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"As repúblicas não são eternas"

por Samuel de Paiva Pires, em 17.06.09

 

Um verdadeiro apelo às mais profundas convicções da portugalidade, por João Távora no Centenário da República e no Risco Contínuo:

 

Para aqueles que de forma sobranceira me perguntam quais as motivações para esta minha teimosa militância pela monarquia, que aspirações me movem para tão exótica causa, tão incómoda e excluída da “agenda politica”, eu respondo que o faço por uma questão de responsabilidade: a responsabilidade que me cabe para com a continuidade desta “utopia” no seu sentido mais nobre: o sonho dum Portugal com futuro.
Conheço alguns ilustres “compagnons de route” que optaram por “congelar” o seu ideal monárquico, imbuídos dum pseudo-realismo e embrenhados na espuma dos seus projectos pessoais, políticos ou profissionais. Tenho pena: eu sei como é difícil apregoar esta ingrata causa que não favorece carreiras ou comendas. Reconheço que a mensagem embate numa implacável “agenda mediática” que emerge do espectáculo popularucho e da mesquinha contenda política, das conveniências corporativas e interesses imediatos.
Não nego a evidência de que hoje os grandes males que Portugal padece são profundos e estão a montante da questão do regime. Como em 1910 as instituições estão descredibilizadas e não funcionam. Os portugueses, habituados ao assistencialismo e pouco atreitos a responsabilidades, parecem conformados com um medíocre destino, cuja perspectiva não passa do amanhã. E temos a merdização do debate político, com a gestão da rés pública ao nível do chão. Deste modo e dentro das minhas limitações, não prescindo de intervir de dentro do sistema em favor da minha comunidade e pelo futuro do meu país, com a liberdade que esta república me proporciona. Mas não me passa pela cabeça hipotecar as minhas mais profundas convicções.
Acredito profundamente na monarquia, na instituição real como a solução mais civilizada para a chefia dum Estado europeu e quase milenar como é o nosso. Num tempo de relativização moral, de fragmentação cultural e enfraquecimento das nacionalidades, creio mais que nunca na urgência duma sólida referência no topo da hierarquia do estado: o rei, corporização dum legado simbólico identitário nacional, garante dos equilíbrios políticos e reserva moral dum povo e dos seus ideais. O rei, primus inter pares, é verdadeiramente livre e por inerência assim será o povo.
Sou modesto: espalhar a doutrina e "fazer" mais monárquicos é o meu único objectivo. Que floresça nas mentalidades o sonho duma nação civilizada e de futuro, ciosa da sua identidade e descomplexada da sua História. De resto, o seu curso é sempre imprevisível e, quem sabe um dia, num instante tudo poderá mudar.

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publicado às 00:45


4 comentários

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De Miguel Neto a 17.06.2009 às 12:59

Revejo-me em grande parte neste texto. Apenas reconheço que, embora não tenha "congelado" o meu ideal monárquico, não tenho andado activamente e publicamente a "trabalhar" em prol da causa. Um pouco porque tenho sentido que muitos que o fazem (não todos, mas uma grande maioria), em associações e movimentos, fazem-no mais por motivações "pessoais" do que com verdadeira vontade altruísta de servir a causa monárquica. Posso estar enganado mas é a sensação que tenho.

Para mim, "num tempo de relativização moral, de fragmentação cultural e enfraquecimento das nacionalidades" (e também neste aspecto estou em total acordo com o João Távora - ), um dos aspectos mais importantes numa monarquia parlamentar tem que ver com o facto do Rei garantir a priori, para o chefe de Estado, uma maior independencia em relação aos "interesses" (todos legítimos) de classes sociais, económicos, políticos e associativos de toda a ordem. Por isso acredito que a instituição real, é a solução mais civilizada porque, primeiro que tudo, é a solução mais equilibrada.
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De Nuno Castelo-Branco a 17.06.2009 às 17:17

A esmagadora maioria dos monárquicos não faz parte de grupos, associações e há até (!) quem lute pela causa única e exclusivamente na net... Veja lá;)
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De Miguel Neto a 17.06.2009 às 17:27

Pois tenho visto e estou a ver ;) E tenho visto que se faz muito mais aqui na net pela causa monárquica do que nesses grupos e associações :(
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De João Távora a 17.06.2009 às 18:18

Agradeço ao Sanuel o destaque ao meu post . De resto com os recursos que existem pode-se fazer algo mais pela causa, e estou certo que em breve isso se notará. Estejam atento às iniciativas da Real Associação de Lisboa - estamos a criar um super site (com noticias, agenda, inscrições on line , merchandsing etc.), e uma revista (modesta na forma, rica no conteúdo ) que acredito fará a diferença.

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