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Medos e invisibilidades

por Silvia Vermelho, em 20.07.09

Coisas muito simples acerca disto:

 

1) É uma posição que continua a fazer perdurar preconceitos que nenhuma estatística pode corroborar. O uso das expressões "por norma", "na sua maioria", "segundo as estatísticas" é sinónimo de castração da individualidade de cada um/a, na medida em que se assume que o grupo dos homens homossexuais representam um "grupo de risco" e não tem em consideração que há homossexuais que não têm "comportamentos de risco".

 

2) Resulta de várias ideias e medos, como a de que os homossexuais "por norma" não têm relações estáveis e monogâmicas, o que propicia DSTs e outras complicações. Esquece-se porém de que continuamos a perpetuar entraves, não apenas sociais mas também jurídicos, à efectiva concretização de uma relação dita estável e monogâmica à luz dos padrões de referência da sociedade Portuguesa (= casamento fiel).

 

3) Se se procura com esta atitude diminuir a quantidade (chamemos-lhe brejeiramente assim) de sangue "contaminado", de "recolhas inúteis", é um critério que falha redondamente pois os critérios de eliminação de risco devem ser, por razões de eficiência, transversais a todas e a todos. Deste modo, o que se torna essencial é "despistar" os comportamentos de risco na sua raiz, o que se procura fazer no inquérito médico antes da recolha ser efectuada. O acto sexual entre pessoas do mesmo sexo não é, per se, um comportamento de risco!

 

Para concluir, a resposta do gabinete de Ana Jorge remete para a resolução de 12 de Março de 2008 do Conselho da Europa, que dá "supremacia ao direito à protecção dos doentes que recebem sangue relativamente à vontade de qualquer pessoa em doar sangue".

 

4) A protecção dos doentes só é assegurada se não se reduzir ridiculamente o universo de pessoas dadoras com base em estatísticas de comportamentos, que excluem a individualidade e a possibilidade ser uma outra coisa que não como o grupo.

 

5) Por fim, estas considerações são tão ridiculamente óbvias e tão demasiadamente simples que me sinto até um pouco constrangida por ter de as escrever, manifestando uma certa estupefacção...

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publicado às 00:34







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