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Os dois candidatos: o 00-Zero e o 00-Menos Um.

por Nuno Castelo-Branco, em 29.07.09

 

 Pouco há para comentar. O debate foi nulo e demonstrou à saciedade a total ausência de projectos para a capital, ficando os munícipes com a garantia de a CML não passar de mero entreposto para a circulação de personalidades  cujos objectivos são claramente outros. Para trás ficaram os tempos da "Lisboa irreconhecível" do sr. Abecassis e a temporária estadia do sr. Sampaio antes de ascender ingloriamente à residência de Belém. Esquecida fica a obra cultural - inegável - de João Soares e a consequente despesa que isso representou. De Carmona lembramos - e homenageamos  a coragem - a lápide colocada no local do regicídio e de Costa fica a memória dos contentores, do Hotel Altis à beira da Torre de Belém e do escabroso projecto do Terreiro do Paço martimonizado. Quanto a Santana, sobrou a miragem Gehry.

 

Os lisboetas podem ter a certeza de um esgrimir  de argumentos fraquíssimos, inconsistentes e que na prática se traduzirão em mais demolições, mais estacionamentos em terrenos onde existiam prédios de habitação, mais terciário, mais fachadismo oficial, mais adulteração de espaços históricos. Em suma, o betão e os grandes interesses imobiliários especulativos nacionais e estrangeiros continuarão a ditar a lei.  "Por Bem" prosseguirão as suspensões clandestinas do PDM, a retirada oportunista de edifícios do inventário municipal e claro, a tordesilhesca partilha de lugares cativos. 

 

Como curiosidade, aqui deixo um e-mail enviado por um amigo residente na zona de S. Mamede, ao Príncipe Real. Dá-nos uma ideia do vergonhoso processo de parquimetrização da cidade e da caça à multa a todo o transe. Coisas sem importância para os srs. Santana e Costa e respectivos sucedâneos Zé e Roseta.

 

Olá, Nuno 

Interessa-me apenas a política local, neste momento.
Recentemente, levaram daqui os parquímetros podres e marcaram a zona como reservada a residentes... só que não puseram parquímetros novos e os lugares estão ocupados em massa por forasteiros. Chega a Polícia Municipal, uns g... que não vêem um palmo à frente da cara, e vai de trancar e multar a torto e a direito, em zonas ao calhas, residentes com senha identificativa incluídos, como eu... dizendo, para cúmulo, aos de fora que puderam ouvir, que, estando do lado direito, se pusessem os carros fora do passeio não seriam multados... os guardas que vieram cobrar a massa das trancas, duas horas depois, disseram que isto era mentira. Fui à procura de um homem a quem disseram isto por dois carros e encontrei-o, estava numa obra ali perto... Ameaçaram-me com acusação de ofensas à autoridade.
A história é demasiado comprida para caber aqui. Estou farto de escrever à Câmara sobre isto: a repressão antes do ordenamento. Nunca conseguiram impor a lei, nem ordenar, ou seja, garantir o estacionamento prometido aos residentes, mas ainda facturam com isso. Mas tudo direitinho e de cabeça baixa, a pagar. Disse-lhes: «os senhores fazem um trabalho mau, mal informado, incompleto, não percebem nada do que se passa aqui há anos, em suma, são incompetentes, e ainda ganham dinheiro com isso!». Não gostaram de ouvir: «Vêm à caça. Matam meia dúzia de veados, e voltam para donde vieram, todos contentes. Amanhã está tudo na mesma. Os senhores não servem para nada. Não são bem vindos». Quando começo a mandar vir, já aprendi, vêm logo mais cinco portugueses a apoiar.
Os guardas, claro, começaram a dizer que já estava a falar de mais, etc.

Levaram-me 340 euros.

Abraço
F

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publicado às 12:35


7 comentários

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De Nuno Castelo-Branco a 29.07.2009 às 13:12

F., quando aí morava e era teu vizinho, houve alguém que resolveu logo a situação ameaçadora da caça à multa. Como bem te lembras, borraram as ranhuras dos parquímetros com cocó, tapando-as por completo. Remédio santo, durante anos ninguém colocou um único tostão nas máquinas dessa zona. Fartei-me de rir! Para os residentes era indiferente, porque tinham o respectivo cartão, mas para os outros foi fantástico.
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De F a 29.07.2009 às 14:10

Mas isso foi há mais de seis anos. Entretanto, deixaram apodrecer as máquinas, que, como sabes, nunca cuidaram, e praticamente não usaram. A história está muito abreviada. Entre os detalhes interessantes está um representante da Polícia Municipal ter admitido, ao telefone, não terem qualquer diálogo com a EMEL, cuja representante, ao telefone, admitiu que a PMunicipal não fala, nem está interessada em falar com eles! E que os da PM não tinham nada de entrar na área de jurisdição da EMEL... A PM diz, entretanto, que não pode multar não-residentes do lado direito porque a EMEL não sinalizou a zona com o número de área. Da EMEL dizem-me que a PM não pode multar residentes, seja como for. Tudo oficioso. Tudo conversa. Os guardas da PM, entretanto, ao passarem os recibos das multas, encolhem os ombros e dizem, a armar ao simpático: «Isto cada instituição olha por si». Onde está o Xerife? - dizia-se no Oeste!
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De Nuno Castelo-Branco a 29.07.2009 às 14:15

Pois-pois... , esta conversa até pode levar-nos muito longe!
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De F a 29.07.2009 às 14:19

Quando digo que da EMEL disseram que a PM «não podia multar residentes» devo acrescentar que o princípio era «... enquanto a zona não estiver ordenada». Perante a pergunta seguinte: «Porque é que a zona não está ordenada?» a resposta foi: «Vai ter de fazer essa pergunta por escrito, ao Presidente do Conselho de Administração da Empresa». Ah, também é engraçado: a Junta de Freguesia tem uma palavra a dizer: «Não podemos fazer nada. Não fomos informados».
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De Carlos Barbosa de Oliveira a 29.07.2009 às 14:37

Nulo, estéril e enfadonho.
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De Carlos Barbosa de Oliveira a 29.07.2009 às 16:24

Claro, Nuno, o debate. Se é que lhe podemos dar esse nome pomposo, porque me fez mais lembrar um muro de lamentações, onde os dois se tentavam desculpar perante os lisboetas.

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