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“‘BORA VOTAR!!!”...

por Silvia Vermelho, em 25.04.09

 

 

...porque “votar é fácil”.

É tudo fácil, é tudo simples, é tudo uma questão de simplexificar. Mas votar não é fácil ou não o deveria ser.

É preciso que alguém o diga. É preciso que alguém quebre este rol multiplicador de uma facilitação exagerada de toda a acção diária. É um espírito generalizado, este, tão “Morangos com Açúcar”, ou até mesmo “Vodafone live” e coisas assim, que o início do milénio nos trouxe com um novo pulsar na publicidade, um apelo à “vida” vivida no “momento”, à vida intensa e despreocupada.

É assim que, muito bem-intencionado, diga-se, o Governo procura aproximar @s jovens ao exercício de voto. “Fácil” tem um corolário implícito muito forte, nesta cultura do “imediato” que de pós-materialista ainda tem muito pouco: como é fácil, junta-te ao número. Não queremos saber como votas mas… vá lá, faz lá essa gentileza.

Não seria melhor que uma campanha de apelo ao voto fosse formativa? Claro, seria menos eficaz. Obviamente, “’bora votar” é uma maneira muito mais cool do people participar na coisa, da chavalada mais letrada que está cheia de preocupações sociais com os bros do ghetuh. Mas esta campanha, assim, nada vai mudar.

Há três tipos gerais de comportamento eleitoral n@s jovens que empiricamente se distinguem muito bem.

O primeiro é o do pessoal que “não tá nem aí”. @s que não são recensead@s e, sinceramente, só obrigad@s é que o serão. Ou de forma automática, é claro. A probabilidade de algum dia vir a votar espontaneamente aproxima-se bastante do zero.

O segundo é o do pessoal que, por influência da escola ou da família, ganhou uma suposta disciplina cívica. Este pessoal diz encarar o voto como um dever. Regra geral, não faz a mínima ideia do procedimento eleitoral mas mesmo aquelas/es que o conhecem, apenas desenham a cruz. Podem ou não ser militantes de um partido – infelizmente, é mais que evidente que não faz qualquer diferença quanto ao grau de esclarecimento.

O terceiro é o da minoria que pode ou não votar regularmente (ou mesmo não votar de todo) mas, regra geral, está recensead@. O seu voto, tal como o seu não-voto, é profundamente ponderado.

É claro que esta campanha pretende atingir o primeiro grupo. Mas só consegue chegar ao segundo, que são aquel@s que, como já têm um interesse relativo pelo voto, prestarão atenção a uma campanha deste calibre. @s realmente desinteressad@s continuarão a sê-lo, porque não tomarão sequer conhecimento desta campanha ou prestarão atenção ao obtê-lo.

O recenseamento automático retirará, de certa forma, "mérito" ao segundo grupo. O que era uma atitude demonstradora de interesse, a ida à Junta de Freguesia, proceder ao recenseamento, tornar-se responsável por uma decisão tão individual como a do querer, espontaneamente, pertencer ao universo eleitoral, simplexificou-se neste vazio. Retira-se ao/à jovem (mais) uma preocupação, acrescenta-se outra à sociedade: a de ajudar a criar uma geração que obtém tudo sem esforço, para quem tudo é fácil e de somenos importância. Até o exercício da tão afamada “soberania popular”.

Não, isto não é bota-abaixismo. A intenção é boa (no passado, até a aplaudi) e a mim até me teria dado muito jeito. Mas é preciso parar esta avalanche demolidora do facilitismo, da simplexificação, da desresponsabilização. O tempo urge.

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publicado às 01:47


1 comentário

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De Nuno Castelo-Branco a 25.04.2009 às 11:58

Eu N Ã O vou. O tal "presidente da república" diz que a abstenção significa uma falta de legitimização do actual estado de coisas. É isso mesmo que farei: vou à praia.

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