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O racismo encapotado do politicamente correcto

por Samuel de Paiva Pires, em 04.05.09

Miguel Castelo-Branco in Combustões:

 

A campanha promocional de Obama e da sua mulher - já tida como cânone universal de beleza - é dessas coisas que fazem o retrato acabado da falsidade instituida como regra. O pensar correcto é, sempre, uma violação das diferenças constitutivas e enriquecedoras da humanidade, pelo que lavrar elogio (ou o seu oposto) a respeito de um homem pelo facto de ser negro, amarelo ou branco constitui insulto ao homem singular e intolerável demonstração de minimização do grupo étnico a que este se vincula por nascimento. Obama terá de ser julgado, elogiado ou contestado pela obra que fará, não por ser negro. O nóvel presidente ainda nada fez, mas as sirenes do paternalismo trompeteiam aos sete ventos os mais descabelados e irrazoáveis panegíricos. A verdade é que, se Obama morresse hoje, nada teria para deixar e dele só ficaria a nota - absolutamente irrelevante para um não-racista - por haver sido o primeiro presidente negro da história do Ocidente.

A ignorância tem destas coisas, pois lembraria aos mais afoitos paternalistas que Portugal teve no século XVI os primeiros bispos negros, no século XVII um grande diplomata e príncipe das letras que dava pelo nome de António Vieira - mulato muito escuro - e no século XVIII o primeiro primeiro-ministro misto da Europa. Obama passa, assim, como produto promocional sem novidade, apenas tido como excepção para os ignorantes da história portuguesa.

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publicado às 23:01


4 comentários

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De Miguel Castelo-Branco a 05.05.2009 às 04:13

Pois, caro Samuel, esta persistência da desinformação sobre o passado de Portugal deve-se a muitos factores. Teremos sido os únicos a relativizar o factor racial na estruturação de uma sociedade que operava em palcos geográficos muito diversificados. Ainda ontem, lia um artigo muito curioso sobre a persistência da comunidade portuguesa na ilha de Flores (Indonésia) e dei comigo a penssar que tal sociedade possui todos os adereços que encontraríamos nos Açores e Madeira de hoje, no Brasil, em Macau e Malaca. Esta universalização do modelo português foi destruído pela Lisboa imitadora dos "ventos da história".
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De Samuel de Paiva Pires a 06.05.2009 às 04:00

O pior é que a tendência é mesmo para piorar. Juntando a degenerescência do sistema educativo com a ignorância e iliteracia de quem não se habitua a pensar por si próprio...
É gravíssimo o não conseguirmos lidar com o nosso passado, sobre o qual raros são aqueles que conseguem efectuar análises que se aproximem da imparcialidade e não se subjuguem a ditames e intentos mais ou menos desconhecidos. E o politicamente correcto continua a imperar...
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De Helena Branco a 05.05.2009 às 12:31

Apesar das glórias Portuguesas do passado tornarem Obama inglório só pelo facto de ser negro e concordo em absoluto que deve ser" a obra a fazer o monge" e não a cor da
pele, o que me parece relevante para América e para o mundo é que o facto de ser Obama a ganhar as eleições "acalmou"
os ânimos a oriente, vingou Luther King e trouxe ainda que psicologicamente ( simbolicamente) mais Paz ao mundo...
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De Samuel de Paiva Pires a 06.05.2009 às 04:02

Concordo Helena, para todos os efeitos, tal como ainda hoje me dizia uma Professora, as paixões não são de menosprezar em política, e pelo menos tem pontos positivos a vitória de Obama. Só falta agora ver é o que fará realmente com o capital político absurdo que detém!

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