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Lisboa arruinada (41): terciário para expulsar.

por Nuno Castelo-Branco, em 05.04.09

   

 

 

Dois casos típicos. O prédio cor de rosa, na Duque de Loulé, já mereceu um post no dia 3 de Março de 2008. Na altura, ostentava o orgulhoso cartaz indicando "nova construção". Hoje, felizmente já lá não se encontra, mas miraculosamente surgem portadas e janelas abertas, além dos costumeiros vidros partidos. Para "arejar" as casas vazias, com certeza... A Câmara Municipal de Lisboa que tem fiscais por todo o lado a verificar - e a multar ~ obras de recuperação de tugúrios, deve andar muito distraída. Por toda a cidade, estes vidros partidos indiciam apenas uma coisa: crime anunciado. Urge implementar normas severas que podem mesmo ir à pura e simples expropriação de edifícios, preservando-se o interesse colectivo.  Não valerá a pena agitar-se a opinião pública com "comunismo", porque até Salazar assim procedeu quando decidiu construir toda a zona compreendida entre a Alameda e a Av. do Brasil em apenas alguns anos.  Este tipo de expropriações por flagrante delito, podem até ser facilitadas pelo facto de uma boa parte dos edifícios pertencerem a mafiosas entidades que dão pelo prosaico nome de "bancos", "companhias de seguros", ou "fundos imobiliários" nacionais e estrangeiros. O interesse geral deve estar acima da especulação que arruina a cidade, envergonha a população e estiola a consciência nacional.

 

Quanto ao "lindo exemplar moderno" da foto à direita, espelha bem - até a fachadinha o diz - a actual situação. Continuam a construir desnecessário lixo para o terciário, em zonas de habitação. Num momento em que as empresas despedem escriturários e pessoal burocrático, os escritórios - devido também à informatização - vão-se reduzindo em dimensão e até desaparecendo, para quê, então, despovoar o centro das cidades? Pela simples especulação danosa? No prédio que habito e que foi construído para habitação, existem mais escritórios do que casas e desta forma encontra-se praticamente deserto a partir das seis da tarde, com os consequentes assaltos e invasão das escadas por "certo tipo de profissionais de 10 minutos às 2 da manhã" que proliferam nesta zona da cidade, etc.  O terciário deve ser confinado a locais próprios e expulso dos prédios de habitação.

 

O resultado da política que tem vindo a ser prosseguida, está à vista: situado nas imediações da PT, na rua Sousa Martins (paralela à Duque de Loulé), o mastronço da foto à direita está há anos vazio, sem arrendar um único escritório! E a C.M.L. continua a ruinosa política de permitir estes desmandos, nem sequer tendo a básica ideia de constituir um gabinete com poderes ditatoriais - escrevo a palavra de forma assumida - que decida ou não a licença para a construção de edifícios, dependendo das fachadas. As diversas zonas que compõem a cidade, devem obedecer a rígidos critérios de época e do contrário é impossível convencer-me. Se isto não obedece à lei vigente, modifique-se a lei. É simples.

 

Finalizando, informo que a benemérita entidade responsável pela destruição do 35 da Av. Duque de Loulé (onde se construirão necessaríssimos escritórios, pasme-se), é um certo Fundo Imobiliário cujo Espírito tem pouco de Santo. Banca, betão, política, ou seja, a trilogia de sempre.

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publicado às 11:24


4 comentários

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De PALAVROSSAVRVS REX a 05.04.2009 às 12:07

Trilogia troglodita, caro Nuno!
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De Nuno Castelo-Branco a 05.04.2009 às 12:17

A isto chama-se PLUTOCRACIA, Rex!
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De Sandra a 05.04.2009 às 16:02


Verdade, verdadinha, Nuno!

Nós vivemos ai, no Saldanha, e a nossa casa foi assaltada à hora do almoço. Por um triz, que não me cruzei com eles, diga-se de passagem. Levaram computador, telemóvel, casaco de cabedal, etc. Estiveram no nosso quarto, mexeram nas nossas coisas. Nem calcula, como me senti! Levaram a chave do carro, também.
Chamámos a Polícia e pedimos para estarem atentos durante a noite, pois, provavelmente, iriam tentar roubar o carro. Perguntaram-me se via televisão? não havia agentes disponíveis. Então, mas a área não era policiada? sorriso.
...

É como diz, já quase não há vizinhos. Dias depois, o carro foi objecto de vandalismo e assaltado também.
Isto sem falar na prostituição em frente ao Liceu Camões (já são outros quinhentos).

Tempos depois, mudámos de casa.
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De Nuno Castelo-Branco a 05.04.2009 às 18:18

... e pensar que há leitores que me enviam e-mails a dizer que sou má língua!

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