-se, em suma, de um desenfreado, e abusivo  desavergonhado abocanhar do erário público. 
Mas voltemos à nossa história. O senhor Vasconcelos recebia 18 mil euros mensais, mais subsídio de férias, subsídio de Natal e
ajudas de custo. 18 mil euros seriam mais de 3.600 contos, ou seja, mais de 120 contos por dia,  sem incluir os subsídios de férias e
Natal e ajudas de custo. 
Aqui, uma pergunta se impõe: Afinal, o que é - e para que serve - a ERSE? 
A missão da ERSE consiste em fazer cumprir as disposições legislativas para o sector energético. 
E pergunta você, que não é burro: «Mas para fazer cumprir a lei não bastam os governos, os tribunais, a polícia, etc.?». Parece que não. A coisa funciona assim: após receber uma reclamação, a ERSE intervém através da mediação e da tentativa de conciliação das partes envolvidas. Antes, o consumidor tem de reclamar junto do prestador de serviço. 
Ou seja, a ERSE não serve para nada. Ou serve apenas para gastar somas astronómicas com os seus administradores. Aliás, antes da questão dos aumentos da electricidade, quem é que sabia que existia uma coisa chamada ERSE? Até quando o povo português, cumprindo o seu papel de pachorrento bovino, aguentará tão pesada canga? E tão descarado gozo? Politicas à parte estou em crer que perante esta e outras, só falta mesmo manifestarmos a nossa total indignação.



Já agora façam lá o favorzinho de  reenviar para a V/ lista de amigos, pelo menos sempre se fica a saber o que se passa no nosso país."

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publicado às 23:23


3 comentários

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De LUIS BARATA a 19.03.2009 às 10:18

Mas ele há coisa melhor do que fixar o seu próprio estatuto? À conta de serem "entidades independentes" estabelecem para si mesmos verdadeiros privilégios tanto para quando estão "no poleiro" como quando dele saltam. Porque é deve ser remunerada desta maneira a vontade unilateral deste sr. sair do cargo que ocupava? Já basta quando são corridos... E alguns até fazem por ser corridos tais as chorudas indemnizações.
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De Miguel Neto a 19.03.2009 às 12:42

Antigamente havia uns xico-espertos, aldrabões e gatunos que vendiam o Rossio aos "parolos" que vinham da província. Quando eram apanhados iam presos.

Hoje esses gatunos, mais refinados, vendem os ideais da Revolução Francesa, da igualdade entre os homens e igualdade de oportunidades, a Carta Universal dos Direitos do Homem, ...

Os parolos, os da província e os urbanos, compram, nós todos pagamos e o que nos é entregue é uma oligarquia, desigualdade de oportunidades, caciquismos, desrespeito, falta de vergonha, ...

Hoje, quando são descobertos estes "xicos" muitas vezes são premiados.
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De JMB a 20.03.2009 às 09:10

Ó Mestre, cuidado que a mim cortaram-me as comunicações. Barafustei, gastei uma pipa e finalmente a resposta foi ... constrangimento técnico na sua zona (???). Ou seja deu para aqui uma espécie de Herpes grego. Maravilha. É claro que os mandei para a pata que os pôs. Coincidiu com esta estória do M.M. Bahhh!

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