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O Buraco Negro, ou mais uma Campanha Alegre

por Nuno Castelo-Branco, em 18.06.09

 

 

Segundo consta, os foliões companheiros de clube de Manuel Alegre, pretendem coagir preventivamente o calendário das próximas eleições iegislativas, enviando um sério aviso à actual direcção socrática. Ameaçam lançar um novo partido que denominar-se-á Nova Esquerda, não querendo "ver perdido o capital de esperança" que a candidatura presidencial de Alegre significou. Precisamente, a palavra exacta deste imbróglio, é... capital, no sentido marxista do termo! Não se prevendo cedências a manifestações saudosistas e exteriores à férrea fidelidade ao actual secretário-geral, surgem aqueles que hoje ameaçados de exclusão das listas PS ao Parlamento, encontram assim um meio de perturbar o anunciado cerrar de fileiras que o primeiro-ministro corneteou. Estamos a ver a coisa: os conhecidos homens bons, amigos dos seus amigos, de frescas ideias, abertos à inovação propalada ainda há tão pouco tempo no Das Kapital, as companheiras, os companheiros, os voluntários da solidariedade e claro está, aqueles que sacrificam uma vida inteira, vivendo do rendoso pensar em outrem. É este o verdadeiro "capital" alegre, resumindo-se a uma mera questão gastronómica, ou melhor, de uma outra forma de conjugar o verbo enfardar.

 

Estamos a regressar ao período áureo dos movimentos "de esquerda" que pulularam como percevejos em enxerga podre logo após o 25 de Abril. Havia-os para todos os gostos e discutia-se fundamentalmente a importância da foice e do martelo estarem voltadas para a esquerda (PC) ou direita (LCI) da estrela ser cheia (PCP-ML, PRP-BR, MES, FSP, UEDS, PC de P, AOC) ou vazia (PC), da foice e martelo ostentarem uma bandeira vermelha (UDP) ou estarem inscritas no centro de uma estrela amarela (FEC-ML), etc, etc e etc. Dois deles, o PS e a FSP exibiam punhos e esta última,  dirigida por Manuel Serra - o "Manecas das Intentas" - até sugeria algo de gratificante mas publicamente indecente. Em conclusão, coisas importantes que não deixavam os revolucionários descansar na labuta dinamizadora e salvadora do porvir do proletariado.

 

Hoje, esta Nova Esquerda vai apresentar-se com novidades tão raras como um maior controlo do Estado sobre a economia, uma fiscalidade mais exigente (1), uma verdadeira política cultural (2), uma total abertura ao multiculturalismo (3), a liberalização do código penal (4) e outras medidas tão urgentes e inéditas quanto estas.

O arauto da Nova Esquerda diz ainda pretender mudar o sistema político, preenchendo o "buraco negro" existente no dito cujo. Deve certamente querer referir-se ao buraco terminal do sistema digestivo em que a 3ª república - imitando as duas anteriores -  se transformou. 

 

Fazem ainda um apelo à recolha de 5.000 assinaturas necessárias à legalização do partido. Contem com a minha, porque aficcionado das "mais amplas liberdades", defendo o princípio de quantos mais, melhor. A verdadeira e importante questão é saber se surgirão com uma estrela aberta ou fechada. Pode até ser um buraco aberto ou fechado...

 

(1) Lá vem a palavra de ordem "os ricos que paguem a crise!" Os tais ricos dos 750 Euros/mês, claro.

(2) Lá vêm novamente os friends - ou mais propriamente, les amis - ocupar em exclusividade os palheiros adstritos às funções intelectualizantes, algures nas granjas colectivas das fundações, universidades bibliotecas e EP's.

(3) Lá vêm os privilegiados contactos com os povos irmãozinhos da Venezuela, Equador, Bolívia, Nicarágua, Cuba, Coreia do Norte e porque não?!, do Irão. Com muita cantoria de intervenção subsidiada, ora essa!

(4) Lá vêm mais medidas protectoras das "vítimas da sociedade da decadente opressão do capitalismo neo-liberal", obrigadas a assaltar, traficar e a protegerem-se da "violência" policial.

 

Nota: o proclamado inspirador desta velha Nova Esquerda, deverá indisponibilizar-se para mais este trabalho de Hércules, até porque matreira, a direcção do PS já terá manifestado as necessárias garantias quanto à necessária e quotidiana ração calórica a conceder ao rebelde bardo.

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publicado às 20:04


13 comentários

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De Sandra a 18.06.2009 às 22:21


Não sei se ria (devido à fina ironia), se chore (devido à situação)...
Tristeza de gente!
Mas foi giro recordar o colorido dos partidos ; ) havia alguns que já não me lembrava ;) enfim...
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De Miguel Castelo-Branco a 18.06.2009 às 22:36

Nova Esquerda com os barrigudos de 70 anos que vivem dede os anos 50 da política e para a política ? Estranho.
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De António de Almeida a 18.06.2009 às 22:39

Mais um partido à esquerda? Contem também com a minha assinatura...
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De Samuel de Paiva Pires a 18.06.2009 às 22:57

Onde é que posso assinar? Quantos mais melhor...
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De Nuno Castelo-Branco a 18.06.2009 às 23:24

Bem, agora confesso uma omissão (estou a aprender a OMITIR ao estilo Cavaco): não coloquei o MRPP, porque tenho um "fraquinho" por este partido. Em 75 eram muito corajosos e imaginativos. Só de pensar nos murais que pintavam, tudo lhes deverá ser perdoado.
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De João Pedro a 19.06.2009 às 15:59

Nuno, há tempos vi uma publicação da CM de Lisboa sobre murais políticos da capital. No meio lá estavam dois exemplares da Nova Monarquia. Pensei logo em quem seria o autor gráfico da obra.
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De Nuno Castelo-Branco a 19.06.2009 às 23:31

... e pensaste bem, ehehehehehe, eram noites inteiras naquilo. Divertimo-nos bastante e acabávamos o trabalho a comer arrufadas compradas nas padarias abertas.
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De João Amorim a 19.06.2009 às 09:56

Há uma coisa que eu gosto nesta malta revolucionária: é a permanente antítese, inconsciente, entre o braçozinho levantado a girar à "esquerda" a berrar o "futuro" e o completo saudosismo por épocas, lugares, memórias de "outros tempos", que em muita coisa até revejo como melhor. No fundo são os reis do conservadorismo. Só falta vir o Rei.
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De João Pedro a 19.06.2009 às 16:18

tantas ligações!

Apesar de tudo o poeta Alegre prefere ficar no PS a rumar a essa "Nova Esquerda", que pelos vistos lembrará o PRD eanista nos tempos em que não teve Eanes (a maior parte da sua existência). Mas se quiser ser mesmo um partido alegrista", significa isso que vão celebrar a caça, os touros, o aprumo na vestimenta e alguma simpatia pela Ideia Monárquica? é que senão, mais vale aderirem ao Berloque.
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De João Pedro a 19.06.2009 às 16:30

A primeira frase faz pouco sentido porque está incompleta, não sei porquê. A frase completa seria "imagino o trabalho que deve ter dado fazer este post, com tantas ligações!"
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De Nuno Castelo-Branco a 20.06.2009 às 13:04

Não deu trabalho, até porque ri bastante com a maldade! :)
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De António de Almeida a 19.06.2009 às 17:28

Se precisarem de símbolo:

http://fotos.sapo.pt/manage/foto.html?id=4328429

Estou aqui para ajudar.
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De Nuno Castelo-Branco a 20.06.2009 às 13:05

eheheheeh, já vi e guardei. Obrigado

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