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Do meu pai para o Miguel: hoje, às 4 da manhã

por Nuno Castelo-Branco, em 25.04.09

 "Miguel

Acabo de ler o teu blog e gostei muito.
Tocas nas feridas e fazes o processo histórico da nossa situação que se degrada desde o triunfo liberal. Não quer dizer que o absolutismo fosse uma benção. O mal cabe, em grande parte, a dois factores que se estenderam, e ainda se estendem, como tentáculos de polvos em alargamento pelo globo onde chegou sempre, nem sei se bem, se mal, a ideia liberal: o triunfo de uma burguesia cega, gananciosa e iletrada (i.e., não preparada para dirigir e cuja prática alargou e continua a alargar a criação de lugares para criar suportes de apoio) e que sepultou uma estratificação de classes terrífica, ainda (!), porque assente num dictat em que o ouro e a pedraria comandavam o fluxo económico, em que não havia regras de humanidade, nem esperanças de mudança - ainda que se detectassem continuadamente, alterações no modus vivendi e na prática política - e que era servida por outro tipo de cegos, iletrados e gananciosos, em especial de títulos e honrarias.
Nunca houve, nem haverá, igualdade porque essa é uma miragem da filosofia política; nunca houve nem haverá um equilíbrio político e económico na Sociedade porque esses esbarram com a mais reles e diminuta ambição de qualquer um dos humanos; nunca houve nem haverá progresso físico e mental porque o humano necessita conhecer-se melhor intimamente (física e mentalmente) como Ser para ter a ousadia de crescer liquidando a animalidade com que nasce.
Ora, o Homem ainda não conhece os mecanismos do cérebro e do corpo, os principais no comando do seu quotidiano. Vão sendo descobertos pouco a pouco e não tem o realce que os Media lhes deveriam reservar, até na sua explicação aos leitores. Não queres pensar para escrever sobre isto? Fá-lo-ias muito bem, estou certo.
Como se sabe, nunca os Homens do Poder nem os chamados Homens de Deus, nem os Homens da Economia - mais culpados que todos os outros porque arrogam um Conhecimento que não têm -, nem os do Saber Filosófico, nem os da Ciência, são capazes de conduzir a Humanidade em Paz, no Bom Senso, na Harmonia e em todas as outras designações que a fertilidade do Pensamento é capaz de criar mas não de efectivar.
Desculpa estas derivantes, próprias de quem se levantou às 04H e tem que trabalhar."


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publicado às 14:05


3 comentários

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De Vitor W. Ferreira a 26.04.2009 às 05:16

Nuno
Não pensei sequer que o meu arrazoado fosse escalado nos vossos blogues Se tal imaginasse teria apurado escrita e conteúdo.
Também não me lembrava da fotografia. Tem 55 anos!
Como sabes, tenho prazer em trabalhar naquilo de que gosto. De madrugada é como água fresca que nasce numa montanha. O pior é que corre num ribeiro vulgar Como sabes estou a trabalhar na fotobiografia de uma figura excepcional como personalidade da I República: Manuel Teixeira Gomes (Portimão, 1860-Bougie, 1941), escritor notável, diplomata, PR, negociante de figos, amante de arte, viajeiro contumaz que repetiu vezes sem conta o percurso mediterrânico, conheceu as margens africana e europeia e acabou por se fixar em Bejaia (a Bougie da Argélia, colónia francesa) onde morreu num modesto quarto de um hotel modesto depois de aí se ter "asilado" c. de 9 anos, resistindo a todos os desafios para regressar a Portugal. Era provocador, escrevia com arte e saber, um homem do Mundo pouco comum no nosso país de então.
Quando em 1950 o corpo chegou a Portimão, houve tumultos e manifestações contra a ditadura. Foi uma figura notável e para o ano que vem comemoram-se 150 anos do seu nascimento.
A terminar, parece-me que o TGomes não tem nada a ver com os demais personagens da República velha nem com os da República Nova. Com os figurantes desta que nos rege, vejo na minha bola de cristal que a grande maioria de quem nos governa nunca ouviu falar do PR que resignou, farto da "gaiola doirada" de Belém e dos políticos de então. Ora, então! Um abraço. VW
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De Nuno Castelo-Branco a 27.04.2009 às 19:08

No entanto, o homem devia ter tido mais cuidado com os relatórios que regularmente enviava para Lisboa, cheios de pesquisas que pouco tinham que ver com a sua categoria de diplomata. É a nacional tendência para a má-língua e intriga. Pagou bem caro.
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De V.W. Ferreira a 29.04.2009 às 04:38

Nuno
Não quero nem acho gosto em alimentar discussões deste tipo.
O teu comentário ao MTeixeira Gomes é desatento e desinformado.
Referes-te, muito possivelmente, aos relatórios que o MTG escreveu (acompanhados por recortes de jornais ingleses) quando enviado em Londres; seguiram ao Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa a propósito de um "acidente" que foi noticiado pelos jornais britânicos pouco depois do casamento do Rei D. Manuel II com sua prima, a Princesa Augusta Vitória de Hohenzollern. Como era sua obrigação, dada a situação que ocupava e como se estava ainda muito próximo da instalação da República portuguesa, mais não fez do que cumprir as obrigações que lhe estavam atribuídas: enviar a Lx, todas as notícias relativas à Família Real destronada e às movimentações monárquicas. Foi o que fez.
É que à data, a Europa não tinha mais do que 3 regimes republicanos: França, Suiça e República de San Marinho (pelo menos, de momento, não me recordo de qualquer outro!).
O "acidente" teve grande repercussão nos jornais.
Há c. de 25 anos esses recortes ainda existiam nas pastas respeitantes ao MTG no arquivo do MNE e não chegavam à consulta de toda a gente que passava pela sua biblioteca.
Portanto, não se trata de má-línhua; má língua seria se o MTG tivesse inventado o "acidente". NÃO FOI O CASO.
Quanto a D. Manuel II, acrescento que se trata de um Príncipe de grande gabarito aos meus olhos: belíssimo pianista e empenhado estudioso e coleccionador de livros antigos portugueses - prazer em que gastou fortunas -. legou-os à Pátria amada. Elaborou cuidadosa e cientificamente o catálogo desses primores quinhentistas e seiscentistas, trabalho que não concluiu pela chegada, prematura, intempestiva e brutal, da Parca que o colheu aos 43 anos.
Acrescento: o ex-rei sofreria com saudades da Pátria mas, possívelmente, não tanto pelos políticos que deixara.
Quase aposto que a Chefia do Estado teria sido amargosa e tão "gaiola doirada" para o Príncipe de Bragança como foi para o republicano MTGomesi( PR; 5/10/1923-10/12/1925) mais ou menos os meses em que D. Manuel II reinou (1/2/1908-5/10/1910). V.W. Ferreira

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