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O meu dia 25 de Abril de 2009

por Samuel de Paiva Pires, em 26.04.09

 

Acabei por aceitar um simpático convite para acompanhar um grupo de Jovens Repórteres para o Ambiente até perto de Elvas, onde foram soltar um Bufo (ele há paradoxos...) que havia sido apanhado ferido e levado para um centro de recuperação. Depois de o apadrinharem, soltaram-no dando-lhe o nome de Maria Liberdade. Pelo caminho ainda parámos em Évora onde alguns se iam preparando para os festejos da efeméride relativa ao ano de 1974. Posto isto, algumas breves notas:

 

1 - A democracia portuguesa está refém de donos mais ou menos desconhecidos. Acordem meus compatriotas, acordem porque a Democracia e a Liberdade não estão assim tão garantidas quanto possa parecer aos mais incautos.

 

2 - Ninguém no seu perfeito juízo e verdadeiramente amante da liberdade quer voltar a um regime autoritário. Mesmo que na minha análise ao período do Estado Novo eu consiga ver coisas boas e más analisadas devidamente no seu contexto histórico e tendo em consideração variáveis externas, tal como todos os que me lêem sabem, nada é mais valioso para mim do que a liberdade de expressão e, por isso mesmo, obviamente que eu seria um opositor ao Estado Novo se tivesse vivido durante esse período. Posso nunca vir a enriquecer, posso nunca vir a conseguir fazer uma carreira fulgurante, posso nunca vir a satisfazer todos aqueles que gostam de ver os outros vergar à sua mesquinha táctica discursiva através da qual em nome da liberdade e tolerância praticam precisamente o contrário destas, posso nunca conseguir espicaçar os espíritos mais dormentes, posso nunca conseguir demonstrar todas as incoerências dos donos que ameaçam a democracia portuguesa, mas nunca, mesmo nunca, me tirarão a minha liberdade de pensamento e de expressão, nem que tenha que viver na miséria ou no exílio. E essa, creio eu, é uma das conquistas mais preciosas de Abril, senão mesmo a mais preciosa e pela qual temos de agradecer não só em tempos abrileiros mas 365 dias por ano.

 

3 - É, portanto, necessário sabermos lidar com o nosso passado de forma distanciada, para que possamos concentrar-nos em projectar o nosso futuro. Urge relembrar que os ideais de Abril sairam em parte defraudados e que muitos jovens interpretam esses ideais à luz do estado de coisas que está à vista de todos, tal como afirmou Nuno Melo ontem na RTP N. Liberdade, Justiça, Democracia e Desenvolvimento são para mim quatro conceitos que necessitamos de requalificar em Portugal, mas de forma o mais desideologizada possível, isto é, não em oposição a outros regimes, para que a Democracia se possa solidificar definitivamente. O passado é passado, é História, serve para estudarmos e vermos por onde não devemos ir. Temos que acabar com a escravidão que nos vem sendo imputada pelos democratas do pensamento único, das maiorias absolutas, dos jobs for the boys, da corrupção e da fuga à responsabilidade. Os ideais da Abril, creio, deveriam levar-nos no sentido da responsabilidade e responsabilização de cada indivíduo no papel que desempenha na sociedade e comunidade onde se insere. Porque a liberdade não é fazermos o que nos apetece relativizando tudo para que possamos defender e praticar tudo e o seu contrário (o duplopensar, sempre o duplopensar orwelliano...). A liberdade acarreta responsabilidade perante os outros, e isso tem faltado e cerceado essa mesma liberdade.

 

4 - E posto tudo isto, recordando o que o Professor Adriano Moreira tem vindo a afirmar, é URGENTÍSSIMO definir um novo Conceito Estratégico Nacional que dê sentido ao país, que dê rumo à nação, que traga Sentido de Estado ao aparelho estatal e governativo, que nos permita adaptar à realidade internacional em constante mudança, uma realidade em que Portugal tem fronteiras múltiplas - uma fronteira administrativa sem grandes efeitos práticos, uma fronteira europeia, uma fronteira de segurança assegurada pela NATO, uma fronteira cultural pela CPLP - e para a qual ainda não estamos devidamente capacitados.

 

Acabe-se com o bota-abaixismo e com a semântica falaciosa que nos escraviza e aproveite-se o que Abril nos deu para requalificar o país e colocá-lo em bom rumo. Será pedir muito?

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publicado às 03:20


2 comentários

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De Paulo Mestre a 26.04.2009 às 04:05

Cada um saberá de si, eu por exemplo tudo que quero é BAZAR, morrer longe para não cheirar mal.
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De Paulo Martinho Mestre a 26.04.2009 às 04:16

Cada um saberá de si, eu por exemplo tudo que quero é BASAR e morrer longe para não cheirar mal. Um país de tão culta e genial estirpe não tem lugar para um imbecil do meu grau. Ainda por cima feio como o horror o que num país que se distingue pela estonteante beleza dos espécimes humanos que circulam pelas ruas é no minímo uma tortura. Para já não falar na elegância e sofisticação das gentes. Enfim, sou uma afronta viva aos genes e génio nacional. Daqueles erros da natureza difíceis de encontrar.

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