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11 perguntas ao Irão

por Nuno Castelo-Branco, em 16.06.09

 

No seguimento dos acontecimentos desta noite, o Combustões deixou 11 questões pertinentes:

 

1. Estará o Irão a entrar em processo de transição, naturalmente violento, pois regimes como aquele estão tão desprovidos de legitimidade que a única solução que se oferece para a sua substituição reside na capacidade da oposição em forçar a queda por atacado da autoridade existente ?

2. A luta em curso é um conflito interno entre facções do regime, ou o início de um levantamento generalizado em que os chamados "reformistas" estão condenados a ser ultrapassados pela dinâmica de contestação que propiciaram ?

3. O regime está a tentar interpretar o clamor de liberdade, fazendo crer ao mundo que há um sector que consegue compatibilizar os princípios da teocracia com a liberdade de escolha e a soberania popular ?

4. As forças armadas ter-se-ão libertado da sujeição aos Guardas Revolucionários e procuram encontrar na contestação popular autorização tácita para uma intervenção que torne possível substituir um regime intrinsecamente anacrónico por um regime autoritário característico de países em vias de desenvolvimento ?

5. Os iranianos ter-se-ão aproveitado do complexo de inferioridade de um regime liberticida que ilude o monolitismo com eleições e resultados por encomenda ?

6. A classe média urbana terá capacidade para forçar uma partilha do poder com o Líder Supremo e o Conselho dos Guardiões, afastando da ribalta Ahmadinejad e a sua vasta clientela proletária ?

7. A contestação em curso não estará a ser instrumentalizada pelo clero ameaçado pela crescente autonomia do presidente e do governo ?

8. Na eventualidade da agudização da contestação e repressão que sobre esta se abaterá mais tarde ou mais cedo haverá alguma possibilidade para apaziguamento, ou o Irão está a entrar definitivamente em processo revolucionário que culminará com a desagregação do regime?

9. Qual a capacidade da verdadeira oposição - monárquica e democrática - em constituir-se em força de superação e impor um regime fundado nas premissas que legitimaram o Xá como agente de desenvolvimento económico e social e fautor da igualdade jurídica entre cidadãos ?

10. Na eventualidade de uma vasta insurreição, o Ocidente - tão confuso e tão inconsciente - permitirá o renascimento de um Irão moderno - grande potência regional - que será, uma vez mais, o elemento de equilíbrio num Médio Oriente condicionado pelo poder incontestado de Israel ?

11. Israel permitirá desta vez o surgimento de um Irão monárquico e democrático, ou persistirá na preferência pela existência de um regime pária que mobiliza o medo de europeus e norte-americanos e lhe garante o exclusivo da confiança do Ocidente na região ?

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publicado às 12:30


3 comentários

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De Nuno Castelo-Branco a 16.06.2009 às 13:42

São precisamente estas, as questões a colocar aos analistas da situação no Médio Oriente. O factor Israel é muito importante, devido às claras implicações na administração americana.
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De Miguel Neto a 16.06.2009 às 13:45

De facto são questões muito pertinentes.

Parece-me que no Irão se chegou a um ponto em que nada será como antes. É apenas uma questão de tempo, de "velocidade" e de violência das transformações. Independentemente dos apoios internacionais, os iranianos parece que já decidiram que este regime não serve os seus interesses.

E se uma percentagem significativa das iranianas são favoráveis a essas mudanças, então é que não há mesmo como voltar atrás.
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De Nuno Castelo-Branco a 16.06.2009 às 19:18

Pelo que vemos na tv, elas estão mesmo furiosas!

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