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Comissões comemorativas e aldrabices republicanas

por Nuno Castelo-Branco, em 27.03.09

 

A prosa de Gonçalves Costa, publicada no jornal Humanidades, conotado com o partido do outro Costa, o Afonso. Pensem bem, leitoras do Estado Sentido. Esta gente  que escrevia inanidades deste calibre, sabia que além de competentes regentes, Portugal beneficiara por duas vezes - Maria I e Maria II - do exercício da chefia do Estado por duas rainhas. Em 99 anos de república, jamais qualquer mulher esteve, mesmo remotamente, perto da presidência.  Nós temos razão, quando peremptoriamente confirmamos o Estado Novo como a 2ª república. Este texto costista, serviu de molde à concepção da mulher como entidade doméstica, num plano de submissão reconhecido pela Lei da república.

 

"A mulher, razão da existência de muitos homens, adorado símbolo da virtude e da pureza, objecto patético do ideal e do sonho, síntese, delicada da beleza nas suas modalidades mais emocionantes, a mulher estímulo de muitas actividades, causa suprema das mais divinas inspirações, única de mil tragédias, a mulher o perfume, a mulher o crime, vai hoje também cair sob o nosso inexorável bisturi. Percorrendo as páginas da sua história através os tempos, ela surge-nos aqui causa originária de um imenso rosário de tragédias e de crimes, alem manancial de amor e de inspiração, guindando as mais sublimes concepções poética, os mais fecundos génios. (…)Podemos ser cruel joeirando a poeira que lhe conspurca a personalidade, todavia como vêem o reverso da medalha patenteia-nos gestos que inspiram ao mesmo tempo piedade e simpatia. O que não podemos contestar é que ela tem apetites muito variegados e estômago para digerir com o mesmo custo frutos bons e frutos venenosos. (…)(…) A mulher de hoje, sobretudo aquela que vegeta nas cidades onde há cheiros de civilização, não é a mulher como devia ser, nem tão pouco parece aproximar-se da devida meta, é uma mulher manequim, chapa aonde os holofotes das. casas de modas de Paris e de Londres projectam as linhas caprichosas dos seus figurinos complicados. E’ uma mulher falsificada, pretensiosa, entalada em rígidas lâminas de aço, e aumentando sensivelmente o seu peso real com alguns quilos de algodão que lhes retocam as deficiências do físico.

 

(…) Muito se tem escrito acerca da educação da mulher, criticando as suas aberrações, traçando de varias formas qual deveria ser o seu trajecto na vida social. Uns querem arma-la com os pesados fardos dum soldado, outros que ela seja o que é, e ainda outros que ela se perca e agite no complicado labirinto da vida externa esquecendo os cuidados periódicos que reclama a sua débil constituição. E assim ela naturalmente sensível e instável em frente de tão divergentes opiniões respeitantes ao seu verdadeiro papel, move-se indecisa, hesitante no meio da vasta arena das suas manifestações acabando em geral por integrar-se resignadamente na situação primitiva.   Algumas vezes   protestando contra os preconceitos que a esmagam, com um gesto repulsivo, grita revoltada pela sua emancipação. E nesta palavra ela compreende a fuga do lar, a fractura   (cruel dos elos que a ligam ao esposo e  aos filhos e aí vai sob a impulsividade da enganadora corrente feminista. Tristes quimeras! Aneearido pela sua regeneração,  degenera-se. As mulheres na   (sua maioria são  verdadeiras crianças, com caprichos   singulares,  excêntricas exigências, são histéricas, nervosas, morbidamente tímidas, deploravelmente ignorantes.Em frente desta fotografia, o que pretendem as feministas, onde quer que elas existam?
Para disfarçar a sua infantilidade, os seus caprichos, as suas exigências, envergam um trajo tanto ou quanto possível semelhante ao do homem, para proteger o nervosismo, o histerismo, e a sua timidez, usam pistola e para acabar de vez com a ignorância, uma formatura. (…) Basta que ela saiba ser mãe para o que é preciso aprender. Uma parte desta sublime missão sabe-a ela instintivamente, outra desconhece-a geralmente - a educação dos filhos.

Lisboa encontra-se pejada de cartazes enganosos, prosseguindo uma desbragada propaganda de fazer inveja ao dr. Goebbels. Razão tinha A.O. Salazar, quando afirmava que em política o que parece é. Parece então que a república deu a igualdade de direitos às mulheres? Mais uma mentira. A manipulação dos simples, a enraizada crendice em tudo aquilo que os senhores lá do alto ditam, distorce a verdade, destruindo a História. 

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publicado às 21:45


2 comentários

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De Aaoiue a 28.03.2009 às 18:46

Ya no tenía ninguna duda, pero ahora... está claro.
Saludos, Nuno, y gracias por traernos a la memoria lo que la imaginación es capaz de difuminar.
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De Nuno Castelo-Branco a 28.03.2009 às 19:23

Estás a ver, Aaouie, a propaganda de hoje quer fazer-nos crer exactamente do contrário. Afinal, uma pesquisa resolve em benefício da verdade.

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