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Ainda sobre o 25 de Abril

por Samuel de Paiva Pires, em 29.04.09

 

Um excelente texto pelo Manuel Pinto de Rezende, no Café Odisseia:


O que se passou nas terras africanas, após a descolonização portuguesa, é para mim um crime convicto, uma deserção covarde por parte do Governo Português.
Imagino o horror das populações citadinas quando souberam que o Exército Português não reagiria aos abusos dos movimentos de libertação que rugiam selvaticamente da floresta e do mato, proclamando por limpeza étnica, partidária, patriótica e proletária.
O que se passou em Angola, onde os massacres atingiram milhões, e em Moçambique e em Timor, bem como na Guiné, tem culpados directos e responsáveis detectáveis.

O Estado Novo não soube dar início à democratização do regime, não soube desenvolver uma administração autónoma nas colónias que trouxesse à independência gradual dos países africanos. A tese spínolista, apesar das falhas, era a única que planeava a sustentável conclusão da guerra colonial.

O marxismo político, não. A culpa dos mortos em África, as purgas, as deserções, toda essa desonra que humilhou Portugal até ao infinito, é imputável ao PCP de Álvaro de Cunhal, ao MFA de Otelo, a todos os movimentos de suposta revolução de esquerda, bem como ao egoísmo da Direita de Francisco Sá Carneiro, que não mexeram uma palha por alertar à ultrajosa situação que se dava nas antigas colónias.

Do golpe militar de 25 de Abril, tenho eu todo o respeito. Foi um golpe pró-democrático, e da democracia nascem sempre coisas belas e boas, pelo menos sempre que essa democracia se alia ao Estado de Direito.

O problema do 25 de Abril é que, no dia 26, o golpe passou de golpe para movimento revolucionário, para programa revolucionário, para um esforço nacional de engenharia social e caciquismo. E houve ditadura militar e violação de direitos básicos, houve prisões arbitrárias, houva assassínios, houve a ocupação por parte do Estado e Comissões de Trabalhadores de coisas que não lhes pertenciam.

Por isso não me venham com merdas, e cantar as vossas musiquinhas de intervenção, que este país viu suficiente intervenção nesses dias. Não me falem em Liberdades abstractas, quando não conseguiram manter as mais concretas.

Vocês, geração de Abril, foram os que comeram tudo, tudo, e não deixaram nada. Nem um resquício de honra ao qual nos possamos agarrar de um passado de vergonha e humilhação e pedantismo. Somos a chacota da Europa.

Por isso me recuso a celebrar o 25 de Abril. Pago todos os dias a factura da revolução dos marxistas e dos assassinos. Todos os dias, morre Angola mais um pouco, morre a Guiné mais um pouco, por causa desses capitães da liberdade.

Pois bem, eles que se fodam. Culpo-os a eles, e já paguei suficiente cara a minha liberdade, que é minha desde sempre.

Acabou, por aqui, o vosso tributo de Midas. A dívida está paga. A vergonha de um povo é o recibo.

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publicado às 00:00


3 comentários

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De Nuno Castelo-Branco a 29.04.2009 às 00:44

O autor falou de um nome responsável e habilmente camuflado. O senhor Sá Carneiro dizia antes do 25 de Abril ao comandante-em-chefe das forças armadas portuguesas em Moçambique:
"O sr. general é o comandante de um exército de ocupação de um território estrangeiro".
Dito isto, apenas comento este facto: jamais votei ppd ou psd. Tenho boas razões para isso e entre elas, uma memória de elefante.
Sem imagem de perfil

De V.W.Ferreira a 29.04.2009 às 03:44

Ao autor do texto
Sabe, por acaso, quem é a criança da foto? Trata-se do filho, - residente no Reino Unido - de Pedro Bandeira Freire, um homem das Arábias que fez a felicidade de muitos amantes de cinema quando fundou o "Quarteto"; também autor teatral, memorialista e bom conversador. Foi muito agradável tê-lo conhecido. Morreu há poucos anos. Um abraço à sua Alma. VW.
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De Nuno Castelo-Branco a 29.04.2009 às 10:48

Por acaso soube quem era o miúdo há uns dias. Não sei se foi no Expresso que li a notícia, ou aqui mesmo na net.

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