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O Silêncio

por Nuno Castelo-Branco, em 26.06.09

 

 Será muito difícil a qualquer português – a não ser que ele habite um ermo cravado em longínquas e impenetráveis montanhas – não possuir amigos, conhecidos ou familiares que estiveram, trabalharam, combateram ou viveram nas antigas colónias portuguesas.

E mesmo nesse ermo de que falei, não sei…
Em qualquer lugar, quando se fala da retrospectiva vida das pessoas, quantas vezes aparece a África, através das longínquas Luanda, Lourenço Marques, Lobito, Bissau, Sal, S. Tomé, Beira, e semelhantes imagens de postal. A outros, visitam-nos o palato húmido da Ásia de Macau ou de Goa. A um menor número, voejam recordações da Oceânia, em Timor. A todos ficou o travo de uma portugalidade que se perdeu, mas isso não é o que mais lhes custa, porque isso é politica, e a política tem a importância que tem. O que realmente magoa é a perda súbita de uma vida, já construída ou que se construía ainda, dos bens e pessoas que ficaram para trás, do achincalhamento, da humilhação, da vergonha, mas principalmente do silêncio! 

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publicado às 15:37


5 comentários

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De M. Mendonça a 28.06.2009 às 16:34

Ter vivido numa das Ex-Colónias, faz toda uma diferença na maneira de estar e viver das pessoas, ainda hoje. Eu, não vivi lá, mas tenho grandes memórias desse tempo, relatadas pela minha já (infelizmente) falecida Mãe...

São caixas e caixas de fotografias a preto e branco, do Uíge (Norte de Angola), que relatam a forma alegre de viver naquela época, a forma como os meus pais se conheceram, a fazenda de café que o meu Avô Materno tinha no Uíge...E outras coisas que também lá tinha :)

Apenas me lembro de lá ter ido com dois aninhos e pouco, de ser a minha primeira viagem de avião, de sair de Lisboa com muito frio e chegar a uma terra muito quente, na qual, curiosamenre, não me dei bem com o clima.

Por isso expressões como "curitas";"ginbambas"; "quitetas" etc., são-me familiares (peço desculpa, se alguma não estiver bem escrita, o que é provável)

Mas concordo com o Nuno Castelo-Branco: há sobre este tema muito silêncio, muita humilhação e quase que um preconceito e sobretudo uma grande mágoa.

Uma coisa é certa: quem por lá passou, é para bem ou para o mal gente especial e, se não fossem esses tempos, não estaria eu, agora aqui a escrever, pois o meu pai conheceu a minha Mãe, quando foi combater na guerra colonial :)

Um bem haja ao Nuno, por abordar um tema tão sensível e que diz tanto a muitos portugueses :)

OBRIGADA
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De Nuno Castelo-Branco a 28.06.2009 às 21:52

Para ler este texto, deve clicar sobre o mesmo, porque não é meu. Limitei-me a chamar a atenção, porque se trata de um assunto ainda tabu.
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De M. Mendonça a 28.06.2009 às 22:49

Boa Noite,

Eu concordo que se trata de um tema Tabu e, do qual as pessoas falam pouco.

Obrigada Nuno castelo-Branco, quanto à informação dada relativamente ao texto (já "cliquei" e li o texto na íntegra - confesso que já muitas vezes me tinha indagado sobre qual a diferença entre os textos apresentados sublinhados e os outros com aspecto gráfico normal. Enfim, ignorâncias de quem não possui um Blog, como eu).




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De Nuno Castelo-Branco a 29.06.2009 às 17:36

Quando estiver interessada em participar, é só dizer...
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De M. Mendonça a 29.06.2009 às 23:26

Oh Nuno, mas que simpático e gentil da sua parte :)

Claro que teria muito gosto em dar o meu contributo para um espaço tão agradável tanto no conteúdo como na apresentação visual :)

Ao vosso dispor,

M. Mendonça

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