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Fiquei surpreendido ao deparar no semanário The Economist com a tabela de resultados para o parlamento Europeu. Portugal foi o segundo país com mais deputados comunistas eleitos (5), nem os países de Leste nos vencem, só a Alemanha com um número de eleitores mais de oito vezes superior ao nosso, nos ultrapassou elegendo mais três míseros deputados (8). Permanecendo as coisas como estão nas próximas eleições arriscamos-nos a ser o país que elegerá o maior número de comunistas. No entanto tendo em conta o total de eleitores que votaram efectivamente, os marxistas não representaram mais de 8%. O problema é que apesar de poucos, são activos e persistentes, pelo que ultimamente tem crescido à sombra da incapacidade governativa e da conjuntura económica cada vez mais desfavorável.

Esta persistente maleita prova que o nosso país continua atrasado não só economicamente mas igualmente em termos de cultura politica. Na altura do 25 de Abril tivemos uma revolução em boa medida à imagem da cubana ocorrida perto de 20 anos atrás. Agora passados novamente perto de 20 anos que a URSS acabou e que o Comunismo está praticamente extinto no mundo (se exceptuarmos os paraísos Cubano e Norte Coreano) continuamos a ter gente de punho no ar, a ouvir gostosamente o hino da Internacional Socialista e a defender as mesmas ideias que já foram abandonadas à muito em todo o lado. Pseudo intelectuais puídos pelo tempo, com os olhinhos a brilhar de entusiasmo infantil continuam a falar em nacionalizar isto e aquilo, reduzir os direitos ligados à propriedade privado, acabar com a burguesia capitalista etc etc. O nosso país está cada vez mais esclerosado, Oswald Spengler no século passado defendia que as civilizações e os países antigos definhavam e morriam devido à incapacidade de se renovarem e vencerem dessa forma os novos desafios. A própria expansão colonial foi uma forma de no passado Portugal ultrapassar os desafios que eram postos à sua sobrevivência, fruto da sua dimensão e recursos reduzidos.

 

 

Na verdade a solução de acabar com a propriedade privada iria resolver o problema da corrupção endémica que mata o país gradualmente. O problema é que preconizar essa espécie de eutanásia para curar uma enfermidade não irremediável é uma loucura com resultados ainda bem piores. Se olhar-mos para o passado passamos pela mesma situação no primeiro quartel do século XX e as soluções adoptadas na altura foram bem menos severas e nem por isso menos eficientes.

No contexto actual a única hipótese de se conseguir ainda retirar algum proveito prático do vigor algo caduco da nossa extrema-esquerda, poderá ser utilizá-la como atracção turística

Como é bem sabido o nosso país tem o futuro muito ligado ao acolhimento de estrangeiros em termos temporários ou não (aposentados do Norte da Europa) e um dos nossos melhores trunfos para os captar para além das praias, mulheres bonitas e gulodices culinárias é a variedade dos restos mais ou menos gloriosos que o nosso passado nos deixou. Portanto porque não adicionar também os comícios e festas promovidas pelos comunistas? Tratam-se indubitavelmente de eventos culturais com interesse turístico notório que poderiam ajudar a gerar novos rendimentos, tão necessários para a nossa depauperada economia. As excursões tratariam de para lá encaminhar turistas endinheirados à procura novas experiências. Podiam iniciar-se apreciando sardinhas assadas regadas com vinho de Borba e após relaxar um pouco fumando (os habituais!) charros ao mesmo tempo que trauteavam as já muito gastas músicas do camarada Zeca Afonso. Esses seriam só alguns dos muitos atractivos singulares, que passariam ainda por ouvir traduzidas nas suas diversas línguas as ideias originais dos dirigentes partidários da velha ou pretensa nova esquerda e confabular um pouco com camaradas castiços como a Sra. Odete Santos (ou alguém do estilo) ou “iluminados” como o Sr. Louçã acerca das grilhetas do Capitalismo e das virtudes do Estado Socialista.

 

Um momento de desconforto

 

No fim teríamos turistas encantados e entretidos, com muitas histórias para contar acerca de um pequeno país atrasado e pitoresco, meio africano e meio europeu já sem sonhos de grandeza que pouco mais almeja do que não ser deixado ainda mais para trás.

Desta forma ainda poderiamos todos ganhar qualquer coisa de verdadeiramente útil.

 

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publicado às 16:25


6 comentários

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De João Pedro a 22.06.2009 às 23:15

nem os países de Leste nos vencem"

Isso não admira, depois de 40 anos de domínio, os comunistas tiveram de se reciclar, e nalguns países, como a República Checa, o símbolo da foice do martelo é mesmo proibido. é difícil imaginar um PC forte em estados como a Polónia. É um pouco o inverso do que se faz por cá.

Em termos de percentagem, houve um país com maior votação nos comunistas: o Chipre.
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De Nuno Castelo-Branco a 23.06.2009 às 00:15

Bah, grande votação tiveram TODOS eles há 2 semanas. Se contarmos a abstenção - que foi um protesto muito claro -, o PSD teve... 11%! Imagina então os "grandes resultados" dos outros. Ninharias de fim de regime.
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De António Bastos a 23.06.2009 às 11:48

Nuno, queres dar cabo de mim? Estás a ver-me a acompanhar nostálgicos do gulag e a ter de suportar as músicas do totalitário do Zeca Afonso? Que horror!
Quanto à estatística referrida ele revela bem o incansável empenho eleitoral dos "camaradas" (que nunca desarmam) associada à abstenção elevadíssima, algo só possivel que continua refém do PREC.
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De Nuno a 23.06.2009 às 14:31

Não concordas que existe um certo carácter bizarro na nossa extrema esquerda que poderia ser apreciado pelos turistas dos países mais desenvolvidos e com isso ganhar algum dinheiro? Não serias capaz de conduzir excursões aos ditos locais e fumar um charrinho ao mesmo tempo que explicavas as actividades lúdicas e propagandísticas que decorriam? Era um pouco como ir a semana medieval de Mértola Terias só que perder algum tempo a ensinar a dizer em português algumas palavras "Chave"; camarada, charrinho, Zeca Afonso, abaixo o capitalismo e mais algumas do genero para eles se ambientarem e diluirem na "fiesta".
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De Nuno Castelo-Branco a 23.06.2009 às 16:57

..daaaaaaaaaaaassss, nein, Danke!
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De António Bastos a 24.06.2009 às 01:17

Além disso, Nuno, não te esqueças de que o anti-comunismo ainda é um tabu, basta ver o boicote feito cá em Portugal ao filme "Katyn". Ainda há pouco tive um grupo de professores, logo maioritariamente de "gauche", que me pediram para lhes falar de Salazar. Ficaram siderados com a imagem que lhes dei do ex Presidente do Conselho, bem como da República Corporativa, o que lhes desestabilizou as estruturas mentais. Foi um fartote de rir! Não conseguiam superar a "formatação mental" à qual tinham sido submetidos ao longo dos seus percursos académicos. São vítimas da ideologia. Paz às suas almas!

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